Escritas

Clarice

Guilherme Coutinho
Primeira



Mesmo que tente

Não serei capaz

Entender o que quiseste

Nem em esforço

Saberia jamais



Entendo

Não é preciso entender

Sinto demais

E sentir o que foi dito

É muito além de entendimento



Quero nunca entender

Cessará o sentir

O sentido

A partilha

A novidade

A beleza



Que é só tua

De corpo e rosto

De frente e verso

De fase de lua

Regendo a maré

Do sentimento

Que vai muito além

Das linhas e entrelinhas



Segunda



Paixões

Desmedidas indesejadas

Ardem, brasas infernais

Quando pela razão

Deveriam ter

Simplesmente sabor



A carne

A bela

A confusa

São dor.



Paixões

Desmedidas e desejadas

Queimam, fogo celestial

Quando pela razão

Deveriam ser

Simplesmente êxtase



A poetisa

A musa

São nirvana.



Paixões

Doem

Aliviam

Enriquecem

Empobrecem



Paixões

São infelizes

São felizes



Introspecto...



Paixão desmedida,

Prazer de ferida

Alegria de dor

Paixões

São uma.

Você todo dia,

Única!

E sempre a mesma novidade.



Terceira



Não há palavra

Para o que quero

Eu

Espero

Uma Língua

Que tenha

Outra coisa

Que não seja somente

Palavra que defina

Ou de nome

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