Escritas

Lista de Poemas

O pavimento do silêncio


O pavimento do silêncio assoalha a solidão com palavras urgentes
Sublime e dolorosa a luz requenta todas estas emoções estridentes
E doidamente dormita nas mais notívagas paisagens de um sonho impertinente

O pavimento do silêncio é flutuante e assente numa manta de sussurros fluentes
Calçam os passeios com empedrados e basálticos lamentos mais coniventes
Afagam o lajedo do tempo onde caminham incólumes segundos tão repelentes

O pavimento do silêncio asfalta a manhã que além fenece lírica e dissolvente
Vadia pelo passadiço da vida onde comovidas palavras amaram tão amavelmente
Onde brejeiros desejos algemam com delicadeza um desejo voraz…assim ardentemente

Frederico de Castro
👁️ 60

Numa doce brisa


Sinto nas memórias os beijos de cada brisa aglutinante
No cume dos céus regam a vida colorida intensa e fragrante
Afagam o silêncio assobiando no dorso suave de um sonho palpitante

Numa doce brisa a solidão predestinada reproduz-se num eco inalterável
Na tela das memórias pinta-se uma carícia tão ígnea, flamejante e indomável
Vivificam a manhã empoleirada nas persianas do tempo acontecendo inadiável

Frederico de Castro
👁️ 102

Infinito paradoxo



Neste infinito paradoxo ausenta-se a lógica e a antítese
Dos silêncios paralelísticos, linguísticos e tão contraditórios
Resta à intuição lúcida e incoerente redesenhar as mesmas
Discrepâncias contidas em tantas palavras impugnadas e irreverentes

Neste infinito paradoxo a convexidade de um eco plana à superfície
De mil centímetros espelhados no imaginário do tempo real e perplexo
Abaulado cada segundo esconde-se no meio de intrincados uivos unisexos
São como projeções ortogonais planando na verticalidade dos desejos em anexo

Frederico de Castro
👁️ 78

Solitariamente


Solitariamente descansa a noite ali esquecida e abandonada
Sessenta segundos são um desgosto para cada hora consternada
O assustador eternizar da solidão uivando à deriva…tão destroçada

Solitariamente o tempo jaz confinado a um breu quase congelado
Tinindo em meus lábios cada sussurro pesa uma tonelada de ecos contristados
Sem espaço o vazio preenche todos os vácuos onde cabem os lamentos asfixiados

Frederico de Castro
👁️ 34

Numa flâmula...


Numa flâmula brilha a noite tão frenética e incandescente
Chispa na escuridão uma palavra delicadamente complacente
Estrangula cada hora que depois fenece fatalmente conivente

Numa flâmula desperta a luz das preces mais e mais urgentes
Beijarão todos os amanheceres apaziguantes, poéticos e eloquentes
Abençoarão o longo tsunami de murmúrios devastadoramente indulgentes

Frederico de Castro
👁️ 28

No meio de mim


No meio de mim flutua uma prece corroborante e prolixa
Sucinta toda ela se engalana de palavras corteses e profundas
É o retrato da fé que se esgueira no meio de luminescências fecundas

No meio de mim o silêncio traduz-se num eco casto, esdrúxulo e gentil
É o axioma matemático onde se multiplica um afago e um olhar de perfil
O intratável lamento inequívoco que além se desnuda no meio da manhã tão febril

No meio de mim as sombras apascentam o subúrbio dos sussurros mais literários
Dessedentam todos os medos contidos no interminável ciclo de desejos sumários
Copiam a translação e a imprevisibilidade dos delírios solenes…quase incendiários

Frederico de Castro
👁️ 91

A serenidade dos silêncios


Vi-me dentro da bolha dos ternos silêncios estáticos
Deixei a alma fundir-se com todos os lamentos axiomáticos
Deixei as palavras exprimirem sua raiva contida num uivo selvático

Na serenidade dos silêncios flutua a manhã convertida num eco apático
Perdido na serenidade do tempo esvai-se um segundo bravio e matemático
Bolhas de luz borbulham no meio de tantos, tantos sussurros tão telepáticos


Frederico de Castro
👁️ 38

E depois da guerra...



E depois da guerra… a vida esvai-se esventrada, quase excomungada
Em plena escuridão escorrega um absurdo breu deprimido, derrotado
Ali peleja um abrupto lamento, qual clangor ou gemido não acudido
Apavora um silvo doloroso, quase perpétuo, fluindo tão contundido
E depois da guerra…vagueia um triste lamento asfixiado…quase aturdido

Frederico de Castro
👁️ 43

Em Kiev...


Em Kiev o tempo consome cada hora que se esboroa
Entre as entranhas das lamentações esfomeadas…tão cáusticas
Sem resgate cada segundo volatiliza-se numa palavra arrática

Na periferia do tempo todos os lamentos povoam a epístola da
Mais inspiradora fé convertida nesta visceral esperança deteriorada
Aprisionada a luz colide com uma arrepiante escuridão em debandada

Em Kiev abriu-se o invólucro dos gemidos nunca antes desvendados
E de lá saíram todos os bombásticos uivos desamparados…tão acalorados
Enclausurou um silêncio que ali jaz sequestrado, desalentado…quase, quase degolado

Frederico de Castro
👁️ 39

Silêncio recém-nascido


Recém-nascido o silêncio implodiu num eco tão impetuoso
Na mais íntima e fecunda solidão desvelou um breu carente e fogoso
No mais paradisíaco sussurro inoculou um devaneio castiço e vaidoso

Recém-nascido o tempo espelhou um narciso desejo tão pegajoso
Musicou a metamorfose de lamentos tão ígneos…quase artificiosos
Harmonizou as metástases dos mesmos silêncios prepotentes e infeciosos

Frederico de Castro
👁️ 44

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!