Lista de Poemas

E o tempo passa...


E o tempo passa e cada segundo fenece e jaz além indubitável
Uma manto de andrajosas luminescências amara feliz e vulnerável
Empedernida a solidão desnuda-se numa palavra carente e formidável

E o tempo passa e o silêncio espartilha-se num milhão de ecos inigualáveis
E a manhã em surdina acaricia o patamar dos sonhos mais e mais inimagináveis
Em sintonia cada gota de luz rega e perfuma todas as gargalhadas felinas e perduráveis

E o tempo passa e a inspiração frustrada engaveta a minha tristeza tão perdurável
E numa fresta de ilusões labirínticas algema-se esta hora entristecida e imutável
Em cada encarquilhado silêncio um indelével sussurro ressuscita destemido e admirável

Frederico de Castro
👁️ 67

E fez-se luz...


E fez-se luz depois desta escuridão quase estridente e compulsiva
E a noite depois de despida acoitou-se no berço de uma palavra cativa
E o silêncio depois do silêncio jaz esquecido, estilhaçado e corrosivo

E fez-se luz depois de uma hora morrer além castrada e introspetiva
E a solidão indomável e grotesca imortalizou um breu quase consecutivo
E a saudade carente embriagou os neurónios a esta memória subtil e furtiva

E fez-se luz depois da combustão de preces ígneas flamejantes e depurativas
E no horizonte duas lágrimas enchem o odre das lamentações tão cumulativas
E no mar todo o meu olhar afoga-se nas margens das maresias aladas e compassivas

Frederico de Castro
👁️ 82

De viés para a solidão


Em diagonal e quase de viés o tempo confina um
Oblíquo silêncio imaturo, desenfreado e tão inseguro
A luz ofuscada desata os nós a um breu fiel e maduro

De viés todos os segundos dominam uma hora prenhe e lasciva
Olhem como se esconde aquela escuridão intima e possessiva
De soslaio ficou a vida vivida com esta absurda intensidade regenerativa

De viés para a solidão as palavras amordaçam um eco senil e furtivo
Além um dueto imaginário de lamentos adormecem castrados e pensativos
Todos os instintos mais labirínticos fertilizam meus silêncios ilógicos e erosivos

Frederico de Castro
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Por onde vagueia o tempo


Por onde vagueia o tempo vagueia esta solidão movediça e versátil
Mutável e vacilante cada palavra apregoa uma emoção tão subserviente
Em cada estrofe impera o notável lirismo de um sussurro quase convincente

Por onde vagueia o tempo os ecos tenebrosamente concupiscentes vadiam
Pela orquestra de harmoniosos uivos psicotrópicos, apaziguados tão docilmente
Assim como quem se lambuza de um desejo sôfrego e faminto…assim vorazmente

Frederico de Castro
👁️ 83

Sereno silêncio



- para uma amiga que partiu...

Neste sereno silêncio peregrina a luz da manhã
Tão arguta, tão perspicaz, quase felina e audaz
Da noite restam vestígios de uma prece quase voraz

Neste sereno silêncio recorda-se um olhar apaziguante
Fica como atenuante um adeus vagaroso e embargante
São as sequelas deixadas na saudade tão imensa e pujante

Frederico de Castro
👁️ 60

Ao longo deste caminho


Ao longo deste caminho descobri como apascentar uma hilariante rima irrevogável
Descobri como reforçar os alicerces da vida, dos sonhos e desejos mais renováveis
Dos mais assaz e delicados murmúrios reguei-os com brados de alegria tão inimagináveis

Ao longo deste caminho encenei e brinquei com meu lirismo impoluto e infindável
Transportei entre sóis um gomo de luz brilhante, flamejante e absurdamente excitável
Com todo o primor adubei, acariciei e apaixonei-me por uma palavra sempre indomável

Frederico de Castro
👁️ 79

Extra-sensorial


Um silêncio extra-sensorial flui na plumagem do tempo marginal
Qual flâmula luzidia flameja irreal, acidental...tão crucial
Já amadurecida a solidão plagia um intenso sussurro quase fatal

Este silêncio extra sensorial ausenta-se num lamento tão factual
Nutre a derme de minh’alma derramada num harmónico desejo viral
Ressuscito algemado e tatuado a cada palavra felina e confidencial

Frederico de Castro
👁️ 100

À Cata do SOL


À cata do SOL a manhã desnuda-se numa prece tão sensorial
Além uma penumbra suave e subtil amara nesta estrofe escultural
Deixa um solfejo de palavras musicar a luz que renasce tão transcendental

Nas entrelinhas do tempo escorre a seiva de um sorriso sempre portentoso
Orquestra-se aquele instinto meigo perdido na estratosfera de um eco delicioso
É a total confraternização dos prazeres contidos num poético sonho tão precioso

Frederico de Castro
👁️ 72

Indulgente luminescência


Resvala pelo silêncio a manhã tão meiga,tão carente,tão estética
Qual maná caindo dos céus sua luz flutua comovida e antipirética
Febrilmente cada hora desagua à beira da maresia tão profética
 
Indulgente e mais benevolente intimida-se um uivo tão selvaticamente
Nas encruzilhadas do destino a vida pincela-se de ilusões tão convergentes
Urgente é inspirar as palavras quânticas, frenéticas e mais coniventes

Frederico de Castro
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Com olhos de ver


Com olhos de ver o tempo furta sessenta segundos voláteis
Consubstancia cada hora despida de sussurros tão portáteis
Enxagua o horizonte adormecido no meio de ilusões mais versáteis

Com olhos de ver a solidão consuma o assassinato de cada breu retrátil
Algema toda a escuridão alimentada pelos despojos da noite pulsátil
Escorrega pela seiva do silêncio imarcescível, hospitaleiro e tão táctil

Frederico de Castro
👁️ 62

Comentários (3)

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asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!