Lista de Poemas
Horas entediadas

As manhãs andarilhas vadiam a bordo
Do tempo, que extraviado revigora um
Lamento tão mandrião…tão assediado
As horas entediadas recobram na marquesa
Deste silêncio absolutamente enfastiado
Remoendo memórias e desejos quase asfixiados
Frederico de Castro
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Rascunhos e rabiscos

Serpenteando entre as sombras da manhã o tempo
Embebeda-se num drink de silêncios espoliados
Qual afago regando um aguaceiro quase extasiado
Entre rascunhos e rabiscos caduca uma hora
Amplificada alimentando subtis ecos avassaladores
Contagiados por este perplexo silêncio tão manipulador
Frederico de Castro
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O que nos resta da solidão

Absolutamente nada! Apenas o silêncio
Deglutido e alimentado pela doideza
De uma escuridão chegando e pousando
Num cacho de emoções cheias de subtilezas
O que nos resta da solidão…
Tudo e aparentemente nada! Talvez a
Incerteza de uma saudade belicosa
Esteio para uma rima insuflada e frondosa
O que nos resta da solidão…
Integralmente tantas palavras escamoteando
O vazio da inspiração que tão gulosa, adocica
Uma estrofe que quis um dia ser apenas prosa
O que nos resta da solidão…
Horrivelmente um hora que fenece desastrosa
Um silêncio incauto perfurando os tímpanos
A cada eco dissolvido numa brisa tão amistosa
Frederico de Castro
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Bioquímica da dopamina

Sem cadastro a noite afaga a melanina
Deste silêncio feito minha dopamina
Oiço-a respirar profundamente tão Intensamente
Dançando na corda bamba assim precipitadamente
Frederico de Castro
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Tempo furtivo

Mudam-se os tempos…permanece a vontade
Manobram-se tantas horas austeras e assertivas
Adocicando e adornando palavras sempre furtivas
Atónita a noite deslumbra-se tão dissertiva deixando
Que o vulto do silêncio se esgueire engolido por
Sílabas carregadas de dopamina…tão emotivas
Já abalroada a solidão desaba amarfanhada
Cavalga na quilha do tempo, até transgredir todas
As maresias vagabundeando além achincalhadas
Vergada a esta escuridão gramaticalmente tresmalhada
Esboroa-se a madrugada despida e espezinhada, até
Confortar esta estrofe atordoada rimando com atoarda
Contra a maré que se espraia além atabalhoada
Depura a noite todos os breus mais enfronhados
Adormecendo inquantificáveis lamentos tão enxovalhados
Frederico de Castro
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Pelos trilhos da noite

No quintal do tempo recreiam-se pequeninas
Sombras apaixonadas actuando no palco das virtudes
Que cortejadas desenham caricias tão bem dissecadas
Pelos trilhos da noite escorre uma escuridão
Sanguinolenta, deixando no hematócrito da solidão
Uma patológica angústia sangrando de emoção
Tecido no ocaso da alma o silêncio desvenda-se
Quase ultrajado, alimentando os preliminares de
Tantas caricias gemendo absolutamente arrojadas
No regaço de cada hora freme um segundo revoltado
Sustém e manipula a vida que saciada e sem artimanhas
Reproduz ávidos ecos que vadiam pelas minhas entranhas
Frederico de Castro
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Sob as garras do tempo

Sob as garras da noite a escuridão espeta
Suas unhas num breu quase defunto
Morre ali juntinho a este lamento tão adjunto
Sob as garras do silêncio uma farta solidão
Escova a memória sempre despenteada
Retendo na alma cada caricia fiel e patenteada
Sob as garras de uma gargalhada alteada
A manhã reverbera numa lassidão ali refastelada
Transfigurando uma lágrima caindo desenfreada
Sob as garras do tempo cada hora imerge falseada
Refina a liberdade que traquina, laqueia as trompas
A esta imensa saudade tão prenhe…tão esfomeada
Frederico de Castro
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A última Bossa

- Para Jão Gilberto
Ao ritmo do romance baila a Garota de Ipanema
Deambula dengosa pelo violão do Gilberto
Suprindo elegantes notas que me deixam boquiaberto
Qual oferenda perfumada dedilhas Samba de uma nota só
Recrias o Corcovado, deixas Desafinado qualquer silêncio e
Com Água de beber se afogam todas as Águas de Março
Com paixão incomensurável a bossa nasceu um dia
Às mãos do João…que com emoção Jobim, Caetano
Roberto e até Sinatra as cantaram de coração
Um cantinho um violão só mesmo nas tuas mãos
Da janela vê-se o Corcovado e até o redentor, ah, decerto
Cristo gostou e aplaudiu todo esse teu jeito tão sedutor
Mais colorida ficou aguarela do Brasil, Coisa mais linda
Nunca vi pois na pele da Rosa Morena bailam Voçê e Eu
Numa manhã de Carnaval orquestrada em todo seu apogeu
Frederico de Castro
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Erosão do tempo

No solo do tempo escalda esta
Solidão quase comburente, até sedimentar
A crosta deste silêncio tão interferente
Erosivo cada lamento dilapida uma emoção
Passageira, deixando nos detritos da saudade
Cada lembrança rugindo com muita cumplicidade
Neste colapso de silêncios muito ecológicos
Desertificam-se ilusões, decompõem-se horas
Que depois tombam no enrocamento de mil paixões
Na laguna da manhã espirra uma maresia esquizofrénica
Desfragmenta-se no areal dos sonhos mais erosivos, até
Deixar uma fissura homogénea neste sorriso tão expansivo
Frederico de Castro
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Hora miraculosa

Hoje a manhã solidificou a solidão que deixa
Impunemente prescrever esta hora vadia, qual
Efémera palavra que pulsa reverente e fugidia
Lágrimas de um lamento incontido abrigam-se
Entre as pálpebras de tantas emoções incontroláveis
Repintando nos painéis do tempo mil ilusões inimagináveis
Deixa cada desejo um rasto de silêncios tão incisivos
Apogeu para minha prosa inspirada numa estrofe invasiva
Capitular ante absurdas rimas que degusto de forma tão dissuasiva
Guardei na gaveta das minhas lembranças, memórias
Deveras tão permissivas, que as saudades, descontroladas
Se esgueiram roçagantes pelo palco de mil caricias desveladas
Frederico de Castro
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