Lista de Poemas
Brancura as cabelos e mofo nas paredes
Quem sabe essas lembranças irão se pôr com o sol de amanhã
quem sabe essas meias verdades se tornem inteiras de algum modo
e esse chão colha somente as folhas da amizade e perseverança
quem sabe esse tempo dê algo a mais do que somente brancura aos cabelos e mofo nas paredes
quem sabe esse horror tenha seu fim mais breve do que esperado
e eu que tantas vezes me vi calado
esperando o momento de dizer
sempre observando os passantes
observando sem ser observado
nesse momento em que chove
chove? pois não ouço
sim. chove, mas não aqui
mas em algum lugar chove
há sempre sol em algum lugar
sempre chuva em algum lugar
onde, então, há alguém?
onde há pessoas que lembrem?
há, em algum lugar, uma morada
feita de tijolos, um sob o outro
com uma porta grande e pesada
que se encontra muito longe nessa entrada
estrada essa serpenteia pelos vales da alma
e sai na floresta da solidão
uma após a outra, as árvores vão
uma após a outra, nessa ida é tudo vão
tudo é dúvida e desencontro
tudo que construo, logo desmonto
e nessas idas e vindas da alma
estou sempre entre essa e a outra
a sensação de que tudo é falso
por dentro
a vida triste e cruel
por fora
A escuridão me atacou
Hoje a escuridão me atacou
Refletiu-me a luz da lua
Em sua presença me desfaço
Como se minha alma já fosse sua
Quanto mais luzes acendo aqui embaixo
Menos eu vejo as lá de cima
Tanto me acostumei com a noite
Ajo como se ela já fosse minha
Procurei luas no meu horizonte
Somente estrelas vieram até mim
Foi assim no início
E será assim até o fim
O problema é essa intensidade no ar
Ventos que levam o que não consigo ver
As estrelas me mostram meu futuro
Mas estou longe demais para ver
Hoje a solidão me achou
Não sei se é certo ou errado
Sei que minha vida é bobagem, é nada
Perto desse céu estrelado
Pontos brilhantes ao longe
Derramam em mim seu olhar
Olham minha amada também
Aquela que nunca deixei de amar
O que mais vou querer?
A mesma lua que me cuida, a cuida também
O mesmo sol que me aquece, aquece ela também
O cotidiano é duro e pegajoso
Meu único consolo é o luar
Minhas mãos frias tremem
Quando lembro daquele olhar
Imensidão castanha onde me perdi
Jamais vou me encontrar
Para que objetivos na vida?
Para que sonhos a alcançar?
Minha vida está em suas mãos
Meu sonho é ao seu lado ficar
Sonho esse
Somente sonho será
Sonhos são ilusões lindas
Nunca acontecerá
Das folhas à raiz
há lembranças, memórias
opiniões perigosas
que melhor ficam
aprisionadas
túmulo das ideias
nunca reveladas
há no solo de terra escura
entre as folhas algumas gravuras
os traços mudam com os ventos
eterno epitáfio desses sentimentos
bem no fundo do baú há uma carta lacrada
palavras que não posso dizer em voz alta
contam da minha alma o que se perdeu
frases tão confusas quanto eu
contorno as palavras para poder dizer
aquilo que não deixo ninguém ver
escondo nos versos sem sentido
a dor que guardarei sempre comigo
as várias facetas da obra são necessárias
o mundo inteiro é pura interpretação
dentro da pele escondo muitas marcas
usada para revestir o próprio artesão
nunca ninguém entendeu
morrerei uma incógnita
dentre todas as geleiras
fui sempre a mais sólida
não se preocupe
nem peça perdão
pois nem mesmo eu
entendi de antemão
além fui há muito
nada tenho de meu
minha alma é escura
no coração somente breu
meu chão vibra com essas ideias
me fortalece e me mantém vivo
sou assim das folhas à raiz
mesmo que não faça nenhum sentido
Poesia do século passado
Sinto algo no vento
Há uma falha perversa
Sinto nessas atitudes
E nesses momentos
personagem que regressa
o sinto por não sentir
leve neblina que desceu
á altura dos olhos está
está sim, o percebo ferir
regressa pois não morreu
distante me encontro de todos
vês o horizonte? lá estou
ameaçando essas barreiras
sou assim desde moço
memórias que um dia perdi
relembro onde tudo começou
por pensar dessa maneira
afundo em meu poço
mas que ainda estão aqui
jamais sairei desse calabouço
A prisão que liberta
Vê-me aqui novamente
a desfilar sobre as circustâncias?
a escrita soma á minha vida
certo aroma ás essências
aroma esse que eleva
traz a lua e me deixa mirando as estrelas
durante as máximas de linhas e pontos
difere alguma ou são as mesmas?
cada livro é um abismo
cada capítulo uma danação
em cada frase eu afundo
e em cada letra há uma renovação
não me fio a um objetivo
nem espero algum final
minha anatomia me define
casca de um humano
sobre a carne de um animal
a realidade me cansa
há muitas pessoas por aqui
nessa ilusão eu me prendi
e a chave eu perdi
celas com barras de metal
vejo entre elas
cabeças baixas
corpos moribundos
passos sem direção
olhares de olhos fundos
deixe-me aqui
observando o cotidiano
dentro de mim ainda sou jovem
lá fora envelheço
décadas a cada ano
Diamante
Em qual estrada perdi-me, eu andarilho
a terra passa por mim como se de vento eu fosse
e se não fosse
apenas eu a ir nesse trilho
e nessas vias lotadas de olhares vãos
o diamante é único pois não morre
o amor é duro, pois sofre
a vida é falha, porque não és meu diamante
a brilhar na ida incessante,
na indefinida volta.
talvez a ida seja apenas o retorno
lapidei na calada da noite
onde meus olhos viam teu vulto
a se mover em meio ao ambiente escuro
quisera que não houvesse volta
se minha ida for a teus braços
quisera ser apenas um ponto
perdido em seus espaços
minha vida em uma outra existência
baseada no fruto da obediência
em minha ciência há tantos versos
refrões inteiros mas desconexos
quisera não haver despedida
se minha ida
a deixar entristecida
quisera não haver paz
se na lápide que aqui jaz
morreu um soldado sem lutar
faleceu de tanto te amar
quisera poder te ver
ao longe a certeza de ser
aquela boca a tremer
e dizer
que saudade sinto de você
quisera ser o luar
te iluminar
fazer sua noite brilhar
e da umidade do meu chorar
te beijar as faces
com o orvalho que a manhã traz
quisera poder acordar
virar para o lado e pensar
que lindo anjo a sonhar
até em teus sonhos irei te guardar
A impossibilidade
Eu não sei como sobreviver a isso
Os dias se arrastam nessa impossibilidade
A impossibilidade
De viver
De ser
De sobreviver
Sem viver
Sem ser
Louco infeliz
Não é sobre a futilidade
Nem a inutilidade
É sobre sentir a vida
Tal qual o mundo não permite
Não é sobre fugir
Nem sobre esquecer
É sobre ir para poder voltar
É sobre olhar para o mundo
Que há depois do entardecer
Não é se apequenar
Não é se iludir
Em quais estradas ocultas o demônio há de vir?
Não é sobre olhar para baixo
É sobre olhar para cima
Perceber a imensidão sem cor
E o chão firme no qual pisas
Não é sobre viver uma vida falsa
É sobre viver tão intensamente
Que ser verdadeira ou falsa não faça diferença
Pessoas sãs morrem infelizes
Cheias de arrependimentos
Os loucos vivem tranquilos
E morrerão sorrindo
Só eu é que fui amaldiçoado
Sou um louco que morrerá infeliz
Sobre a falta
Convivências e namoros
amores e paixões
falta algum apreço ás sensações
essa falta de sentido me despiu
me deixou sem nada
dentre os miseráveis sou talvez
o que menos lutou pelos seus bens
me falta algo
algo que eu tinha
tenho certeza que tinha
e agora sinto a ausência
do que deveria estar aqui
uma lufada a mais de sensações
entre essas perdas me perdi
perdido estou a muito tempo
não sei onde me encontrar
meu navio viaja dia e noite
sem ter lugar para voltar
muito tempo se passou
desde a última vez
em que vivi
Comentários (0)
NoComments