Lista de Poemas
Subindo com a solidão

Uma fluorescência tão cósmica embrenha-se nesta solidão
Quase petulante, absurdamente sonora, conivente e crónica
Dos tentáculos do tempo desprende-se uma hora inerte e afónica
Nesta via rápida das emoções reprimidas e mais catatónicas flutuam
Ilusões e palavras desgarradas, descomplexadas e quase platónicas
Assim se enamoram as gargalhadas provindas de preces tão arquitectónicas
Num canto a solidão sobe cada degrau da esperança inescrutável
Sobre o charco dos silêncios a vida espelha qualquer lamento tão instável
Inalcançável todo o horizonte naufraga saciado, inebriante e confortável
Frederico de Castro
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Silêncios iniludíveis

São tantos estes silêncios quase iniludíveis
São imensas as ondas que além jazem audíveis
Amaram esmagadoras ao longo destas margens aprazíveis
Ao longe submerge o poente tão solitário e indescritível
A noite pondera embebedar-se num felino breu quase corruptível
A escuridão gatinha amparada a esta cúmplice rima sempre irresistível
Frederico de Castro
👁️ 56
Arabescos

Desenhado e esculpido à esquadria do tempo ali paira
Um singular sussurro inamovível e tão sofisticado
Nas paredes silenciosas esquadrinha-se um verso acariciado
Fresca e rocambolesca a noite embrenha-se numa hora desnaturada
Um lamento conivente acontece a centímetros de um segundo inexorável
Incógnita a luz encobre a fachada daquele desejo espasmódico e inesgotável
Frederico de Castro
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Fosforescências notívagas

Lá vai a noite ensanguentada de fosforescências flamejantes
A escuridão feliz desnuda uma parafernália de carícias pujantes
É ver só o resfolegar dos silêncios e das emoções mais petulantes
Lá vai a noite travestida de estrelas cadentes…quase lacrimejantes
Os céus esmagados por esta negrura voraz ali fenece felino e apaixonante
Perverso o tempo sepulta cada hora homicida, consternada e ofegante
Frederico de Castro
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No colo da noite

No colo da noite dormita o tempo irrequieto e imperturbável
Inculca no silêncio uma voz que sussurra feliz e indomável
A escuridão torna-se a companheira de cada oração inevitável
À mercê da solidão quase persuadida e mui instável, cada hora
Alvitra pra si uma esperança que desperta cuidadosamente venerável
O poeta inspirado semeia nas palavras seu lirismo fecundo e indecifrável
Frederico de Castro
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Trinta por uma linha

Tal como dantes o tempo não perdeu tempo
E descarrilou num labirinto de emoções suburbanas
Todas as horas despóticas sucumbem felinas e levianas
Fiz dos silêncios trinta por uma linha e até superei angústias
Tão céleres, tão destemidas tão verborragicamente tirânicas
Centímetro a centímetro aboli palavras vassalas, lacónicas e profanas
Pelas linhas do tempo desfilam lamentos substantivos e aleatórios
Revigoram a paisagem que se embrenha nas memórias mais paremtórias
A manhã desenferrujada desperta reajustando mil sorrisos comprobatórios
Frederico de Castro
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Horas desfragmentadas

Neste mar de ondas silenciosas cada hora desfragmenta-se
Além a jusante das palavras mais urgentes e graciosas
Sabe tão bem beijar a luz refletida em tantas carícias gananciosas
Sedenta a manhã resvala naquele ocioso marulhar mavioso
Nada perturbará a paz imersa num sorriso imenso e melodioso
A solidão será sempre a fortaleza dos sentidos ávidos e arguciosos
Frederico de Castro
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A face do tempo

Embebedou-se o tempo com um irracional segundo assassinado
Cada autômato silêncio, tornou-se banal, absurdo e obstinado
Apenas um breu pleno de pruridos ávidos fenece uivando inquinado
A face do tempo esbelto mas inquietamente predeterminado
Solidifica os desvarios dos meus desejos agora desconfinados
Qualquer hora fugitiva, à socapa, deglute tantos sussurros quase desatinados
Frederico de Castro
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Na hora H

Na hora H o poente estende-se enlanguescido, tão robustecido
Sublime e consumado o tempo como que fenece poético e desinibido
No aconchego do silêncio dormita um breu tão casto e estarrecido
Na hora H geme um cântico colorido, vibrante sensual e comovido
Inebria de desejos cada verso escorregadio, arisco e quase seduzido
Fustiga um perfumado alísio refulgindo num aguaceiro ali espargido
Na hora H a vida suplanta com gargalhadas as alegrias mais enérgicas
Calca e recalca todas as luminescências avassaladoras e tão sinérgicas
Em sigilo espreita e corteja a sensualidade das mil escuridões analgésicas
Frederico de Castro
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A minha metamorfose

A minha metamorfose é intensa, voraz e flamejante
Quisera eu abençoar toda a pluma bravia e excitante
Quisera cada palavra capitular feliz, onírica e reconfortante
A minha metamorfose ocorre nas artérias do silêncio aviltante
Penetra fundo no vazio enlouquecido dos lamentos mais protestantes
Atende cada oração que se ajoelha ali no altar dos sentimentos exuberantes
Frederico de Castro
👁️ 111
Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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