Aforismo
Mas é isso que nos separa no preconceito
e nos une na mortalidade
Honoré DuCasse, além de um pseudónimo, é também um heterónimo, uma personagem literária imaginária com uma personalidade demarcada e muito própria. "O Libertar das Sombras", mais que uma antologia, é o deixar a "nu" a sua intimidade enquanto poeta.
n. 1799-06-29, Paris
A poesia é o que se dá à vida
Antes da palavra
É seiva inconformada
Substância que adoça o palato
Cala os dias
Inspira as madrugadas
É a doce forma
Que insana a voz
É tornar a arte de esculpir o homem
A mais nobre da sua essência
Há um poema
Que me lembra
O vento das vozes cansadas
E das noites a fio
à espera das madrugadas
Na reclusão das eras
E no ermitério das idades
Bebi-te num rio numa manhã de degelo
Tacteavas a pedra polida
Como se tivesses lábios de desejo
Percorrias as entranhas nos fiordes
Num frenesim sensual
Derretias os prados fumegantes
Mitigavas-me o anseio ardente
Nos teus lábios quentes
Mordias o verde até ser rio
Morrias-me na foz até ser gente
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