Lista de Poemas
A dois côvados da solidão

A dois côvados da solidão deambula a maresia resignada
Sem sinais de vida cada onda além perece quase esganada
Sem toscanejar a manhã apazigua uma luminescência desatinada
A dois côvados da solidão dormita a maré de silêncios dominados
Imperturbável o tempo submerge num tsunami de ecos miscigenados
Em pânico desmaia o oceano infetado por um rumor de desejos apaixonados
Frederico de Castro
👁️ 196
Poente nas Astúrias

Como é doce o poente nas Astúrias
Partilhá-lo e amarrá-lo no imaginário
Horizonte de cada eco pujante e mercenário
Escondido no tempo além dormitando cromático
Flutua um dormente silêncio mui tranquilo e automático
Assim se disfruta deste ponte reinventado, flamejante e profilático
Frederico de Castro
👁️ 247
Meu cais

Estou junto ao cais acostado às bermas da solidão
Mais frenética, mais astuta, buliçosa e tão hipotética
Deixo a maresia afagar minha prece sentida e poética
No meu cais as marés dormitam afogadas em ondas simétricas
Na quilha dos silêncios ondulam sonhos e desejos aritméticos
Prevalecerá no tempo todos aqueles sorrisos tão magnéticos
No meu cais o poente transforma-se num sedento beijo estético
Alerta e vigilante o tempo simplesmente falece a jusante
O cosmos chorará e amparará cada impercetível lágrima ofegante
Frederico de Castro
👁️ 245
Perdido nas brumas do tempo

Conspirador o tempo flutua fluidificante e desleixado
Cada palavra gretada aviva seus ecos felinos e despenteados
Neste silêncio peregrinam tantos segundos imberbes e desgrenhados
Perdido nas brumas do tempo o tempo agora provisório e temporário
Capitula confinado às entranhas de um desejo voraz e tão precário
Afetuosamente remido o silêncio perece, absurdo, esgotado e perdulário
Frederico de Castro
👁️ 189
De coração para coração

De coração para coração geme uma palavra lisonjeada
Cerceada escuta, sonoriza e desbrava a manhã esfomeada
Deixa no empedrado destino uma hora vazia, ávida e decapitada
De coração para coração geme e sussurra uma carícia bem delineada
Enfeita todo o planalto das emoções poéticas e tão desenfreadas
Irriga a eternidade dos silêncios reconquistados…bem pleiteados
Frederico de Castro
👁️ 193
As formas da água

Rente à manhã renasce a luz do dia tão prenhe tão astuta
Sagaz cada hora encandeia a paz quase infinda, quase absoluta
Ali se batiza a esperança sorrindo e gargalhando mais impoluta
As formas da água são circunflexas, curvilíneas ou complexas
São como obstinadas orações fecundas e absurdamente convexas
Dão de beber à sedenta fé refrescante, apaixonada e tão perplexa
Frederico de Castro
👁️ 204
Minha maré

Lá vai a minha maré saturada de ondas alucinantes
Deslumbrada a manhã alimenta tantas luminescências
Apaziguantes e apetecivelmente extravagantes
A jusante a vida flutua a bordo de mil brisas dissonantes
Seus odores apascentam a orla das memórias constantes
Seu altar são todos os imarcescíveis silêncios sussurrantes
Na minha maré navegam preces ígneas felinas e rogantes
Em cada molécula de vida pairam fecundos desejos tão chocantes
Dão guarida a uma explosão de sorrisos absurdamente contagiantes
Frederico de Castro
👁️ 184
Varredor de emoções

Permuta a solidão com o tempo uma hora tão transparente
O silêncio desanuvio inequívoco e acelerado trilha todos os
Lamentos que além se quedam ofegantes, felinos e inoperantes
Nas ruas varre-se a tristeza para debaixo das solidões itinerantes
Inventam-se palavras que perscrutam vícios e prazeres beligerantes
Cavalgam-se emoções platónicas, incendiárias e tão, tão delirantes
À porta do olhar mais sereno fenece o dia voraz e insignificante
Todos os segundos estremecem eruptivos explosivos e errantes
Nos céus o silêncio prolonga a sinestesia das memórias mais divagantes
Frederico de Castro
👁️ 208
Acesso da noite

Fechado no invólucro do silêncio o tempo drena
Os derradeiros segundos hidráulicos e esdrúxulos
A milímetros da solidão escoam ecos sem escrúpulos
No lajedo da vida flutuam sussurros quase concupiscentes
Umidificam a derme onde pernoitam carícias tão latentes
Alinham as palavras onde se desnuda a caligrafia dos uivos prementes
Sem acessos a noite dormita no vão das escuridões mais recorrentes
Deixam em rodapé tantas desesperadas gargalhadas impenitentes
Içam as velas a todos os desejos, flamejantes, ígneos e contundentes
Frederico de Castro
👁️ 163
Quando éramos meninos

Quando éramos meninos a vida fluia deslumbrante…tão refrigerante
Ao nascer um novo dia o tempo namorava cada viral fantasia reconfortante
Bailando as palavras poéticas propiciavam mil gargalhadas exaustantes
Quando éramos meninos as lágrimas caiam prenhes de alegrias viciantes
Fecundavam esperanças casmurras, mas singelas, vorazes e excitantes
Alimentavam ingénuos sonhos absurdamente felizes, festivos e contagiantes
Frederico de Castro
👁️ 183
Comentários (3)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.