Vem, que se faz tarde
Frederico de Castro

Vem que se faz tarde e deixemos a maresia ainda incandescente
Estatelar-se nas beiras desta solidão imensa e tão entorpecente
Até a última luminescência encarquilhar a noite que chega fosforescente
Vem que se faz tarde, antes que as horas desvairadas desinspirem todas
As palavras e rimas plagiadas, salpicantes, irrequietas e displicentes
E os silêncios sobrevoem os céus sufocados por poentes tão efervescentes
Vem que se faz tarde e tarde o tempo sucuamba inerte,frágil e inocente
Mesmo que ariscas brisas debruem a derme das ilusões mais latentes
Transladando dos meus olhos todas as lágrimas carentes, poéticas e clementes
Frederico de Castro
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