Lista de Poemas
Passadiço dos silêncios

No passadiço da solidão esvai-se um poente
Qual lamento rechaçado pela ilusão tão mercenária
Até desfalecer numa hora quase centenária
Indolor o silêncio afaga um eco quaternário
Musicando um naipe de oitavas arbitrárias
Dançando numa rima feliz e tão gregária
Extraordinariamente enamoradas duas caricias
Circundam o leito onde a noite marcha num
Silêncio demasiadamente autoritário
A dois quilómetros da solidão qualquer sonho
Estrebucha numa falida memória quase reaccionária
Deixando parida uma saudade excessivamente totalitária
Frederico de Castro
👁️ 203
Metamorfose de murmúrios

Desintegrou-se a manhã numa metamorfose
De silêncios sempre afáveis…quase suplicantes
Amansam aquelas brisas que ronronam tão pujantes
Cada resquício de solidão cogita uma redenção
Quase desesperada, torneando a espessura de
Muitos lamentos deixados ali em escravatura
No fim dos tempos sei que permanecerão
Intactas tantas memórias entusiásticas, deixando
A arfar muitos silábicos beijos tão empáticos
Sem protestos cada hora deixa um promiscuo
Minuto silenciado, para que numa oração compungida
A fé alimente esta esperança esplêndida e estrugida
Frederico de Castro
👁️ 162
Infinito...tão distante

Enquanto a noite se embebeda de breus
Nocturnos, de mansinho unifica toda esta
Galáxia estirada no leito de uma onda desvairada
Enquanto a noite solidifica uma ilusão excitada
Espirra além um gomo de luz que premeditado se
Esgueira tão temerário…literalmente velário
Enquanto uma hora cada um dos seus segundos nina
Bolina pelo oceano uma brisa empolgante
Esparramando no silêncio um eco embriagante
No infinito distante sangra a solidão que hereditária
Se revela numa sinfonia de lamentos circunavegantes
Até se afogarem naquela hora tão empolgante
Frederico de Castro
👁️ 168
O luto e o silêncio

Vestiu-se de negro a noite
Mastigou um encardido gomo
De luz que fenece tão aturdido
Despediu-se a alma da vida
Até deixar corroídos todos
Estes silêncios muito contundidos
O luto e o silêncio fazem as pazes
Acomodam-se a um perpendicular lamento
Ruminando uma súplica deveras tão marginal
Diluem-se algumas lágrimas ante o púlpito
Desta solidão que chega quase tridimensional
Enterra-se um inconsútil eco tão extra sensorial
Sorvo da tristeza pequenas verticalidades contidas
Num lamento desproporcional, até que, na ressurreição a
Eternidade devolva a vida que anelamos de forma tão passional
Frederico de Castro
👁️ 155
Nos pátios da noite

Nos pátios da noite vadia a escuridão inanimada
Ensombra o silêncio que faminto deglute cada
Gomo de solidão reprimida e horrivelmente difamada
Nos pátios da noite murmura um último suspiro intimado
Locomovem-se no perímetro do tempo um grosseiro
Breu oculto na disritmia deste lamento tão corriqueiro
Nos pátios da noite cultivam-se e decoram-se caricias
Planificam-se sevicias e estas, evidentemente propicias
Alimentam emoções que se tornam sempre vitalícias
Nos pátios da noite sob a derme de um enorme silêncio
Ocultam-se malfeitores, prescrevem-se crimes e delatores
Enferruja-se o tempo cheio de remorsos e predadores
Frederico de Castro
👁️ 154
Coligação das almas

Desancorei uma hora fundeada na baía da
Solidão que madrugava numa onda relegada
Banhando o tempo com uma caricia bem alagada
Ferrada ainda num sono profundo a noite tece
Uma ilusão aconchegada a um idílico silêncio que
Instigado, se esquiva num célere beijo tão rogado
A putrefazer-se quase excomungado cada lamento
Suporta uma tonelada de emoções tão intrigadas
Qual cordial e empírico afago avidamente desejado
Na coligação dos sentidos um eco masoquista
Fomenta desenfreadas memórias que telúricas
Abalam a saudade de forma tão expurea
Emana da manhã um refrescante perfume conivente,
Onde se maquina uma cabala de paixões sempre latentes,
Onde se apaziguam duas almas que se unem tão complacentes
Frederico de Castro
👁️ 176
Leves brisas...lava-as o vento

Tecida numa manhã arrebatadora
Fluem labirínticas brisas entre um
Passivo silêncio absolutamente devastador
Obsessiva a luz pranteia deixando cair
Duas lágrimas num ébrio eco confortador
Último acto para um lamento tão sustentador
Além sibila uma brisa sempre inspiradora
Perfuma cada verso com uma caricia mitigadora
Escraviza uma rima refrescante e purificadora
Brota da solidão um peregrino silêncio tão
Místico, que a alma ainda que acabrunhada
Encandeia uma hora que breve se inflama assanhada
Frederico de Castro
👁️ 213
Pensando...em silêncio

Hoje a manhã solidificou a solidão que deixa
Impunemente prescrever esta hora vadia, qual
Efémera palavra que pulsa reverente e fugidia
Depois de um aguaceiro incontido abrigam-se entre
As pálpebras de tantas emoções incontroláveis
Mil e tantas reflexões quase inimagináveis
Pensando…em silêncio o dia enamora-se
De um afago tão elegante e airoso, inspirando
Cada verso que perdura num eco tão carinhoso
Frederico de Castro
👁️ 170
Fui ver o pôr do sol...
Desmascarado, o dia regurgita seus
Últimos e derradeiros gomos de luz
Deixa na corda bamba um silêncio
Enaltecido, engolido por cada penumbra
Seduzida pelo vulto deste poente
Ah…absurdamente enaltecido
Frederico de Castro
👁️ 145
Que pena...os teus olhos choram!

Que pena…os teus olhos choram?
Que solidão ou pranto corroboram
Que silêncio e lamentos revigoram
Que pena…os teus olhos choram?
Que sedenta tantos breus exploram
Cada emoção de mim lograram
Que pena…os teus olhos choram?
Além tantas lágrimas escoram e de muitas
Ilusões e esperanças se enamoram
Que pena…os teus olhos choram?
Se duas gotas de solidão se evaporam
E tantas caricias ávidas imploram
Que pena…os teus olhos choram?
Quando muitos gritos na noite ignoram
E num ápice a maresia teus beijos ancoram
Frederico de Castro
👁️ 174
Comentários (3)
Iniciar sessão
ToPostComment
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
Português
English
Español