Lista de Poemas
Noite
Não me desperte desse sono
Durmo sem hora pra acordar
As horas passam preguiçosas
Meu sonhos seguem eternos
Sem ter hora para parar
Minhas noites são eternas
É sempre noite para quem dorme
Em meu sonhos sou um rei, um deus
Um viajante sem ter onde ir
Ó noite sem lua e sem estrelas
A me velar por horas e horas
Dentre as deusas tu és a mais bela
Suas tranças balançam com o vento
Fique! Não quero que vás embora
Colhi flores no seu jardim
a imensidão sem fim
milhões de flores que colhi em seu jardim
perdi todas
hoje apenas convivo com a perda
e com o leve aroma da flor
ou será somente a lembrança
a pregar peças com a minha dor?
não sei mais
não digo mais o certo
pois minha certeza eram suas mãos
que me seguravam na escuridão
não me deixavam cair
na mais doce tentação
estou sempre de prontidão
elas se foram
deixando com elas a lembrança do toque
suave carícia da noite
como se fosse o vento
eu costumava jogar minhas palavras ao vento
seja ele quente ou frio
eu costumava brincar com o tempo
dizer amanhã ou depois
dizer ontem ou antes até
o tempo e o vento me acompanham
O mais vazio
O problema é o pedaço que você deixou
dentre eles, o mais vazio
e o tanto que ficou, onde está?
nas águas de um silêncio frio
a sinceridade corrói
aos poucos deixa oco
e o vazio das noites
aos poucos me deixou louco
A escuridão me atacou
Hoje a escuridão me atacou
Refletiu-me a luz da lua
Em sua presença me desfaço
Como se minha alma já fosse sua
Quanto mais luzes acendo aqui embaixo
Menos eu vejo as lá de cima
Tanto me acostumei com a noite
Ajo como se ela já fosse minha
Procurei luas no meu horizonte
Somente estrelas vieram até mim
Foi assim no início
E será assim até o fim
O problema é essa intensidade no ar
Ventos que levam o que não consigo ver
As estrelas me mostram meu futuro
Mas estou longe demais para ver
Hoje a solidão me achou
Não sei se é certo ou errado
Sei que minha vida é bobagem, é nada
Perto desse céu estrelado
Pontos brilhantes ao longe
Derramam em mim seu olhar
Olham minha amada também
Aquela que nunca deixei de amar
O que mais vou querer?
A mesma lua que me cuida, a cuida também
O mesmo sol que me aquece, aquece ela também
O cotidiano é duro e pegajoso
Meu único consolo é o luar
Minhas mãos frias tremem
Quando lembro daquele olhar
Imensidão castanha onde me perdi
Jamais vou me encontrar
Para que objetivos na vida?
Para que sonhos a alcançar?
Minha vida está em suas mãos
Meu sonho é ao seu lado ficar
Sonho esse
Somente sonho será
Sonhos são ilusões lindas
Nunca acontecerá
Antigamente eu era eterno
No meu ser há um paraíso
Forjado a punho somente
Martelo e cinzel
De meu próprio inimigo
No meu ser há um abismo
Cavado com angústias
E quase no fundo me vejo
Eternamente
Subindo
É tudo falso
Não me sinto bem hoje
Há uma inquietação sob meus pés
Alguma noção trágica e sem sentido
Resquícios do que não está mais aqui
Sempre me surpreendo assim
Sentindo a presença do que já se foi
Como a dor de um membro já amputado
Como a dor de uma ferida cicatrizada
Sinto uma tristeza intensa
Uma constante falta de sentido nas coisas
Até em mim
Principalmente em mim
Me sobe um calafrio
Algo não está certo
Penso que deveria contar a alguém
Mas todos já sabem
Qual a diferença entre mim e eles?
Eu não consigo ignorar esse círculo vermelho
Que fica no canto das telas
Não consigo ignorar essa sensação
De que tudo é falso
Tudo isso é uma mentira
Não passamos de personagens de uma comédia sem graça
Confissão de uma alma fria
Não me surpreendo com esse cansaço matinal
Nem com o frio que me invade os pulmões nas noites frias
Não espero nada diferente do normal
Não rezo por um milagre em minha vida
Não me surpreende o vazio dessa existência
Nem o vão entre cada palavra
O desgosto invade cada experiência
O desafeto está às margens da estrada
O vento canta com as decepções do dia a dia
Sonhos se perdem no emaranhado da minha agonia
Lá estava eu destinado a grandeza
Indo de encontro a felicidade
Mas escolhi os dias amargos
Escolhi o fardo implacável
Escolhi o peso da eternidade
Apenas mais uma
É uma das partes mais reverenciosas da nossa arte
a inutilidade berra
enquanto a utilidade cala
Até quando as coisas que amamos
precisarão passar por essa rígida seleção
e até quando nosso coração irá suportar
perder todos os dias essa luta
de bater sem parar
num corpo a muito já falecido?
Exatamente nesse momento
É nesse momento
vendo esse verme lhe roendo as entranhas
a poeira social nublando a visão
Sim. É exatamente nesse momento
quando não há ninguém para culpar além de si mesmo
quando você percebe que tinhas esperanças e as jogou fora
teve oportunidades e as deixou passar
é nesse momento
a vulgaridade do cotidiano lhe deixa um gosto ruim na boca
o amargo do café ainda preso nos dentes
toda essa crueldade é real
não pense nem sequer por um momento do contrário
O acaso me encontrou
Hoje o acaso me encontrou
não pediu nada
apenas abriu a porta
e se aproximou
sua presença não me assusta
mas sei o que significa
nada de esperança para mim
nessa vida injusta
trazei todos para assistirem
o espetáculo do momento
medo, choro, raiva e desespero
os acasos que me acometem
esses acasos me encontram
nada tenho do que reclamar
os pesadelos me invadem os dias
tudo está onde deveria estar
o que dizem sobre essa chuva
e sobre os ventos que invadem
em minha alma sempre chove
há sempre poças em meu jardim
os ventos sussuram
somente para os loucos
pobres mentes que adoeceram
para mim já falta pouco
o que aconteceu
molda o cotidiano
vivo somente de lembranças
mas esse sempre foi o plano
não tenho medo de sofrer
intermináveis eras passaram
fui centenas nesse mundo
estou ciente que me condenaram
as paisagens por onde passo
são abundantes em seu florescer
pena não poder assistir
estou rápido demais para ver
pai, não me culpe por minha ausência
bendigo a ti e aos teus atos heróicos
como explicar o que ignoro?
como relatar desconhecendo os fatos?
não é por falhares no passado
falhas pois és humano
a renúncia é um gesto de fé
renuncio a todos aqueles anos
não é por religião
tampouco pelas histórias
te guardo sempre comigo
jamais sairá de minha memória
apenas vejo como tudo isso é falso
o mundo, os homens, as coisas
que por não existirem bastaram
não confio nas pessoas
método triste e sofrido
vivo nesse dilema
de noite sonho com o frio
de dia nada me esquenta
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