Lista de Poemas
Míssil
Míssil teleguiado
Pelo desgoverno absoluto
Do descontrole
Do pensamento
Que explode
Quando se chocam
Ponta de caneta
Folha de caderno
Absurda explosão
Estúpida resolução
Destroços
Destroços estes
São estes mesmos
Estes versos
O homem atrás do bigode
um verso do "Poema de sete faces"(Carlos Drummond de Andrade)
O verso
Que desejo de posse.
Que verso esse?
Brilhante sonoro
Um gozo sentido
Que tanto o adoro?
Tanto o verso
Tanto o gozo
Só não quero
Ser esse homem
Sério, forte e simples
Que tem bigode
E quatro olhos
Se fossem...
Ele eu,
O verso meu,
Seria é esconder
De si
De mim
De todos
Verso este
Queria-o meu,
Não posso
Gosto dele
Onde está
Muito dele,
Quem o escreveu.
Graças a Deus
Bigode e óculos e verso
Não são meus
O verso...
Que pena.
Mas rendeu
Esse dedicado poema.
O bigode
Detesto bigode
Não tenho um
Para não ter que ficar atrás dele
Penso eu que esse homem
Não tem bigode nenhum
É o bigode que o tem
De tão enorme que é.
E o coitado nem sabe
Que lá está
E nem que não é de si mesmo
Ele é do bigode!
Pode?
O bigode e os óculos
Vou fugir do tema proposto
Fazer tudo ao meu gosto
Sabe quem esta história me lembra?
O homem de bigode e óculos
Agora tem nariz e sobrancelhas.
Lembraram-me do Groucho
Que de rir me deixa frouxo
Como este verso
Que nem se quer me deixou ler o poema inteiro...
Grávida
Andar de esperança
Que sejam minhas
Tu e a bela criança.
Rebento vindouro
Surgido de momento
Dum grande estouro
De vultoso sentimento
Cuidado em ter-te
Agora, resta-me espera.
Agrado-me ao ver-te
Como flor em primavera
Surge nova formada
Teu corpo em frente e verso.
A traseira transformada
Meu olhar, nunca disperso.
Estarei contigo, presente.
Barriguda, de seios inchados.
Como mãe, meu ser não sente.
Dedicação e amor doados.
Seremos por hoje apenas
Uma família simples de dois
De almas não pequenas
Para ser de três depois.
Noturno Op 9 Nº2
Alma ímpia
Adormecida
Sentido o corpo
Suave em pena
Pluma
Apruma
Quase dorme
Quase criança
Somem em vagar
Pensamentos libertos
Corpo distante de si
Alma presente
Dor ausente
Espírito adormece
Mente esquece
Não mente
Sim, minha amada
Vou sonhar-te agora
Do avesso
Porque o que sou
Não pode ser visto
É desagradável, indesejável
Então me dou as próprias costas
Rasgo-me pela testa
Meto-me neste corte adentro
E mais um esforço
E estou pronto
Todo direitinho
Do jeitinho que querem ver
Comportadinho e direitinho
Mas por dentro mesmo
Todo do avesso
Avesso a tudo
Avesso ao direito
Avesso às normas
Avesso sempre
Vivo do avesso
Só assim vivo direito
Quer saber?
Vire-me do avesso
Que verás a mesma coisa.
Heteronímia
Mas não é minha,
Nem a alma e nem a ideia,
E não tenho inteligência para isso.
Quero ser eu mesmo
E imitar quem leio
Talvez nem queira ser nem ler
E muito não imitar.
Gostar apenas,
Intransitivamente.
Não vou repartir-me
Nem comigo mesmo
Não quero reinventar-me,
Vai que dê errado
E resulte num assombro.
Isto é um assombro,
Ser eu mesmo comigo mesmo
Aguentando-me sozinho.
Um pseudônimo,
Talvez necessário.
Um disfarce de mim
Só com um nome
Para esconder meu nome,
Mas não quem sou.
Só de pensar nisso
Já me esqueci do meu.
Do pseudônimo ou do nome próprio?
Já nem sei mais,
Confundi-me completamente.
às vezes quero ser o outro
E não outro de dentro de mim mesmo
Com outro nome
Ou com um nome
Que não é meu
E nem é de ninguém.
Melhor se anônimo!
Socorro!
Não sei quem sou
Nem meu nome
Nem se sou heterônimo
Nem se homônimo de alguém
Ou se o pseudônimo será meu próprio nome
E meu heterônimo eu mesmo do avesso
Contradizendo-me o tempo todo
Sem mudar nome, sem mudar pessoa.
Comentários (1)
Este (desejo primeiro) é um texto do poeta Victor Hugo.
Minha biografia
Será um livro de capa dura,
Dura de abrir.
Para que ninguém tenha vontade de ler
As folhas todas em branco
As páginas numeradas
De acordo com os anos de vida
Nelas escrito nada
Quem quiser saber-me
Leia-me!
E não minha vida contada.
Não terá utilidade,
Só matar curiosidade.
Não sou santo de ninguém
Não faço bem a todo o mundo
Não quero bem a quem me quer mal
Vivo insatisfeito com o exterior
Plenamente confuso em olhar
Inconformado com os valores alheios
Imperfeito sujeito
Predicando sem verbo
Transitando na indecisão
De ser ou não ser
Seja lá o que quer que seja.
Umas dúvidas não tenho.
Eu sou eu e pretendo ser mesmo,
E não sou Deus!
Melhor!
Minha biografia terá um nome
“Sinto muito”
Sem páginas em branco
Uma única escrita
Dito isto:
“Vivi por que não quis existir.
Quem existe é Deus
O que fiz de bom não fui eu
O amor que dei não era meu
O que falei de bom não era meu
Fiz o que quis sempre (escrever)
Tive o que me dei
Quando fui eu mesmo
Deixando de lado o querer entender
O significado ou sentido da vida.
Nada disso existe.
Não me entreguei à sorte
Do desejo, do saber, do conhecer.
Senti muito, demais, coisas ruins e boas.
E tive vida em meu ápice.
Entender-me com Deus”
Mas por enquanto sou vivo
E essa é biografia nenhuma.
Sim ficção criada,
Pelo personagem que ainda sou
E só terei vida vivida depois de morrida.
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