Escritas

Biografia

Ás vezes escrevo um pouco

Lista de Poemas

Total de poemas: 56 Página 6 de 6

A prisão que liberta

Vê-me aqui novamente
a desfilar sobre as circustâncias?
a escrita soma á minha vida
certo aroma ás essências

aroma esse que eleva
traz a lua e me deixa mirando as estrelas
durante as máximas de linhas e pontos
difere alguma ou são as mesmas?

cada livro é um abismo
cada capítulo uma danação
em cada frase eu afundo
e em cada letra há uma renovação

não me fio a um objetivo
nem espero algum final
minha anatomia me define
casca de um humano
sobre a carne de um animal

a realidade me cansa
há muitas pessoas por aqui
nessa ilusão eu me prendi
e a chave eu perdi

celas com barras de metal
vejo entre elas
cabeças baixas
corpos moribundos
passos sem direção
olhares de olhos fundos

deixe-me aqui
observando o cotidiano
dentro de mim ainda sou jovem
lá fora envelheço 
décadas a cada ano

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Poesia do século passado

Sinto algo no vento
Há uma falha perversa
Sinto nessas atitudes
E nesses momentos
personagem que regressa
o sinto por não sentir
leve neblina que desceu 
á altura dos olhos está
está sim, o percebo ferir
regressa pois não morreu

distante me encontro de todos
vês o horizonte? lá estou
ameaçando essas barreiras
sou assim desde moço
memórias que um dia perdi
relembro onde tudo começou
por pensar dessa maneira
afundo em meu poço
mas que ainda estão aqui
jamais sairei desse calabouço
 

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Diamante

Em qual estrada perdi-me, eu andarilho
a terra passa por mim como se de vento eu fosse
e se não fosse
apenas eu a ir nesse trilho
e nessas vias lotadas de olhares vãos

o diamante é único pois não morre
o amor é duro, pois sofre
a vida é falha, porque não és meu diamante
a brilhar na ida incessante,
na indefinida volta.
talvez a ida seja apenas o retorno
lapidei na calada da noite
onde meus olhos viam teu vulto
a se mover em meio ao ambiente escuro

quisera que não houvesse volta
se minha ida for a teus braços
quisera ser apenas um ponto
perdido em seus espaços

minha vida em uma outra existência
baseada no fruto da obediência
em minha ciência há tantos versos
refrões inteiros mas desconexos

quisera não haver despedida
se minha ida
a deixar entristecida

quisera não haver paz
se na lápide que aqui jaz
morreu um soldado sem lutar
faleceu de tanto te amar

quisera poder te ver
ao longe a certeza de ser
aquela boca a tremer
e dizer
que saudade sinto de você

quisera ser o luar
te iluminar
fazer sua noite brilhar
e da umidade do meu chorar
te beijar as faces
com o orvalho que a manhã traz

quisera poder acordar
virar para o lado e pensar
que lindo anjo a sonhar
até em teus sonhos irei te guardar

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Louco infeliz

Não é sobre a futilidade
Nem a inutilidade
É sobre sentir a vida
Tal qual o mundo não permite

Não é sobre fugir
Nem sobre esquecer
É sobre ir para poder voltar
É sobre olhar para o mundo
Que há depois do entardecer

Não é se apequenar
Não é se iludir
Em quais estradas ocultas o demônio há de vir?

Não é sobre olhar para baixo
É sobre olhar para cima
Perceber a imensidão sem cor
E o chão firme no qual pisas

Não é sobre viver uma vida falsa
É sobre viver tão intensamente
Que ser verdadeira ou falsa não faça diferença

Pessoas sãs morrem infelizes
Cheias de arrependimentos
Os loucos vivem tranquilos
E morrerão sorrindo

Só eu é que fui amaldiçoado
Sou um louco que morrerá infeliz

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A impossibilidade

Eu não sei como sobreviver a isso
Os dias se arrastam nessa impossibilidade

A impossibilidade 
De viver
De ser
De sobreviver
Sem viver
Sem ser

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Sobre a falta

Convivências e namoros
amores e paixões
falta algum apreço ás sensações

essa falta de sentido me despiu
me deixou sem nada
dentre os miseráveis sou talvez
o que menos lutou pelos seus bens

me falta algo
algo que eu tinha
tenho certeza que tinha
e agora sinto a ausência
do que deveria estar aqui
uma lufada a mais de sensações
entre essas perdas me perdi

perdido estou a muito tempo
não sei onde me encontrar
meu navio viaja dia e noite
sem ter lugar para voltar

muito tempo se passou
desde a última vez
em que vivi

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