Lista de Poemas
Os itens do silêncio

Cada item do silêncio é peculiarmente extravagante
Empola todos os desvairados lamentos quase delirantes
Agrega em si os mais absurdos e estapafúrdios ecos insinuantes
Num ínclito sussurro a manhã desvela-se tão abrasante
Rega todos os desejos estrondosos, mirabolantes…tão divagantes
Profana a solidão pousada no timbre fantástico de um afago itinerante
Sorve a metamorfose das luminescências bailando e fluindo de rompante
Apascenta-me a liberdade ajoelhada junto à sinagoga das preces excitantes
Dou por mim estendido ao redor das súplicas repercutidas em palavras pujantes
Frederico de Castro
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Templo dos silêncios

No templo dos silêncios escorre a escuridão assim docilmente
Na vagueza de uma brisa a solidão perscruta o tempo tão divergente
Lado a lado saltitam gargalhadas cúmplices explodindo furtivamente
No templo dos silêncios um montão de ecos retocam um cântico narcótico
Bebericam o amniótico desejo fecundado no útero de um afago quase caótico
E de tanto arfar adormecem no dorso altruístico de um meigo poente apoteótico
Frederico de Castro
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(In)constante silêncio

Neste (in)constante silêncio viaja uma imensa solidão generosa
Em epílogo escrevo minhas preces intensas e portentosas
O que me devora é esta carente e flamejante ilusão tão pegajosa
Neste (in)constante silêncio o dia embala ao som de cânticos ruidosos
Ali cai a meus pés o tempo repleto e prenhe de segundos rigorosos
Ali se ostentam todos os lamentos tão perplexamente impetuosos
Neste (in)constante silêncio cada eco choraminga e uiva tão melodioso
Assim de afogam duas lágrimas no lagar das palavras quase embriagadas
Em cada desassossego se consomem putrefatas horas esquecidas e inutilizadas
Frederico de Castro
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Guardo nas lágrimas

Guardada numa lágrima cada gota de orvalho
Escorrega pelos cílios deste silêncio que tanto acarinho
Num marulhar aveludado o rio desagua além de mansinho
Guardei na pureza dos horizontes a luminescência da manhã enamorada
Fecundei num sorriso o despetalar da vida prenhe de palavras empolgadas
Abandonei-me no vão das horas pranteando tão exuberantemente fascinadas
Frederico de Castro
👁️ 80
Passadiço do tempo

Caminho pelo passadiço do tempo deixando no pavimento da vida
Sílabas que se entreabrem num felino croché de palavras deslumbradas
Provocam no silêncio o breve balbucio de uma carícia quase, quase asfixiada
No passadiço do tempo os dias escorrem finitos, voláteis…tão conformados
Alimentam a promiscuidade de cada desejo fluindo fluidificante e empolgado
Aninham-se no limiar de um encriptado verso tão pacifico, tão intimo tão embriagado
Frederico de Castro
👁️ 99
À meia-luz

À meia-luz a noite balda-se num sussurro hermético
Sela um enigmático eco dormitando além tão estético
Sem rumores a escuridão apascenta cada breu felino e poético
À meia-luz cada hora sepulta a noite que fenece volátil e frenética
Bons ventos perfumam este luar aconchegado a uma prece profética
No periélio do tempo o tempo orbita sua mais inóspita ilusão aritmética
À meia-luz a solidão transversal circunavega o silêncio quase genético
Deixa nos murais da vida cada sonho desenhado com um uivo epilético
Tatua na alma a junção gigantesca de tantos, tantos sonhos anestésicos
Frederico de Castro
👁️ 78
Imagino...silêncio
Imagino…silêncio
E o silêncio amarrotado jaz anémico
Adormece estirado no catre dos lamentos mais boémios
Em delírio o tempo entranha-se em cada segundo glicémico
Imagino…silêncio
E cada lamento transplantado num desejo epistémico
Ostracisa um ínvio eco vadiando no vendaval de lamentos epidémicos
Imagino...silêncio...
Frederico de Castro
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Profunda lágrima

Escorre por esta profusa e profunda lágrima
A solidão esquartejada, tão esmagada, tão alagada
Deixa nas lágrimas o sabor adocicado de uma dor homologada
Nesta profunda lágrima soluçam palavras quase trespassadas
Até à última gota a solidão embebeda-se de tristezas tão amarrotadas
Desnorteada a manhã deambula ensopada de prantos e gargalhadas abreviadas
Frederico de Castro
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Pelo brilho das estrelas

Sigo o brilho das estrelas e da sua luz beberico o mosto
Das ilusões mais fantásticas…tão absurdamente inexoráveis
Assim se embebeda o cosmos vadiando por breus tão afáveis
Sigo o trilho da noite e encontro nos céus aquela
Escuridão quase espampanante, prisioneira de fé exultante
Tão imortal quanto as palavras algemadas ao altar do tempo palpitante
Frederico de Castro
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Terna é a noite

Terna é a noite escondida na penumbra das sombras oscilantes
Breve o silêncio que pernoita no felino ondular da maresia delirante
Magnifica a escuridão que se alimenta de elípticas ilusões gratificantes
Terna é a noite aconchegada às minhas preces serenas e extasiantes
É Infecciosa como mil sussurros pandémicos, vorazes e intimidantes
Dolorosa como a ténue luminescência que além fenece periclitante
Terna é a noite desaguando nas bermas de um breu fugaz e sonante
Por um triz deixa uma hora escapulir pelas frinchas das solidões oxidantes
Sucumbe no apogeu notívago das palavras que deliram num adeus tão relutante
Frederico de Castro
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