Tempo furtivo
Frederico de Castro

Mudam-se os tempos…permanece a vontade
Manobram-se tantas horas austeras e assertivas
Adocicando e adornando palavras sempre furtivas
Atónita a noite deslumbra-se tão dissertiva deixando
Que o vulto do silêncio se esgueire engolido por
Sílabas carregadas de dopamina…tão emotivas
Já abalroada a solidão desaba amarfanhada
Cavalga na quilha do tempo, até transgredir todas
As maresias vagabundeando além achincalhadas
Vergada a esta escuridão gramaticalmente tresmalhada
Esboroa-se a madrugada despida e espezinhada, até
Confortar esta estrofe atordoada rimando com atoarda
Contra a maré que se espraia além atabalhoada
Depura a noite todos os breus mais enfronhados
Adormecendo inquantificáveis lamentos tão enxovalhados
Frederico de Castro
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