Escritas

Lista de Poemas

Confinamento

Confina o medo

Depura as estrelas

Deixa que a viagem te ausente

E sintas o cheiro da vida

Pinta hoje o teu dia

Dá-lhe a cor do amor

Faz das sombras um poema

E em cada nascer do sol

Abraça-o

E sê tu

Uma vez mais
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Depois dos 50

Depois dos cinquenta
Os dias ficam tímidos
Agigantam-se as noites
E a ilusão
Do tamanho do crepúsculo
 
Depois dos cinquenta
Pesa-nos o passado
Vivem-se pretéritos
Nem sempre perfeitos
Somam-se capítulos
À vida
De alguns parágrafos
Desfeitos
 
Depois dos cinquenta
Escuta-se a voz
Começa a contagem
Vira-se a folha
Bebem-se os anos
E os instantes
dessa viagem
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Anoitecer

A história de um homem

Faz-se ao anoitecer

Quando as sombras quedam

E a cegueira se faz ao caminho

 


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Forma alada

Morro na lenta agonia 
que me sobra
Até o sono não ter voz
O amor é o que me resta
Depois do poema
Ergo-me na forma alada
O corpo incinerado já não dói
Apenas o choro de preto
Daqueles que abalam
E o olhar queimado
Das cinzas que ficam
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Claridade

Já a noite cai madura,

Do alto daquela estrela

Trovam os poetas

No mar da liberdade

A claridade soa perto

Solta as aves do paraíso

Nas guitarras da Mouraria

Fundem-se abraços

Entre amantes improváveis

Meu cravinho vermelho

teu rosto no mar

Estes são os artistas,

Os homens

E os amigos,

No palco da vida

(Poema dedicado à memória de Mário Piçarra 1947-2019, músico e poeta, inspirado
no seu último CD - Claridade)


 
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Noite ao céu

Cala-se ao noite ao céu
o frio debrua o rosto
a cada passo
o lento avançar da idade
e a certeza que o chão 
me sabe firme
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Amor dos teus olhos

Não te apaixones pelos olhos das bocas que falam

Porque as manhãs são impuras

e o acordar

o fim de uma promessa

Apaixona-te pelo amor dos teus olhos

E pelo sorriso da criança que passa

Apaixona-te pelos dias que se dão à vida

E pela incerteza do momento

Ama a dúvida e o sonho

Jamais a noite das bocas que beijam

e

dos lábios que aos teus olhos te falam
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Azul

O mar fica-te tão bem
quando vestes de azul
Não sei ao certo de que estrela
nasceu o teu encanto
se do teu sorriso
se das manhãs de Orfeu
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Sorriso tímido

Não nos osculámos
Mas em sonhos
Tanto que te beijei
Esse sorriso tímido
De olhar penetrante
Fui esquecendo as tardes
E a prosa que nos escrevia
Sobrevivo às noites
E aos dias vazios de ti
Porque do teu abraço
Me ficou um sonho
A promessa de uma vida
Com um castelo dentro
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Poema sem nome

O meu corpo jaz no teu passado
é desse frio que me alimento
e por ter morrido nas pérfidas
juras de amor
é que eu me lamento 
São roxos, 
os lábios que te escrevem,
agora mudos,
porque não te merecem
gritam dálias
numa palavra oca,
porque à cova, 
descem surdos, os poemas
na tua boca
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