Lista de Poemas
No teu palco

No elenco do tempo
saudamos cada recital de palavras
eloquentes
Decifrámos os ritos
de todas as paixões impetuosas
e convergentes
Recompensámos cada cena
neste palco sem artifícios
onde criamos vida
alegrando a plateia
com teus olhares complacentes
no equinócio de um cio reíncidente
Preenchemos universos
de poesia
transbordando na impaciente
manhã que regurgita
em presságios de amor
que interpreto quase em heresia
Gratificámos com aplausos
todo fecundo cenário
onde se arquitectam
reveladoras emoções
fechando as cortinas
no palco de todas as insurreições
No silêncio da vida
onde agora trajo com amor
as palavras meigas
onde agora trajo com amor
as palavras meigas
desabito meus cantos
suspirando por tuas loucuras
bailando na expectativa
de tantas inebriantes travessuras
O tempo promulga cada existência
impregnando minha escrivaninha
com apalavrados cânticos
perambulando pelos
bastidores dos teus insinuantes
gestos semânticos
Emprestemos à coreografia
da vida
todos os sorrisos trilhados
no roteiro de cada cena
galgando meu vocabulário
intimista
embebedando estrofes
tão malabaristas
Vou deixar somente
que os ecos infusos aplaquem
o romântismo travesso
saltitando em cada métrica
aclopada a nós de ilusões
colorindo com requinte
estes versos meus
fecundando mil sombras
se imolando no anfiteatro
das nossas paixões
Frederico de Castro
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Geometria da beleza

Assim se desenha um sorriso
Mesmo que imaginário
Ele está ali à mão
Tatuado com lápis
Na geometria da emoção
Assim se pinta a beleza
Com traços de tanta envidência
Onde mora a arte
Que esta folha de papel
Tentadoramente reverência
Frederico de Castro
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Tempo de afectos

Despeço-me dos afectos que
se enrolam no tempo
turvando o olhar que divaga
em ondas insufladas de esperança
chicoteadas com tanta fragilidade
Contento-me em atar
os meus destinos
ao final de uma eternidade
que nos acena no indigente
dia que morre quase felino
Aceito cada gomo de solidão
como quem destranca todas as portas
deixadas entreabertas no limiar
genuíno de cada beijo trajado no anonimato
de todos os ecos costurados em sofreguidão
Na elegia deste adeus
me afasto na escuridão
ou na meiguice do teu perfil
onde apréguo mais que os silêncios
a tua essência matreira
prenhe de emoções quotidianas
moldando-nos a todas as
homenagens validadas no tempo
que urge tácito
neste Outono perene e tão pálido
Vou deixar por instantes
que adormeças todos os meus céus
algemando a luz como troféu
pousar em todas as minhas luas
amadurecer todas as minhas ternuras
como a fé que se propaga marginal
entre a baínha de tempo
e as paisagens que afloram nos ventos
e rituais de eterna formosura
Vou ficar quieto
até sossegar a alma que se
gera em cada excêntrica hora
de aventura
Vou confiar na imaginação que
cruza cada inolvidável dimensão
do tempo
Alimentar-me de cada átomo
quântico que decifra meu
vocabulário dançarino
orbitando na magnitude de um
beijo matutino
onde em acordes de amor
deixo que todo este
cosmos longínquo me transforme
num poema afagado em clamor
derradeiro...infinito
Frederico de Castro
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Espreitadelas

Fui no tempo pintando
teus relevos no vento
Escrutinei os céus
em busca dos beijos
filtrados pelas nuvens
onde sequencialmente
nos albergamos satisfeitos
Fui no tempo
nutrir-me de vida
protagonizar outros
segredos deixados
amarrotados em lençóis
despojados de memórias
Fui decretar aos sentidos
que sem malícias
um dia nos extasiamos
quebrando todas as demências
Domesticámos as esperas
despimos as saudades
ressuscitámos o silêncio
onde exprimimos
actos consentidos de amor
habitando as manhãs transitórias
amadurecidas de euforia
Um dia nossos seres
deixarão esculpidos
com elegância inconfundível
os ecos deste amor
para gáudio dos empaturrados
desejos
em plena simetria
Fui
e não mais voltei
deixei outras ausências
estampadas na indigência
dos tempos
Simplesmente faleci
neste vagar dos ventos
onde proscrito me entrego
peremptório e homologado
espreitando-te súbtil
na extravagância desse gingar
quando por mim tão alegre
e graciosa serpenteias
Frederico de Castro
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Musicando...

A musica tem asas
e para os ventos se eleva
povoando toda a harmonia
com ritmos tão apaixonados,
revelando a arquitectura
num hino que invento
ao despertar o canto
dissimulado no silêncio
dos teus prantos...
Frederico de Castro
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De cor e salteado

Algumas palavras
sei-as de cor
outras vislumbro-as
salteadas
no guião deste verso
enssopado no licor
dos teus beijos
Em palavras escorregadias
quebras meus silêncios
espelhados em cada lampejo
de amor
onde albergamos gestos
enfunados de paixão
guardados no cântaro
de cada fragrância, banhando
a pecularidade desta solidão
sempre, sempre...em ebolição
Soltei as palavras, qual incenso
sem as memorizar
Voei daqui, volatilizado
até me seduzir nos véus
da tua esperança
pernoitando no destino
dos teus braços
numa procissão de fé
em orações
fatalmente tão resignado
Ninguém mais viu
a alegria quando te acenei
minha euforia
Ninguém revelou teus sorrisos
quase hilariantes
Ninguém surpreendeu o silêncio
quando calei minha voz
só pra te algemar de vez
em nossas loucas simetrias
Todos viram outras
páginas de um fim
sem desfecho
num livro onde não
mais aconteço
pois da alma somente
vislumbro o eterno começo
da vida
conversando sossegada
ao sabor de cada verso onde
em ti cordialmente transpareço
Frederico de Castro
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Procurei por ontem...

Encontrei
na soleira do tempo
o último degrau ao cimo
do horizonte estonteante
onde a noite se despe grisalha
embriagante
Procurei por ontem
mais que tuas evidências
insinuantes
a quietude poética
onde me abandono
em ti redundante
Tanto,tanto ansiei
e somente encontrei
as essências camufladas
em doces gargalhadas
velando um raio de sol
que se dissipa em teu
generoso colo quase flamejante
Procurei por ontem
despoletar em nós todos
os afectos e utopias
que planejei
Resguardei pra sempre
aquelas meigas manhãs
onde apressados
nem finda sequer a noite
ressuscitávamos estirados
no breve tempo que mingua
tão sedutor e ofegante
Procurei por ontem
e sei
que amanhã despentearemos
as saudades regurgitando
nossa vida em múltiplas
cascatas de beijos
tão extravagantes
Procurei por ontem
saber porque existes
num dia qualquer
depois de amanhã
quando emigrares
feliz em cada silêncio
que jaz em nós assim
de rompante
coleccionando todas
as cumplicidades tateantes
agraciando o ser que
em ti desabrocha tão pujante
Hoje encontrei-te colorindo
a janela do meu tempo
onde dormito itinerante
fundindo-me em tuas planícies
emanando ali toda a formosura
espelhada num cálice de néctar
onde te bebo com delicadeza
embriagando todas as fiéis harmonias
que teu ser meticulosamente
surpreende e embeleza
Frederico de Castro - ao Ciro meu filho terceiro
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Nas margens do tempo

Fui correndo atrás do tempo
preenchendo cada anoitecer
com o poente apressado que
em fugas cintilando
nos surpreende e embriaga
Retratei felizes migrações
viciadas em teu sorriso
pra junto das nossas súbtis
existências
onde moram os poemas
encarcerados
bisbilhotando apenas cada recanto
onde guardei a
alma inteira
alojada pra sempre
à vida onde nos consumimos
em labaredas matreiras
Domaremos felizes esse fogo
derradeiro
deslizando pelas cumeeiras
onde se rematam todas as
aliciantes loucuras
todas as urdidas
e devoradoras aventuras
E na procura incessante
dos desejos onde te
ostentas aliciante
partilho esta imensidão de tempo
que urge tão viciante
Apaziguo todos os silêncios
nas margens da vida
onde se extravasam nossas
súplicas quase inacabadas
nossos beijos deixados
sózinhos...até nunca mais
Sigo hoje os mesmos
roteiros do tempo
deixando no paisagismo
dos ventos
um delirante e indisfarçável
gomo de beijos
espalhados na maciez madrugadora
de cada hora
onde se atropelam
exaustivos abraços
fantasiando com benevolência
o grau de parentesco onde
nos embebedados de amor
sem mais embaraços
Resta seguir somente a fragrância
do teu perfume onde me incorporo
feliz, táctil
colorindo as margens do tempo
que corre em teu encalço
a cada hora matutina que se
avizinha assim tão ágil
Frederico de Castro
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Em movimento...

Energia
= mc²
Dinâmica ou Principio
da Relatividade
Equação em alvoroço
Caminhando em toda a expressividade
- Em movimentos despressurizados
Atraímos a quântica do tempo
Relativizamos os impulsos vibrantes
ágeis
nesta fusão louca
acelerada e táctil
- Em movimentos táteis
reencontro gravitando
nesta existência fantástica
nossas órbitas celestiais
cavalgando estilísticas aritméticas
factuais
- Em movimento radioso
astronautico
observamos cometas
asteróides
Baseamos a física
num poema teórico
rompendo os céus
pela Estrada de Santiago
quase meteórico
- Em movimentos
equacionamos distâncias
resolvemos ideologias
unimos o cosmos
desfragmentamos crenças
medicando sem profilaxias
- Em Movimento
gravitamos na inércia
do tempo
ficamos sujeitos à massa
do corpo X aceleração
extinguimos-nos graciosos
ao raiar de cada aurora
boreal
orbitando nossa universalidade
em utopias breves, fugídias
quase irreais
- Em movimentos
se agigantam poemas
com grandeza sideral
Se refrescam de brisas
excelsas
todo o sublime sentimento
onde deambulam nocturnas
atmosferas rarefeitas
surpreendendo feliz
o etéreo despojo de uma
excentricidade planetária
onde nos emancipamos
daqui até mais além...
Frederico de Castro
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Anatomia da solidão

Tatuei no tempo
todas as marcas onde
desenhei um momento
seguinte
disperso no passado
circunstancial ao lugar
imergindo flagrante em todas
as marés onde ocorro
pra tuas lágrimas enxugar
Rebusquei nos austeros dias
um momento de inspiração
onde me refaço a cada alvorecer
promulgando cantos de liberdade
onde por fim me ausento e embebedo
até a saudade se calar
inteira
prostrada
Em actos condimentados
de poesia em celebração
sei que valeu a pena
quando invadi tuas
existências ancoradas
a estas latejantes palavras
assomando até ao altar
dos céus mais longínquos
enfeitando-nos o tempo
que nos separa contíguo
ao preciso momento onde nos
instigamos ao amor proliferando
assim tão exíguo
Pelos sulcos desta vida
feita de despedidas
acendo todas as lamparinas
da esperança que nas
veias reacende e guia
cada chama que restou em nós
cada eco aludido em vão
ou breve rumor acometido
e visionado no instante
que se apressa em celebração
Assim me abrigo nos teus
prantos
e depois mergulho em todos
os silêncios exactos
patrocinando a esta simples
página de vida
todo o desbravar dos teus horizontes
onde lavro a anatomia da solidão
Por fim até o céu se embeleza sublime
na expectativa mensageira dos ventos
onde mesclamos os tempos
ali vagando unânimes
alimentando a gratidão
e as sílabas em delícias subtilmente
ancoradas no calendário da nossa
exacta monotonia
vestida a rigôr
monitorando o tempo e cada espera
que desespera em sincronia
na expectativa mensageira dos ventos
onde mesclamos os tempos
ali vagando unânimes
alimentando a gratidão
e as sílabas em delícias subtilmente
ancoradas no calendário da nossa
exacta monotonia
vestida a rigôr
monitorando o tempo e cada espera
que desespera em sincronia
Frederico de Castro
👁️ 522
Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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