Biografia
Lista de Poemas
Meu unguento
Nunca em minha vida vou poder reparar
essa dor que sua ausência me trás
eis-me aqui a chorar
dessas angústias nunca vou me curar
meus sentidos estão sempre a clamar
meu unguento era o seu olhar
me rasga a pele a realidade em que estou
um mundo áspero e cruel me restou
longe vejo a nascente que me renovou
perdi-me da luz e a escuridão me acometeu
ó sombra que me assiste, você me prometeu
mas dessa guerra fui o único que sobreviveu
Homem menino
como suportar essa realidade?
minha alma toca e fere
como revelar a verdade?
essa sinceridade é falsa
sou um homem crescido
mas um menino ainda vive em mim
os pesadelos da infância
criaram asas e voaram para o futuro
no caminho em frente vejo essas inconstâncias
quisera poder beber da mesma fonte até morrer
do outro lado de onde estou há espadas e lanças
esqueçam a guerra e deixem essa paz viver
Não sou
eu não sou as roupas que uso
nem os pés que me sustentam
não sou esse olhar cansado
nem esses braços
que somente a muito custo se movimentam
não sou a labuta diária
não sou o imóvel em que vivo
nem o carro que dirijo
nem esses pensamentos impuros
que me fazem desde sempre um fugitivo
não sou um homem
mulher tampouco
minhas ideias desconhecem definições
de tanto expandir deixei de ser quem sou
meu coração desconhece essas sensações
na busca sou aquele que nunca se encontrou
percorro em mim essa estrada
permeando por esses becos
há em algum lugar uma morada
feita somente de desejos
sou as pedras que piso por onde passo
sou o único astro que há nesse espaço
sou todas as mentiras que me contam
sou os pesadelos que me assombram
sou pegadas na areia de minha praia
sou quem a mim mesmo maltrata
sou o canto, a poesia e a dança
desepero, medo e esperança
sou os livros que nunca se abriram
os corações que nunca amaram
destinos que nunca se cumpriram
e as sementes que nunca brotaram
A Solidão
Disseram em minha presença certa vez
uma frase escrita por alguém sábio
a solidão não é somente estar só
é estar com pessoas que apesar da presença
não se fazem presentes
é falar com todos e ter todos a lhe ouvir
sem ter ali quem compreenda realmente
é ter muitos em sua companhia
no entanto ninguém que desperte algum interesse
não há como eu passar a ser solitário, pois sempre fui
não me isolo propositalmente
já estou isolado há muito tempo
não há como eu sair daqui
já estou do lado de fora
Removível
Me sinto frágil, fino
substituível
removível
me sinto efêmero
talvez isso passe
um inútil a menos
talvez demore, talvez seja rápido
não preciso de um nome, me chame de fraco
sou o menor da manada
sou muitos e isso é nada
como saber o meu valor
se nunca tive algo valioso?
como saber a verdade
se só mentiras eu ouço?
minha vida se resume a falhas
a momentos momentâneos
conquistas pequenas e mudas
e posses mundanas
Falhamos
Ontem sonhei que o mundo acabou
Não havia destroços nem poeira
Somente a sensação de fracasso
Falhamos
Na única coisa que não poderíamos falhar
Falhamos
Não haveria mais luzes no natal
Falhamos
Não haveria mais a luta pela paz mundial
Falhamos
Não haveria abraços nem sorrisos
Falhamos
Nem curva certa para os caminhos
Falhamos
Não haveriam mais sonhos para alcançar
Não haveria mais a esperança de tudo melhorar
Falhamos
Falhamos
E hoje em dia comemoramos. O que?
Se a nossa mãe mais querida está prestes a morrer?
Incertezas
Não tenho certeza de muitas coisas
apenas de algumas
o amor é aquilo que perdura
a paciência constrói
apesar das incertezas
algo ainda está por aqui
me roubaram as sementes
mesmo assim
o amor nasceu por aí
perdão por esse olhar cansado
na guerra não há horizontes
meus muros se erguem a cada dúvida
durante a tempestade
sequer voltei molhado
o mundo gira ao meu redor
nós giramos juntos
durante todas essas mudanças
boas ou más
fui mudando para melhor
o cotidiano prende minha mente
a atmosfera me sufoca
resolvi mudar de ares
e nessa renovação
descobri o que estava ausente
te adoro em todas as suas formas
essa declaração me encerra
a escuridão é infinita
mas mesmo sendo assim
a luz encontra a Terra
te amo de várias maneiras
destaco as que sequer suponho
a alma que carrego
uma das que estão comigo
não me deixa esquecer tais pontos
sabeis de minhas fraquezas
conheceis todos os meus enganos
tornaste meu arcanjo
me salvaste de todos os infernos
mesmo eu mesmo senjo anjo
me negaram o paraíso
me culparam pelo que não fiz
tenho capacidade para compreender
compreendo a felicidade
mas não sou feliz
a compreensão que me perdoe
mas já passou da hora de ir
tenho pessoas me esperando
não vejo a hora de seguir
meu objetivos são tolos
nada são
se comparo com esse imenso
universo vão
Renascer, reviver, refazer
Quero adentrar profundamente em mim
navegar no rio que corre em minhas veias
enterrar em meu ser eu mesmo
Quero renascer sendo eu novamente
para refazer a vida do início
do início não sinto dor
sinto saudade somente
Pudesse eu refazer certas coisas
reviver certos dias
as escolhas das quais me arrependo
fazer ser em mim quem não sou
Minha alma sonha com ela mesma
escrevo para quem sabe poder me encontrar
estou perdido faz um tempo
e em todo esse tempo em que me procuro
não há sequer um momento que eu não lamente
Lamento por essa hipocrisia
não somente estive sempre aqui
como sempre soube onde ir
minha consciência condena essa heresia
O chão vibra sob nossos pés
os ventos trazem tudo novamente
as pessoas se vão
mas as memórias não
Túmulos do passado
eu queria que todos sentissem a minha dor
mas eis me aqui, apenas eu
não suporto minha própria existência
começo a pensar sério na desistência
meu único amor está no passado
um baú escondido que está trancado
lamento não sentir tanto
meu tempo está se esgotando
esgota e finda
em uma serenidade linda
túmulos do passado
em meu peito repousam
Sussura!
Sussura meu bem, sussurra!
Mas lembre-se
Não há razão para amar
Nosso amor é uma imensa ida
Sem ter pra onde voltar
Sussurra meu amor!
Naveguei por anos e anos
Você é meu mais saudoso porto
Meu barco balança nas ondas da ausência
Me jogue nessas ondas quando eu estiver morto
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