Escritas

Biografia

Ás vezes escrevo um pouco

Lista de Poemas

Total de poemas: 56 Página 4 de 6

Sábios de outrora

Se enganam os sábios de outrora
se enganam os boêmios
e os românticos que choram

o tempo é imenso
interminável
e por ser tão grande
nos apresentamos perdidos
sem paradeiro
se perguntando como usar todo esse tempo

que bom se o tempo fosse curto
bom seria ter uma única decisão na vida
um único amor, um único arrependimento

antes uma vida curta e completa, sem devaneios
não há tempo para discutir
que se viva agora
porque logo já anoitece
e o amanhã não virá

mas o amanhã vem e passa
e a vida se enche de espaços vazios
mais valor se dá a algo pequeno

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Um poema

Compor uma prosa
uma música
ou um poema

a prosa é explicativa, traz luz onde havia escuridão
a música embala o coração, é o movimento da paixão
o poema é tudo e nada ao mesmo tempo

a prosa vive enquanto durar a leitura
a música vibra até a última nota
o poema é eterno

ele te acompanha na condução até o trabalho
na ida ao mercado e no estresse no trânsito

ele te envolve nas tuas dores, mas não acalenta
unguento que não cura e água que não sacia

o poema vive mesmo se ninguém o ler
mas você ao ler um poema
nunca mais viverá sem ele

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Sangra sem ferir, fere sem tocar

a solidão surge
em sua própria ausência
sangra sem ferir
por tanto sangrar, seca
e derrama
sem ter onde cair

moinho que se movimenta
sem ser banhado
sumo que derrama
sem ter transbordado
diamante que quebra
por fora está ileso
por dentro está rachado

a solidão mente
sem nada ter dito
mentira tal qual fere
sem tocar
pousa em sua miséria
sem ter onde pousar

mentira é uma cama macia
verdade é solo duro
solidão é chave precisa
tumulto é prisão no escuro

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Escrito nas paredes

As paredes estão sempre ali, todos os dias.
Faça chuva ou faça sol, imperturbáveis.
Quem sabe eu escreva nessas paredes,
Para as palavras viverem e ficarem sempre ali,
Faça chuva ou faça sol, imperturbáveis.
Eu escreveria:

Teus olhos vêem
Aquilo que querem ver
Os dias passam
Te fazem envelhecer

Deixe estar
Os dias vão passar
Seja entre ou através
Te escapando pelas mãos
Ou pelos pés

Uma crença teus dias encerrará
Todos são diferentes
Todos serão iguais
Me fazem ir pra frente
Me farão olhar pra trás

Palavras são apenas
Paredes caladas
Há muito para dizer
Mas não dizem nada

Não escrevo nas paredes
Minhas linhas são perturbadas
Hoje estão sérias
Amanhã já contam piadas

Escrevo em um caderno
Ele acompanha minhas viradas
Quando as linhas acabam
Me apresentam a próxima página

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Em algum lugar

Em algum lugar está
Uma nau distante
Onde o vento arrasta
Um desejo cortante
De nunca estar
Sempre ser

Sempre serei
Navego pelo mar infinito
Observo a crista das ondas
Acordo com um grito
Pois não há nada a temer
Nada há para esconder

Onde vivia
Não constumava acordar gritando
Pois em cada janela
Há alguém escutando

Me sufocava essa tal liberdade
Que todos compartilhavam nessa cidade

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Eu não minto

não é esse o fato

não sou o único que desconhece a felicidade
não sou o único que caminha a esmo pela cidade
não sou o único a detestar o mal do mundo
não sou o único a pensar no absurdo

o fato é

ninguém conhece a felicidade
ninguém sabe onde estará
ninguém concorda com a maldade
ninguém deixou de pensar

a única diferença
é que eu não minto

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Noite

Não me desperte desse sono
Durmo sem hora pra acordar
As horas passam preguiçosas
Meu sonhos seguem eternos
Sem ter hora para parar

Minhas noites são eternas
É sempre noite para quem dorme
Em meu sonhos sou um rei, um deus
Um viajante sem ter onde ir

Ó noite sem lua e sem estrelas
A me velar por horas e horas
Dentre as deusas tu és a mais bela
Suas tranças balançam com o vento
Fique! Não quero que vás embora
 

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Confissão de uma alma fria

Não me surpreendo com esse cansaço matinal
Nem com o frio que me invade os pulmões nas noites frias
Não espero nada diferente do normal
Não rezo por um milagre em minha vida

Não me surpreende o vazio dessa existência
Nem o vão entre cada palavra
O desgosto invade cada experiência
O desafeto está às margens da estrada

O vento canta com as decepções do dia a dia
Sonhos se perdem no emaranhado da minha agonia

Lá estava eu destinado a grandeza
Indo de encontro a felicidade
Mas escolhi os dias amargos
Escolhi o fardo implacável
Escolhi o peso da eternidade

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O acaso me encontrou

Hoje o acaso me encontrou
não pediu nada
apenas abriu a porta
e se aproximou

sua presença não me assusta
mas sei o que significa
nada de esperança para mim
nessa vida injusta

trazei todos para assistirem
o espetáculo do momento
medo, choro, raiva e desespero
os acasos que me acometem

esses acasos me encontram
nada tenho do que reclamar
os pesadelos me invadem os dias
tudo está onde deveria estar

o que dizem sobre essa chuva
e sobre os ventos que invadem
em minha alma sempre chove
há sempre poças em meu jardim

os ventos sussuram
somente para os loucos
pobres mentes que adoeceram
para mim já falta pouco

o que aconteceu
molda o cotidiano
vivo somente de lembranças
mas esse sempre foi o plano

não tenho medo de sofrer
intermináveis eras passaram
fui centenas nesse mundo
estou ciente que me condenaram

as paisagens por onde passo 
são abundantes em seu florescer
pena não poder assistir
estou rápido demais para ver

pai, não me culpe por minha ausência
bendigo a ti e aos teus atos heróicos
como explicar o que ignoro?
como relatar desconhecendo os fatos?

não é por falhares no passado
falhas pois és humano
a renúncia é um gesto de fé
renuncio a todos aqueles anos

não é por religião
tampouco pelas histórias
te guardo sempre comigo
jamais sairá de minha memória

apenas vejo como tudo isso é falso
o mundo, os homens, as coisas
que por não existirem bastaram
não confio nas pessoas

método triste e sofrido
vivo nesse dilema
de noite sonho com o frio
de dia nada me esquenta

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Colhi flores no seu jardim

a imensidão sem fim
milhões de flores que colhi em seu jardim
perdi todas
hoje apenas convivo com a perda
e com o leve aroma da flor
ou será somente a lembrança
a pregar peças com a minha dor?

não sei mais

não digo mais o certo
pois minha certeza eram suas mãos
que me seguravam na escuridão
não me deixavam cair
na mais doce tentação

estou sempre de prontidão

elas se foram
deixando com elas a lembrança do toque
suave carícia da noite
como se fosse o vento

eu costumava jogar minhas palavras ao vento
seja ele quente ou frio
eu costumava brincar com o tempo
dizer amanhã ou depois
dizer ontem ou antes até

o tempo e o vento me acompanham

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