Escritas

Lista de Poemas

Míssil

Eu,

Míssil teleguiado

Pelo desgoverno absoluto

Do descontrole

Do pensamento



Que explode

Quando se chocam

Ponta de caneta

Folha de caderno



Absurda explosão

Estúpida resolução

Destroços

Destroços estes

São estes mesmos

Estes versos
👁️ 544

O homem atrás do bigode

um verso do "Poema de sete faces"(Carlos Drummond de Andrade)

O verso

Que desejo de posse.
Que verso esse?
Brilhante sonoro
Um gozo sentido
Que tanto o adoro?

Tanto o verso
Tanto o gozo
Só não quero
Ser esse homem
Sério, forte e simples
Que tem bigode
E quatro olhos

Se fossem...
Ele eu,
O verso meu,
Seria é esconder
De si
De mim
De todos

Verso este
Queria-o meu,
Não posso
Gosto dele
Onde está
Muito dele,
Quem o escreveu.

Graças a Deus
Bigode e óculos e verso
Não são meus

O verso...
Que pena.
Mas rendeu
Esse dedicado poema.

O bigode

Detesto bigode
Não tenho um
Para não ter que ficar atrás dele
Penso eu que esse homem
Não tem bigode nenhum
É o bigode que o tem
De tão enorme que é.
E o coitado nem sabe
Que lá está
E nem que não é de si mesmo

Ele é do bigode!
Pode?

O bigode e os óculos

Vou fugir do tema proposto
Fazer tudo ao meu gosto
Sabe quem esta história me lembra?
O homem de bigode e óculos
Agora tem nariz e sobrancelhas.
Lembraram-me do Groucho
Que de rir me deixa frouxo
Como este verso
Que nem se quer me deixou ler o poema inteiro...

👁️ 1 324

Grávida

Vejo-te e caminhas

Andar de esperança

Que sejam minhas

Tu e a bela criança.



Rebento vindouro

Surgido de momento

Dum grande estouro

De vultoso sentimento



Cuidado em ter-te

Agora, resta-me espera.

Agrado-me ao ver-te

Como flor em primavera



Surge nova formada

Teu corpo em frente e verso.

A traseira transformada

Meu olhar, nunca disperso.



Estarei contigo, presente.

Barriguda, de seios inchados.

Como mãe, meu ser não sente.

Dedicação e amor doados.



Seremos por hoje apenas

Uma família simples de dois

De almas não pequenas

Para ser de três depois.
👁️ 607

Noturno Op 9 Nº2

Consciência limpa

Alma ímpia

Adormecida

Sentido o corpo

Suave em pena

Pluma

Apruma

Quase dorme

Quase criança



Somem em vagar

Pensamentos libertos

Corpo distante de si

Alma presente

Dor ausente

Espírito adormece

Mente esquece

Não mente



Sim, minha amada

Vou sonhar-te agora
👁️ 433

Do avesso

Eu existo é pelo avesso
Porque o que sou
Não pode ser visto
É desagradável, indesejável

Então me dou as próprias costas
Rasgo-me pela testa
Meto-me neste corte adentro
E mais um esforço
E estou pronto
Todo direitinho
Do jeitinho que querem ver
Comportadinho e direitinho

Mas por dentro mesmo
Todo do avesso

Avesso a tudo
Avesso ao direito
Avesso às normas
Avesso sempre

Vivo do avesso
Só assim vivo direito

Quer saber?
Vire-me do avesso
Que verás a mesma coisa.

👁️ 568

Heteronímia

A ideia de heterônimos seduz-me até a alma.
Mas não é minha,
Nem a alma e nem a ideia,
E não tenho inteligência para isso.

Quero ser eu mesmo
E imitar quem leio
Talvez nem queira ser nem ler
E muito não imitar.
Gostar apenas,
Intransitivamente.

Não vou repartir-me
Nem comigo mesmo
Não quero reinventar-me,
Vai que dê errado
E resulte num assombro.

Isto é um assombro,
Ser eu mesmo comigo mesmo
Aguentando-me sozinho.

Um pseudônimo,
Talvez necessário.
Um disfarce de mim
Só com um nome
Para esconder meu nome,
Mas não quem sou.

Só de pensar nisso
Já me esqueci do meu.
Do pseudônimo ou do nome próprio?
Já nem sei mais,
Confundi-me completamente.

às vezes quero ser o outro
E não outro de dentro de mim mesmo
Com outro nome
Ou com um nome
Que não é meu
E nem é de ninguém.
Melhor se anônimo!

Socorro!

Não sei quem sou
Nem meu nome
Nem se sou heterônimo
Nem se homônimo de alguém
Ou se o pseudônimo será meu próprio nome
E meu heterônimo eu mesmo do avesso
Contradizendo-me o tempo todo
Sem mudar nome, sem mudar pessoa.
👁️ 584

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
Martiniano
Martiniano
2020-04-30

Este (desejo primeiro) é um texto do poeta Victor Hugo.