Lista de Poemas
labor ou ofício
se fosse poeta por ofício
escreveria ofícios e despachos
ou outra coisa que não precisasse escrever
se tivesse por labor ser poeta
com certeza faria versos
livres de qualquer compromisso
eu e eles!
Senha
Eu resto
Contendo um apelo
Anexo ao pedido
Meus restos, sobras e raspas
Uns versos não meus
Conservo entre aspas
Dos meus cacos afiados
No esmeril chamado vida
Que arde e queima a ferida
Entrego meus restos de versos
Sentimentos reversos de apreço
Sem preço te vendo
Sem posse te dou-me
Me junta
Reconstrói
Cata-me, eu que sou resto
De tudo que sobrou
E que presto
Presto, veloz me faço teu
Querendo ser eu resto todo inteiro
Do que sou te me dou
Resto que sou
Beijo verso
Que em ti chegue tão forte quanto o toque de teus lábios
Despertando em mim o silêncio do verso perfeito.
Não saia voando
Espuma do mar
Que tanto faz se insinuantes ou não . . .
"o tolo do Orfeu" é uma citação de um poema de Flá Perez :
Ophelia, a orquídea de Antonia
A novidade
Trajada de deusa Afrodite
Ou mortal Psique.
Quero a novidade de novo
Que a velha do ontem
é antiguidade de hoje
A novidade de tudo novo
Nova mente
De tudo de novo
Novo de ovo
Botado, chocado
A grande novidade
é velha de novo
é nova de velha
E ideal de ser inédita
A novidade,
Nada mais!
Querer tudo
Velho novo.
Olhar-te
Não cria em mim só excitação carnal.
É vontade de olhar-te novamente.
E olhar-te
Para não sentir desejo de posse.
E olhar-te até que percas o sentido
E deixes de ser humana, mulher e seja apenas maravilha.
E olhar-te
Até cegar-me para não poder
Olhar-te
Novamente.
Sentir-te somente.
Olhar-te é mistério.
Deixo de ser humano
E sinto apenas.
Um prazer,
Um bem
estar,
Um êxtase indescritível!
Parecido com frio na espinha, na barriga.
Parecido com um tremor.
Parecido com o que dizem ser amor.
Pedreiro ou poeta?
Construindo um muro
Meu labor não tem hora
Nem resulta em obra
Não me sinto artista
Nem construtor ou poeta
Ajeitando palavras e rimas
Uma em cima da outra
Como se fossem tijolos
Unidos por argamassa
Produzindo um muro
Duro
Em pé!
Sou um reles engenheiro
Que inspira poesia
Respira sentimento
Inspira ar
Respira ar
Lê o que gosta
Escreve o que não gosta
Recuso-me ser
Recuso-me agir
Recuso-me não sentir
Ajeito sentimentos
Por entre as palavras
Deito pela boca o excremento verbal
Mas o desenho em letras e
Fodam-se métrica e rima
Estrofes e versos
Chuto tudo e arrebento
Esta estúpida poesia
Construída como muro.
Comentários (1)
Este (desejo primeiro) é um texto do poeta Victor Hugo.
Minha biografia
Será um livro de capa dura,
Dura de abrir.
Para que ninguém tenha vontade de ler
As folhas todas em branco
As páginas numeradas
De acordo com os anos de vida
Nelas escrito nada
Quem quiser saber-me
Leia-me!
E não minha vida contada.
Não terá utilidade,
Só matar curiosidade.
Não sou santo de ninguém
Não faço bem a todo o mundo
Não quero bem a quem me quer mal
Vivo insatisfeito com o exterior
Plenamente confuso em olhar
Inconformado com os valores alheios
Imperfeito sujeito
Predicando sem verbo
Transitando na indecisão
De ser ou não ser
Seja lá o que quer que seja.
Umas dúvidas não tenho.
Eu sou eu e pretendo ser mesmo,
E não sou Deus!
Melhor!
Minha biografia terá um nome
“Sinto muito”
Sem páginas em branco
Uma única escrita
Dito isto:
“Vivi por que não quis existir.
Quem existe é Deus
O que fiz de bom não fui eu
O amor que dei não era meu
O que falei de bom não era meu
Fiz o que quis sempre (escrever)
Tive o que me dei
Quando fui eu mesmo
Deixando de lado o querer entender
O significado ou sentido da vida.
Nada disso existe.
Não me entreguei à sorte
Do desejo, do saber, do conhecer.
Senti muito, demais, coisas ruins e boas.
E tive vida em meu ápice.
Entender-me com Deus”
Mas por enquanto sou vivo
E essa é biografia nenhuma.
Sim ficção criada,
Pelo personagem que ainda sou
E só terei vida vivida depois de morrida.
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