Lista de Poemas
Ciência Exata
Uma ciência exata
Saber sintática
Saber gramática
Escrever é preciso.
Pingos nos is,
Vírgulas,
Rimas.
Ah! Inferno de precisão.
Dicionários
De rimas
Sinônimos
E antônimos
Escrever é preciso
é precioso
é poderoso.
Quando escrevo sou poderoso,
Liberto-me de fantasmas.
Liberto-me porra nenhuma
Apenas os aprisiono
Atrás das grades destas linhas
E volto sempre pra vê-los
Aprisionados heroicamente por mim,
Minha caneta
E meu caderno
Mas quando me olham
Por de trás das grades,
Escarnecem.
E dizem que quem está preso
Sou eu!
Do outro lado das grades
Aprisionado na precisão da escrita.
Abaporu
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Abaporu vem dos termos em tupi aba(homem), pora(gente) e ú (comer), significando "homem que come gente". (de acordo com o artigo : |
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Abaporu |
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Tarsila do Amaral,1928 - Óleo sobre tela - 85 x 73 cm |
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Coleção particular |
Escrito talvez em um fim de semana de junho de 2011
Dentro e fora
Sou eu, aquele que te devora
A troco de saciar minha fome
De te saber, conhecer não só como quem come
Uma prato barato da esquina
Me mata
Quem me impede
Ou fecha-me a boca
Sim, me maltrata
Sou eu aquele que está dentro
E está fora, que te corrói e assusta
Quem te devora e incorpora
Sua fome que tem sede
Que não cede tão cedo
Não quer vencer o medo
Do novo, sempre um segredo
Te devoro pela cabeça
Sem ter a pressa
Te devoro para que te conheça
E comunguemos não só pão e vinho sagrados
Nosso saber ou conhecer
Querer ver ou ter
Enquanto te degusto
Espero não ter mais a ânsia
De conhecer
Por que outros que tentei
Vomitei
Feudo novo
Cavalariça zelada
Ferreiro com tonel de brasa
A moldar coisa qualquer
Sobre a bigorna malhar
Uma a ser de pata eqüina
Outra a ser da mão que mata
Em nome do senhor
A quem servem
Ao qual devem
A vida que deveria
A eles mesmos pertencer
Casamento de servo
Ao noivo a noiva não serve
Ao nobre senhor é a quem deve
Ele será o primeiro.
Nobre um
Outro pobre.
Robin Hood.
Wilhelm Tell
Lendas para conforto
Incitaram um feudo revolto
Desordem interna
Também entre senhores
Descontentes querendo mais
Acordada uma solução
Um nobre acordo
Um novo feudo.
Tudo unificado
Maior e enriquecido
Com um nome novo:
Nação.
E tudo diferentemente igual.
No trem
Vazio vagão
Do trem
Do trilho
Que trilha
Ao lado um vago
Assento vazio
Ao lado do lago
O trilho, o fio
Ao lado do vago
Vasto e fundo
Profundo e abismo
Do lado do trilho
Do trem que vem
Vagando
Vagando
Vagando
Caindo
Caindo
Caindo
Do lado
No lago
Fundo
Do fundo
Do abismo
Dum trem desgovernado
Descarrilado
De vida
Sofrida vivida
Dividida
No trilho da trilha
Que fica do lado
Do lago profundo
Do abismo do mundo
Noturno Op 9 Nº1
Sutil
Chega
Sequestra a dor
Sequencia
Notada
Noitada
Deitado
Entorpecido
Noturno
Tocado
Levado
Ponta de dedos
ébanos
Marfins
Noturnos
Sem fins
Clarice
Mesmo que tente
Não serei capaz
Entender o que quiseste
Nem em esforço
Saberia jamais
Entendo
Não é preciso entender
Sinto demais
E sentir o que foi dito
É muito além de entendimento
Quero nunca entender
Cessará o sentir
O sentido
A partilha
A novidade
A beleza
Que é só tua
De corpo e rosto
De frente e verso
De fase de lua
Regendo a maré
Do sentimento
Que vai muito além
Das linhas e entrelinhas
Segunda
Paixões
Desmedidas indesejadas
Ardem, brasas infernais
Quando pela razão
Deveriam ter
Simplesmente sabor
A carne
A bela
A confusa
São dor.
Paixões
Desmedidas e desejadas
Queimam, fogo celestial
Quando pela razão
Deveriam ser
Simplesmente êxtase
A poetisa
A musa
São nirvana.
Paixões
Doem
Aliviam
Enriquecem
Empobrecem
Paixões
São infelizes
São felizes
Introspecto...
Paixão desmedida,
Prazer de ferida
Alegria de dor
Paixões
São uma.
Você todo dia,
Única!
E sempre a mesma novidade.
Terceira
Não há palavra
Para o que quero
Eu
Espero
Uma Língua
Que tenha
Outra coisa
Que não seja somente
Palavra que defina
Ou de nome
Nosso olhar
torno-me cego
não sou, não tenho ,não vejo
neste encontro, que dum olhar cruzado
de corpo deixado, tudo de lado
toca leve, contigo me leve
me lava e larga a alma
me alarga a vontade
do beijo que dissolve
meu ego, minha dor
de saudade de ver
ser ou ter, querer sentir ou tocar
quando teus olhos me vêm
não sei se os vejo, pois meu desejo
não se come com olhos
não se engole com boca
não digere no estômago
quando estas luzes
convergem ou divergem
este prisma chamado
encanto, que os espalha
por todos os cantos
o que nos olhos vêm
quando só nossos olhares
se encontram e é só deles
o amor que nos emprestam ao corpo
E você
Não posso lhe aprisionar
Na insanidade das minhas convicções
As mesmas que te querem livre
Brincando
Nos jardins da desordem
Dos meus sentimentos
Soberano
Observa de um mirante
Escolhido a garras para o pouso
Um repouso sobre um monte
Edificado em um povoado
De tamanho absurdo
Observa de toda altura
Que lhe é permitida
As vielas, ruelas, avenidas
Todas elas estúpidas
Transeuntes tornados assim também
Ele todo de negro
Emplumado
Alado
Com suas fortes garra
Sublime se agarra
A espreita do que
O estúpido rejeita
Um morto
Um cadáver
De mau cheiro
Que a ele lhe é perfume
Odor incólume apetecedor
Decola de sua paciência
Soberana com insistência
Enfim...
Sublime pousa
Sobre a carcaça de um morto
Que não sou eu
Que não serei eu
Este que jaz à sarjeta
Será a garantia da força
De amanhã estar
A sobrevoar
A pousar
A espreitar em paciência
Consumir o que é rejeitado
O que não tem bom cheiro
Ser ele o herói que voa
Sublime
Sábio
Sereno
Levado pelas correntes
Do ar ascendente
Sem esforço, voa!
Sem esforço, não mata!
Com esforço, vive!
Porém tranquilo
No cimo de seu outeiro
No alto do sobrevoo
Na tranquilidade do pouso
É assim que te vejo
Em posse da pena e tinta
E da outra que sinto, por mim mesmo
Do medo e acanhamento em dizer-te
Sobre o que sinto e vejo
Não enrubesço, não demonstro
E nem também disfarço-me
E tampouco esforço-me
Um dia entrego-te estes e outros
Os diversos versos que te dedico
O reverso do que oculto
E o amor que quero e ainda não sinto
Se não gostasse de escrever
Tudo seria mais simples
Fácil e objetivo, mas não tenho objetivos,
Pretensões, vontades vãs e vis
Só espero nunca ser óbvio
E nem mistério
Ser amigo sempre
Simples, sincero
Beijar-te primeiro as mãos
E inevitavelmente tudo o mais
Que me permitires, que quiseres
Simples seria olhar-te
E dizer como és talvez a mais bela
Como és talvez quem eu queira de fato
Como és talvez de quem não quero talvez
Simples sim, seria ser simples
E conseguir dizer-te o que quero
Que é só fazer com que saiba
O quanto és admirada,
Querida, desejada.
Não simplesmente só bonita
Porque se fosse apenas isso,
A mim seria apenas mais uma qualquer...
Comentários (1)
Este (desejo primeiro) é um texto do poeta Victor Hugo.
Minha biografia
Será um livro de capa dura,
Dura de abrir.
Para que ninguém tenha vontade de ler
As folhas todas em branco
As páginas numeradas
De acordo com os anos de vida
Nelas escrito nada
Quem quiser saber-me
Leia-me!
E não minha vida contada.
Não terá utilidade,
Só matar curiosidade.
Não sou santo de ninguém
Não faço bem a todo o mundo
Não quero bem a quem me quer mal
Vivo insatisfeito com o exterior
Plenamente confuso em olhar
Inconformado com os valores alheios
Imperfeito sujeito
Predicando sem verbo
Transitando na indecisão
De ser ou não ser
Seja lá o que quer que seja.
Umas dúvidas não tenho.
Eu sou eu e pretendo ser mesmo,
E não sou Deus!
Melhor!
Minha biografia terá um nome
“Sinto muito”
Sem páginas em branco
Uma única escrita
Dito isto:
“Vivi por que não quis existir.
Quem existe é Deus
O que fiz de bom não fui eu
O amor que dei não era meu
O que falei de bom não era meu
Fiz o que quis sempre (escrever)
Tive o que me dei
Quando fui eu mesmo
Deixando de lado o querer entender
O significado ou sentido da vida.
Nada disso existe.
Não me entreguei à sorte
Do desejo, do saber, do conhecer.
Senti muito, demais, coisas ruins e boas.
E tive vida em meu ápice.
Entender-me com Deus”
Mas por enquanto sou vivo
E essa é biografia nenhuma.
Sim ficção criada,
Pelo personagem que ainda sou
E só terei vida vivida depois de morrida.
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