Escritas

Lista de Poemas

Fomos ver o por do sol



- para a Carla

Cada vez mais vazio o dia esfuma-se
Numa hora sempre mui graciosa
Amarinha juntinho ao poente que inebriado
Exala num derradeiro gomo de luz extasiado

Entrelaçada à noite que chega de mansinho
Uma caricia inebriada, trinca um eco embriagado
Seduz a escuridão que graciosa e apaparicada
Desliza docemente neste horizonte tão purificado

Frederico de Castro
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À deriva



Veleja pela manhã uma brisa fragrante
Impregnada em perfumes tão excitados
Entrelaça-se na maresia que carente se
Abraça a este oceano rugindo alentado

À deriva navega a solidão quase aviltada
Plota uma emoção expressivamente colorida
Além donde emanam muitas ilusões acalentadas
Por desejos e caricias furtivamente cogitadas

À deriva deixei a maré rebolar nas areias
Do tempo que fenece desconcertado
Até me abrigar no porto deste silêncio deportado

Sussurra o poente desquitando uma hora que
Antes acasalara um segundo etéreo e debilitado
Afogando-se neste lamento febril e tão emocionado

Frederico de Castro
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Debaixo da ponte



Debaixo da ponte esconde-se o silêncio
Vergado a uma escuridão tão benevolente
Ampara esta maresia perfumada e excedente

Debaixo da ponte vagueia uma maré coincidente
Afoga cada lamento que desamparado colide com
Os pilares do tempo além no oceano encarcerados

Debaixo da ponte a solidão sucumbe, aliciada por uma
Hora em pânico, deixando em calafrios a noite que chega
Vestida com um poente desalmado, quase conformado

Frederico de Castro
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À beira Tejo



- ao Tejo imenso, amado e bem navegado

À beira Tejo repousa uma canoa
Convertida numa caricia comprometida
Estira-se além numa maré feliz e redimida

Entre as margens do silêncio desagua
De mansinho um doce afago que inadvertido
Traveste cada sonho naufragando tão combalido

Frederico de Castro
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E depois do caos



A noite atropelou a solidão e dela
Se alimentou até à exaustão
Deixou um caos de lamentos calcorrear os carris
Deste silêncio alimentado com tantos padecimentos

Contemplei na tela do tempo uma hora
Esvair-se tão abatida, tão coagida
Descoloriu qualquer ilusão recriada na
Efeméride de uma caricia chagando ludibriada

E assim despercebida a madrugada irradia seus
Suculentos breus, quase letárgicos, velando a
Escuridão que à soleira do tempo fenece repatriada

Ficou alojada na memória uma brisa assediada
Camuflou a solidão de tal maneira que a manhã
Sitiada renasce…com a breca!…Absolutamente saciada

Frederico de Castro
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À beira da solidão



A manhã solta uma ventania de solidões agrestes
Flui dentro daquela hora estatelada num segundo
Diria quase funesto, para depois se perder desintegrada
À beira de uma temível emoção tão depauperada

Lacrimeja o dia sombrio, numa enorme comoção
Embriaga-se de tantas lágrimas quase dilaceradas
Fica mudo e quedo ostentando só uma tentação
Refastelada na guarita de muitas ilusões desesperadas

Sem interrogações, exclamações e outras considerações
Seduzo a memória repleta de saudades obsoletas,
Oh, abençoada rima trajada com palavras inspiradas e irrequietas
Onde se acasalam estes silêncios que um eco viril depois espoleta

Frederico de Castro
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De que padeces ó alma...



Quão fácil é desintegrar um átomo e deixar desunida
A alegria, o regozijo apenas num único sorriso
Se os olhos mostrassem o interior da alma que padece
Decerto choraria amordaçada à dor e pranto que além fenece

E assim aviltado envelhece o tempo, uns gemem
Outros de alegria cantam, enquanto atarefado
E comovido cada lamento prolonga a comoção que permanece
Anafada… ó alma que em prantos padeces quase espatifada

Frederico de Castro
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Flor de ébano



Clarões de escuridão reflectem à silhueta
Toda esta elegância que brilha sob a plumagem de
Uma brisa vadiando com tamanha exuberância

Sem estrelas, ainda assim, a noite brilha
Intensa festiva e muito feminil deixando a luz
Uivar qual loba à beirinha deste silêncio tão gentil

Frederico de Castro
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Silêncios melódicos



Entre a maresia e o tempo escorre
Esta solidão matreira e esdrúxula
Desbrava cada emoção que além
Renasce faminta e tão crepúscula

Qual gota de luz faminta e que flama
Entre as cutículas desta ilusão polifónica
Deixo um acorde de ecos melódicos
Saborear em uníssono cada beijo mais icónico

À boleia chegou uma brisa travestida de
Perfumes tão hegemónicos, temperando mil
Caricias que se esgueiram sensuais e tão hedónicas

Nasce a manhã ressacada de drinks sinfónicos
Regurgitam silêncios que supersónicos, semeiam e regam
Sorrisos que imergem num desejo exuberante e platónico

Frederico de Castro
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Brisa imarcescível



Sem equívocos a manhã liberta-se
Desta escuridão que desterrada
Apascenta toda uma emoção bem narrada

A maré airosa pesca aqui e além uma luminescência
Ainda envergonhada, até sarar a memória
Ferida por uma permuta de saudades enamoradas

No cume do tempo uma hora vacila exasperada
Dilui-se entre muitos silêncios, que transparentes
Perscrutam cada palavra ladeada por uma rima idolatrada

Cavalgando livre e imarcescível o dia flutua numa brisa
Esparramada no leito das emoções escancaradas, até
Acolchoar mil ilusões coloridas com gargalhadas tão revigoradas

Sombras frias consomem a solidão que geme pendurada
Na moldura do tempo expirando exonerado, qual acto
De brandura naufragando num mar de beijos ali encarcerados

Frederico de Castro
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Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!