Lista de Poemas
Geometria da beleza

Assim se desenha um sorriso
Mesmo que imaginário
Ele está ali à mão
Tatuado com lápis
Na geometria da emoção
Assim se pinta a beleza
Com traços de tanta envidência
Onde mora a arte
Que esta folha de papel
Tentadoramente reverência
Frederico de Castro
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Tempo de afectos

Despeço-me dos afectos que
se enrolam no tempo
turvando o olhar que divaga
em ondas insufladas de esperança
chicoteadas com tanta fragilidade
Contento-me em atar
os meus destinos
ao final de uma eternidade
que nos acena no indigente
dia que morre quase felino
Aceito cada gomo de solidão
como quem destranca todas as portas
deixadas entreabertas no limiar
genuíno de cada beijo trajado no anonimato
de todos os ecos costurados em sofreguidão
Na elegia deste adeus
me afasto na escuridão
ou na meiguice do teu perfil
onde apréguo mais que os silêncios
a tua essência matreira
prenhe de emoções quotidianas
moldando-nos a todas as
homenagens validadas no tempo
que urge tácito
neste Outono perene e tão pálido
Vou deixar por instantes
que adormeças todos os meus céus
algemando a luz como troféu
pousar em todas as minhas luas
amadurecer todas as minhas ternuras
como a fé que se propaga marginal
entre a baínha de tempo
e as paisagens que afloram nos ventos
e rituais de eterna formosura
Vou ficar quieto
até sossegar a alma que se
gera em cada excêntrica hora
de aventura
Vou confiar na imaginação que
cruza cada inolvidável dimensão
do tempo
Alimentar-me de cada átomo
quântico que decifra meu
vocabulário dançarino
orbitando na magnitude de um
beijo matutino
onde em acordes de amor
deixo que todo este
cosmos longínquo me transforme
num poema afagado em clamor
derradeiro...infinito
Frederico de Castro
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Cidade celestial

Para lá de todas
as fantasias dormitando
entre celestiais coreografias
do tempo
submergem felizes
os ventos gratinando a vida
que brada veemente
em tons e matizes coloridas
de esplendor
consumindo a brevidade
e as longas horas
em que respiro cada revelação
escrita em profecias coloridas
de unanimidade
Eis-me flertando o teu silêncio
Eis-me falsificando o tempo
só pra te ter recôndita
em mim
Eis-me conivente
com tuas inocências
solidário, diligente
exergando-te sem ambiguidades
sucessivamente
Preso à plenitude da manhã
onde dissecamos as saudades
deixadas
tão óbvias,tão cordialmente
Encontrar-nos-emos
em outras cidades celestiais
transformando a morada
dos nossos seres em
engenhosos pilares que
sustentam o amor
Consumaremos as palavras
invisíveis em ecos
penitentes de fé
Satisfaremos cada existência
meditando na solidão
que foge tão inesgotável
num ápice
deixando-nos só um
longínquo e breve adeus
sem domícilio nem remissão
Eis-me aqui
figurante do tempo
neste teatro de vida
onde me exilo ágil
enclausurado no funil
deste destino
desfilando em enredos
tão tácteis
Eis-me aqui
onde habito deportado
rabiscando um verso
devorador,
esculpindo-te desapressado
sem arestas de melancolia
nem a penumbra de um
raio de sol arisco
iluminando esta noite insólita
que morre esquiva
nas prateleiras do tempo
lambendo somente cada desejo
mais intrusivo
galgando-te volátil, ostensivo
Frederico de Castro
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Olhos nos Olhos

Deixaste-a
assim, minha vida
olhos nos olhos
na grafia singela
dos meus cantos de alegria
que assim persigo na periferia
desta já longa travessia
assim tu me queiras
sem mais utopias
assim eternos numa
longa cinematografia
Frederico de Castro
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Voltar no tempo

Decifra-me se puderes
encontra-me neste poema
tantas vezes reescrito
onde mergulho cada palavra
no tempo infiel e proscrito
Reserva-me todos os murmúrios
onde transformamos gargalhadas
em versos de prazer inédito
alimentando o sinédrio dos meus
juízos tão itinerários e frenéticos
Data-me o tempo
que se escoa na espessura
limítrofe do vento
Cubram-se os céus factuais
onde te invento
em vícios quase premíscuos
e delimito minhas orações
nas asas arfantes de um anjo
que vela até
meu arrependimento
Voltar no tempo
onde entreabimos a alma
com beijos
e atiçamos nosos seres
com abraços
que se apressam em fuga
delicadamente
mal a manhã vindoura
te ostente de vida inexoravelmente
Frederico de Castro
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Lágrimas do mar

Abre-me todas as janelas
sobre o teu mar
onde caibam somente as
lágrimas em deriva
repentinamente
em teu seio mergulhar
Naveguem todos os barcos
por teu mar
onde a foz se embebeda
de amores
por amanheceres casta
do tamanho de todos os oceanos
só pra mim
oh tu que ladrilhas
o silêncio dos meus beijos
afogados em lágrimas
de tanto mar
Vou a cada anoitecer
contornar-te as margens
preenchendo os vácuos
de solidão que fervilham
entre suspiros semeados
nos ventos que albergam
cada sonho desfiando
neste meu pulsátil coração
descarrilando em ondas de temperança
e louca conflagração
Deixo que os aromas
primaveris sepultem toda
a nascente onde jorra o tempo
costurado em naperons de palavras
póstumas e refinadas de meresias
Na longitude mais além
quando te contemplo pelo vértice
de tempo
sei onde me embriagar com
cada milagre de vida neste aguaceiro
onde bebo todo o oceano
e emolduro teu retrato despindo-se
em torrentes de amor numa procissão
exuberante
e depois lapido cada labareda
do teu ser
que desejo delirante
Frederico de Castro
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Um de nós...

Brota minha escrita
desatando a rota no dia
que galopa rumo à tua
guarida
- Um de nós
deixará as saudades
se confessando entre
dois olhares quase indeléveis
correndo neste poema
que te deixo em epígrafe
quase me desintegrando
impassível
- Eu sei
como te desatar
os silêncios
Sustentar toda a posse do tempo
que nos algema irreversívelmente
- Um de nós
inexoravelmente
deixará amarradas
todas as emoções corrediças
onde nos banqueteamos
com palavras irrecusáveis
e jamais esquecediças
- Consumiremos todas as
harmonias
que se atam ao nó
dos meus silêncios
Maquinaremos tantos abraços
em cada segundo
enclausurado no tempo
que a nós se apega
desata, sossega
galga
e jamais renega
- Um de nós
traçará os ritmos onde
se imolam paixões
onde se lavram insurreições
colhendo em todos os
cântaros de vida
um milésimo de tempo
onde
pernoitaremos insinuantes
sem mais restrições
Frederico de Castro
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Fissuras no tempo

Prometeste fantasiar-me
as noites com luzeiros
matizados de poesia
iluminando meus silêncios
lúcidos
deportados no equinócio
primaveril
onde germina teu celeste
horizonte remisso
alinhando-nos em bailados
de amor...com arte
de um sorriso que
feliz
eu sei
tantos,extasia
Prometeste desmascarar
o tempo onde nos comprometemos
aliciando a vida
plagiada
com rimas e ritmos lavrados
ao sabor da essência que
perfuma nossa solidão
espraiada em actos conciliados
de amor em conspiração
Recorremos num ápice
à poesia que nos revela
observando a criatividade
onde edificámos nossas existências
proliferando em cada palavra
asfixiada numa
estrofe trajada de
suspiros sorrateiros
desabrochando breve
em tangentes de pura longanimidade
Na poesia
mora toda minha solidão
reportada na fissura
do tempo
onde colho todos os lamentos
deixados na excentricidade
chorosa de um sonho
atiçado...em deslumbramento
Em cada noite que restar
repartiremos a elegância
num gomo de luz
até esta se fazer em
novos ciclos de vida explícita
predestinada
escrita nesta ortografia
grávida de contentamento
Frederico de Castro
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No aconchego dos silêncios
Sopram os ventos
parindo ondas banhadas
de luz
indagando cada aconchego
nos meus silêncios
Propaga-se o tempo
e penso já desatento
onde pernoitam as saudades
calando cada vigília
trazida nos ventos ágeis
das nossas cumplicidades
Na inquietação das memórias
não deixo adiar um dia
qualquer fascinado na paisagem
que chega breve
perdida em vadiagens
Reporto à vida que floresce
como uma tela pintada
se vivifica tão predestinada
com a invocação desta poesia
que tateia a noite sustendo
suspiros
de serenidade
enquanto me aconchego
na cortina esquecida do tempo
Não importa mais desarrumar
o vazio onde me encontro
basta só
habitar-te silenciosamente
clonando cada gomo formoso
de luz que tantos gracejos
paridos invocam no improviso
da imensurabilidade da vida
com que te festejo
Basta deixar-te apalavrado
o gesto de boas vindas
descansando nessa maravilhosa
luz despedindo-se do dia
num adeus indigente
deixado no gueto
dos nossos lamentos
timidos e tão literalmente
complacentes
É tempo de perfumar
todos os aromas vindos
na solvência primaveril
do dia
É hora de aplaudir todo
o despertar quotidiano
onde imortalizamos nossos
sonhos mais tácitos
exauridos na revelação da vida
peregrinando súbita
pelo aconchego dos meus
silêncios incautos... sem mais
indultos, avassaladoramente
(in)suspeitos
Frederico de Castro
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Nas margens do tempo

Fui correndo atrás do tempo
preenchendo cada anoitecer
com o poente apressado que
em fugas cintilando
nos surpreende e embriaga
Retratei felizes migrações
viciadas em teu sorriso
pra junto das nossas súbtis
existências
onde moram os poemas
encarcerados
bisbilhotando apenas cada recanto
onde guardei a
alma inteira
alojada pra sempre
à vida onde nos consumimos
em labaredas matreiras
Domaremos felizes esse fogo
derradeiro
deslizando pelas cumeeiras
onde se rematam todas as
aliciantes loucuras
todas as urdidas
e devoradoras aventuras
E na procura incessante
dos desejos onde te
ostentas aliciante
partilho esta imensidão de tempo
que urge tão viciante
Apaziguo todos os silêncios
nas margens da vida
onde se extravasam nossas
súplicas quase inacabadas
nossos beijos deixados
sózinhos...até nunca mais
Sigo hoje os mesmos
roteiros do tempo
deixando no paisagismo
dos ventos
um delirante e indisfarçável
gomo de beijos
espalhados na maciez madrugadora
de cada hora
onde se atropelam
exaustivos abraços
fantasiando com benevolência
o grau de parentesco onde
nos embebedados de amor
sem mais embaraços
Resta seguir somente a fragrância
do teu perfume onde me incorporo
feliz, táctil
colorindo as margens do tempo
que corre em teu encalço
a cada hora matutina que se
avizinha assim tão ágil
Frederico de Castro
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