Subindo com a solidão
Frederico de Castro

Uma fluorescência tão cósmica embrenha-se nesta solidão
Quase petulante, absurdamente sonora, conivente e crónica
Dos tentáculos do tempo desprende-se uma hora inerte e afónica
Nesta via rápida das emoções reprimidas e mais catatónicas flutuam
Ilusões e palavras desgarradas, descomplexadas e quase platónicas
Assim se enamoram as gargalhadas provindas de preces tão arquitectónicas
Num canto a solidão sobe cada degrau da esperança inescrutável
Sobre o charco dos silêncios a vida espelha qualquer lamento tão instável
Inalcançável todo o horizonte naufraga saciado, inebriante e confortável
Frederico de Castro
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