Escritas

Lista de Poemas

Ciência Exata

Escrever é preciso
Uma ciência exata
Saber sintática
Saber gramática

Escrever é preciso.

Pingos nos is,
Vírgulas,
Rimas.

Ah! Inferno de precisão.

Dicionários
De rimas
Sinônimos
E antônimos

Escrever é preciso
é precioso
é poderoso.
Quando escrevo sou poderoso,
Liberto-me de fantasmas.

Liberto-me porra nenhuma
Apenas os aprisiono
Atrás das grades destas linhas

E volto sempre pra vê-los
Aprisionados heroicamente por mim,
Minha caneta
E meu caderno
Mas quando me olham
Por de trás das grades,
Escarnecem.
E dizem que quem está preso
Sou eu!
Do outro lado das grades
Aprisionado na precisão da escrita.
👁️ 510

Abaporu

Abaporu vem dos termos em tupi aba(homem), pora(gente) e ú (comer), significando "homem que come gente". (de acordo com o artigo : ABAPORU da Wikipédia)

Abaporu

Tarsila do Amaral,1928 - Óleo sobre tela - 85 x 73 cm

Coleção particular

ABAPORU de Guilherme Coutinho

Escrito talvez em um fim de semana de junho de 2011





Dentro e fora

Sou eu, aquele que te devora

A troco de saciar minha fome

De te saber, conhecer não só como quem come

Uma prato barato da esquina



Me mata

Quem me impede

Ou fecha-me a boca

Sim, me maltrata



Sou eu aquele que está dentro

E está fora, que te corrói e assusta

Quem te devora e incorpora

Sua fome que tem sede

Que não cede tão cedo



Não quer vencer o medo

Do novo, sempre um segredo

Te devoro pela cabeça

Sem ter a pressa

Te devoro para que te conheça



E comunguemos não só pão e vinho sagrados

Nosso saber ou conhecer

Querer ver ou ter



Enquanto te degusto

Espero não ter mais a ânsia

De conhecer

Por que outros que tentei

Vomitei
👁️ 994

Feudo novo

Servos dedicados

Cavalariça zelada

Ferreiro com tonel de brasa

A moldar coisa qualquer

Sobre a bigorna malhar



Uma a ser de pata eqüina

Outra a ser da mão que mata

Em nome do senhor

A quem servem

Ao qual devem

A vida que deveria

A eles mesmos pertencer



Casamento de servo

Ao noivo a noiva não serve

Ao nobre senhor é a quem deve

Ele será o primeiro.



Nobre um

Outro pobre.



Robin Hood.

Wilhelm Tell

Lendas para conforto

Incitaram um feudo revolto

Desordem interna

Também entre senhores

Descontentes querendo mais



Acordada uma solução

Um nobre acordo

Um novo feudo.

Tudo unificado



Maior e enriquecido

Com um nome novo:

Nação.



E tudo diferentemente igual.

👁️ 545

No trem

Num vago vazio

Vazio vagão

Do trem

Do trilho

Que trilha



Ao lado um vago

Assento vazio

Ao lado do lago

O trilho, o fio



Ao lado do vago

Vasto e fundo

Profundo e abismo

Do lado do trilho

Do trem que vem

Vagando

Vagando

Vagando

Caindo

Caindo

Caindo

Do lado

No lago

Fundo

Do fundo

Do abismo



Dum trem desgovernado

Descarrilado

De vida

Sofrida vivida

Dividida



No trilho da trilha

Que fica do lado

Do lago profundo

Do abismo do mundo
👁️ 576

Noturno Op 9 Nº1

Soturno

Sutil

Chega

Sequestra a dor

Sequencia

Notada

Noitada



Deitado

Entorpecido

Noturno

Tocado

Levado

Ponta de dedos

ébanos

Marfins

Noturnos

Sem fins
👁️ 495

Clarice

Primeira



Mesmo que tente

Não serei capaz

Entender o que quiseste

Nem em esforço

Saberia jamais



Entendo

Não é preciso entender

Sinto demais

E sentir o que foi dito

É muito além de entendimento



Quero nunca entender

Cessará o sentir

O sentido

A partilha

A novidade

A beleza



Que é só tua

De corpo e rosto

De frente e verso

De fase de lua

Regendo a maré

Do sentimento

Que vai muito além

Das linhas e entrelinhas



Segunda



Paixões

Desmedidas indesejadas

Ardem, brasas infernais

Quando pela razão

Deveriam ter

Simplesmente sabor



A carne

A bela

A confusa

São dor.



Paixões

Desmedidas e desejadas

Queimam, fogo celestial

Quando pela razão

Deveriam ser

Simplesmente êxtase



A poetisa

A musa

São nirvana.



Paixões

Doem

Aliviam

Enriquecem

Empobrecem



Paixões

São infelizes

São felizes



Introspecto...



Paixão desmedida,

Prazer de ferida

Alegria de dor

Paixões

São uma.

Você todo dia,

Única!

E sempre a mesma novidade.



Terceira



Não há palavra

Para o que quero

Eu

Espero

Uma Língua

Que tenha

Outra coisa

Que não seja somente

Palavra que defina

Ou de nome

👁️ 545

Nosso olhar

"Quando a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolvem se encontrar..." (Vinícius de Moraes)



torno-me cego

não sou, não tenho ,não vejo



neste encontro, que dum olhar cruzado

de corpo deixado, tudo de lado



toca leve, contigo me leve

me lava e larga a alma

me alarga a vontade

do beijo que dissolve

meu ego, minha dor

de saudade de ver

ser ou ter, querer sentir ou tocar



quando teus olhos me vêm

não sei se os vejo, pois meu desejo

não se come com olhos

não se engole com boca

não digere no estômago



quando estas luzes

convergem ou divergem

este prisma chamado

encanto, que os espalha

por todos os cantos



o que nos olhos vêm

quando só nossos olhares

se encontram e é só deles

o amor que nos emprestam ao corpo
👁️ 458

E você

Pense o que bem quiser

Não posso lhe aprisionar

Na insanidade das minhas convicções

As mesmas que te querem livre

Brincando

Nos jardins da desordem

Dos meus sentimentos
👁️ 546

Soberano

Ele nobre cavaleiro alado

Observa de um mirante

Escolhido a garras para o pouso

Um repouso sobre um monte

Edificado em um povoado

De tamanho absurdo



Observa de toda altura

Que lhe é permitida

As vielas, ruelas, avenidas

Todas elas estúpidas

Transeuntes tornados assim também



Ele todo de negro

Emplumado

Alado

Com suas fortes garra

Sublime se agarra

A espreita do que

O estúpido rejeita



Um morto

Um cadáver

De mau cheiro



Que a ele lhe é perfume

Odor incólume apetecedor



Decola de sua paciência

Soberana com insistência

Enfim...



Sublime pousa

Sobre a carcaça de um morto

Que não sou eu

Que não serei eu

Este que jaz à sarjeta

Será a garantia da força

De amanhã estar

A sobrevoar

A pousar

A espreitar em paciência



Consumir o que é rejeitado

O que não tem bom cheiro

Ser ele o herói que voa

Sublime

Sábio

Sereno



Levado pelas correntes

Do ar ascendente



Sem esforço, voa!

Sem esforço, não mata!

Com esforço, vive!



Porém tranquilo

No cimo de seu outeiro

No alto do sobrevoo

Na tranquilidade do pouso
👁️ 452

É assim que te vejo

Sinto-me à vontade diante do branco

Em posse da pena e tinta

E da outra que sinto, por mim mesmo

Do medo e acanhamento em dizer-te

Sobre o que sinto e vejo



Não enrubesço, não demonstro

E nem também disfarço-me

E tampouco esforço-me



Um dia entrego-te estes e outros

Os diversos versos que te dedico

O reverso do que oculto

E o amor que quero e ainda não sinto



Se não gostasse de escrever

Tudo seria mais simples

Fácil e objetivo, mas não tenho objetivos,

Pretensões, vontades vãs e vis



Só espero nunca ser óbvio

E nem mistério

Ser amigo sempre

Simples, sincero



Beijar-te primeiro as mãos

E inevitavelmente tudo o mais

Que me permitires, que quiseres



Simples seria olhar-te

E dizer como és talvez a mais bela

Como és talvez quem eu queira de fato

Como és talvez de quem não quero talvez



Simples sim, seria ser simples

E conseguir dizer-te o que quero

Que é só fazer com que saiba

O quanto és admirada,

Querida, desejada.



Não simplesmente só bonita

Porque se fosse apenas isso,

A mim seria apenas mais uma qualquer...
👁️ 561

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
Martiniano
Martiniano
2020-04-30

Este (desejo primeiro) é um texto do poeta Victor Hugo.