Escritas

Lista de Poemas

Noite volátil


Senil e cáustica a noite infecta aquele breu dissimulado
Com palavras famintas orquestra-se uma homilia em prol da
Fé que ígnea volátil e flamejante, renasce ávida voraz e aconchegante

De boca em boca a escuridão beija o palato à luz que fenece asfixiada
No fio da navalha a noite refugia-se nas prateleiras de uma rima enamorada
Tépidas e indeléveis brisas perfumam a derme de cada hora fluindo aclamada

Frederico de Castro
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Escuridão intimidante


Nesta escuridão intimidante cada breu jaz acabrunhado e excitante
Pernoita no algeroz dos mais infinitos e apaziguantes ecos pujantes
Envolve-se num ritual de palavras ardendo no crematório dos desejos asfixiantes

Nesta escuridão intimidante as sombras deambulam pelo parapeito das tristezas urgentes
Transmutam a cada breve segundo um naipe de inconscientes memórias tão eloquentes
No limiar da vida fecundam todo um derradeiro e movediço uivo impetuoso e indulgente

Nesta escuridão intimidante o tempo sucumbe na orla de um lamento serpenteante
Divide com a noite esta hospitaleira fluorescência notívaga, volátil e emulsionante
Esconde-se no reposteiro dos meus mais hábeis silêncios graúdos imutáveis e intimidantes

Frederico de Castro
👁️ 64

Tempo sem destino


Neste tempo labiríntico e sem destino vagueia a noite saltimbanca
Impostora, hipócrita e comediante sorri a toda esta negrura tamanha
Farsista e acrobática desnuda-se numa gargalhada que em mim se emaranha

Neste tempo sem destino os silêncios assim colossais sangram num eco lascivo
Transpiram pela derme de um imberbe lamento tão tristonho…tão intuitivo
Quase que sentenciam um esbelto breu que além fenece agonizante e inofensivo

Frederico de Castrto
👁️ 65

Brisa indomada


Plissada e franzida a vida espreguiça-se numa bainha
De silêncios sensuais, indomáveis…quase esganiçados
Onde couber a solidão alinhavam-se todos os afagos enamorados

Vai além a manhã cerzir uma prece incandescente e formidável
Vai uma fluorescência psicótica iluminar cada palavra viril e intocável
Vai a máquina dos sonhos fabricar todas as brisas garridas e indomináveis

Frederico de Castro
👁️ 31

Rascunho da solidão


Fiz um rascunho da solidão e lá escrevinhei os meus
Lamentos apaixonantes e absurdamente desassossegados
Deambulei pela caridade dos silêncios mais desengonçados

Fiz-me à estrada e calcetei os passos de uma memória melindrada
Deixei nas esquinas do mundo uma prece esdrúxula e tão requintada
E em cada milionésima hora pastoreei minha fé fluidificante e refrescada

No horizonte paralelístico e desesperadamente apaixonado escondeu-se esta
Imensa tristeza patinando no roda-tecto das emoções ígneas…quase teleguiadas
E de súbito, sem subtilezas, a noite domesticou todas as palavras assim pressagiadas

Frederico de Castro
👁️ 64

Na quilha do silêncio


Na quilha do silêncio o dia amara esbelto felino é longânimo
Magnânimo cada eco estende-se sobre um freático afago anónimo
Impávido e sem heterónimo o tempo pincela meus sonhos mais ergonómicos

Na quilha do silêncio as marés repousam flácidas, embriagadas e apaziguantes
Entre os dedos a luz escapa-se caligrafando todas as palavras voláteis e hilariantes
Em rodapé deixou escrito o epitáfio das minhas mais fiéis memórias tão empolgantes

Frederico de Castro
👁️ 66

Onde mora o tempo


O tempo mora algemado a sedentos segundos inadiáveis
Entranha-se no futuro devagarinho…assim extraditável
Dura o intervalo de uma ininterrupta solidão tão inabalável

O tempo reside nas ruas e avenidas deste mundo instável
Confunde-se e transfunde-se no meio de um silêncio indomável
Envelhece no intemporal presente imperativo de cada Ser admirável

Onde mora o tempo? Além algemado à ampulheta dos dias inesgotáveis
Vive ininterruptamente volátil, levitando entre tantas palavras indecifráveis
Desliza na imponderabilidade das horas que fenecem perpetuamente intermináveis

Frederico de Castro
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Silêncio anónimo


Resta-me este silêncio tão anónimo quase axiónimo
Cerceiam um verbo prenhe de sentimentos homónimos
Escarnecem da solidão concebida por lamentos tão tectónicos

Resta-me sorver da noite toda esta escuridão bravia e esferóide
Embrenhar-me no genoma de cada palavra palpitante e debilóide
Deixar a palpitar aquele brisa parida nesta infindável noite tão negróide

Resta-me sorver das memórias uma remota saudade quase enlouquecida
Alimentar esta absurda e cotidiana rima desgastada, obsoleta e recém-falida
Arquivar as mais subtis ilusões ainda parasitando numa gargalhada quase corroída

Frederico de Castro
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Lágrima pendente


Uma lágrima pende dos cílios da solidão além carente e asilada
Na negrura da face escorrem sentimentos de uma dor jamais domada
Assim confraterniza o universo onde brilha uma lamentação tão exaltada

Nas palavras que então bocejam apaziguantes e mais regeneradas
Confessa-se uma lágrima desabando errante, solitária e estrangulada
Na melancolia de uma inocente ilusão flerta-se a tristeza aqui tão penitenciada

Frederico de Castro
👁️ 77

Para além do silêncio...


Para além do silêncio…resta um hora raquítica e solitária
O esbanjar de uma palavra mirrada, enferma e tão precária
O intimo apascentar de uma caricia carente, voraz e necessária

Para além do silêncio…resta uma devoradora escuridão mendigada
Resta medir cada centímetro deste silêncio divagante e emancipado
O respirar de mil fragrâncias beijando o palato de um desejo consumado

Para além do silêncio…flutua esta tépida luminescência quase indecifrada
Alimenta a mais displicente e irreverente gargalhada supurativa e enamorada
Retém pra si um mero instante de tempo que se esvai numa emoção abismada

Frederico de Castro
👁️ 33

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!