Escritas

Lista de Poemas

No teu palco





No elenco do tempo
saudamos cada recital de palavras
eloquentes
Decifrámos os ritos
de todas as paixões impetuosas
e convergentes
Recompensámos cada cena
neste palco sem artifícios
onde criamos vida
alegrando a plateia
com teus olhares complacentes
no equinócio de um cio reíncidente
Preenchemos universos
de poesia
transbordando na impaciente
manhã que regurgita
em presságios de amor
que interpreto quase em heresia
Gratificámos com aplausos
todo fecundo cenário
onde se arquitectam
reveladoras emoções
fechando as cortinas
no palco de todas as insurreições
No silêncio da vida

onde agora trajo com amor

as palavras meigas
desabito meus cantos
suspirando por tuas loucuras
bailando na expectativa
de tantas inebriantes travessuras
O tempo promulga cada existência
impregnando minha escrivaninha
com apalavrados cânticos
perambulando pelos
bastidores dos teus insinuantes
gestos semânticos
Emprestemos à coreografia
da vida
todos os sorrisos trilhados
no roteiro de cada cena
galgando meu vocabulário
intimista
embebedando estrofes
tão malabaristas
Vou deixar somente
que os ecos infusos aplaquem
o romântismo travesso
saltitando em cada métrica
aclopada a nós de ilusões
colorindo com requinte
estes versos meus
fecundando mil sombras
se imolando no anfiteatro
das nossas paixões

Frederico de Castro
👁️ 512

Geometria da beleza




Assim se desenha um sorriso
Mesmo que imaginário
Ele está ali à mão
Tatuado com lápis
Na geometria da emoção
Assim se pinta a beleza
Com traços de tanta envidência
Onde mora a arte
Que esta folha de papel
Tentadoramente reverência


Frederico de Castro
👁️ 619

Tempo de afectos




Despeço-me dos afectos que

se enrolam no tempo

turvando o olhar que divaga

em ondas insufladas de esperança

chicoteadas com tanta fragilidade


Contento-me em atar

os meus destinos

ao final de uma eternidade

que nos acena no indigente

dia que morre quase felino


Aceito cada gomo de solidão

como quem destranca todas as portas

deixadas entreabertas no limiar

genuíno de cada beijo trajado no anonimato

de todos os ecos costurados em sofreguidão


Na elegia deste adeus

me afasto na escuridão

ou na meiguice do teu perfil

onde apréguo mais que os silêncios

a tua essência matreira

prenhe de emoções quotidianas

moldando-nos a todas as

homenagens validadas no tempo

que urge tácito

neste Outono perene e tão pálido


Vou deixar por instantes

que adormeças todos os meus céus

algemando a luz como troféu

pousar em todas as minhas luas

amadurecer todas as minhas ternuras

como a fé que se propaga marginal

entre a baínha de tempo

e as paisagens que afloram nos ventos

e rituais de eterna formosura


Vou ficar quieto

até sossegar a alma que se

gera em cada excêntrica hora

de aventura

Vou confiar na imaginação que

cruza cada inolvidável dimensão

do tempo


Alimentar-me de cada átomo

quântico que decifra meu

vocabulário dançarino

orbitando na magnitude de um

beijo matutino

onde em acordes de amor

deixo que todo este

cosmos longínquo me transforme

num poema afagado em clamor

derradeiro...infinito


Frederico de Castro
👁️ 419

Espreitadelas




Fui no tempo pintando

teus relevos no vento

Escrutinei os céus

em busca dos beijos

filtrados pelas nuvens

onde sequencialmente

nos albergamos satisfeitos


Fui no tempo

nutrir-me de vida

protagonizar outros

segredos deixados

amarrotados em lençóis

despojados de memórias


Fui decretar aos sentidos

que sem malícias

um dia nos extasiamos

quebrando todas as demências

Domesticámos as esperas

despimos as saudades

ressuscitámos o silêncio

onde exprimimos

actos consentidos de amor

habitando as manhãs transitórias

amadurecidas de euforia


Um dia nossos seres

deixarão esculpidos

com elegância inconfundível

os ecos deste amor

para gáudio dos empaturrados

desejos

em plena simetria


Fui

e não mais voltei

deixei outras ausências

estampadas na indigência

dos tempos

Simplesmente faleci

neste vagar dos ventos

onde proscrito me entrego

peremptório e homologado

espreitando-te súbtil

na extravagância desse gingar

quando por mim tão alegre

e graciosa serpenteias


Frederico de Castro
👁️ 431

Musicando...



A musica tem asas
e para os ventos se eleva
povoando toda a harmonia
com ritmos tão apaixonados,
revelando a arquitectura
num hino que invento
ao despertar o canto
dissimulado no silêncio
dos teus prantos...

Frederico de Castro
👁️ 369

De cor e salteado




Algumas palavras

sei-as de cor

outras vislumbro-as

salteadas

no guião deste verso

enssopado no licor

dos teus beijos


Em palavras escorregadias

quebras meus silêncios

espelhados em cada lampejo

de amor

onde albergamos gestos

enfunados de paixão

guardados no cântaro

de cada fragrância, banhando

a pecularidade desta solidão

sempre, sempre...em ebolição


Soltei as palavras, qual incenso

sem as memorizar

Voei daqui, volatilizado

até me seduzir nos véus

da tua esperança

pernoitando no destino

dos teus braços

numa procissão de fé

em orações

fatalmente tão resignado


Ninguém mais viu

a alegria quando te acenei

minha euforia

Ninguém revelou teus sorrisos

quase hilariantes

Ninguém surpreendeu o silêncio

quando calei minha voz

só pra te algemar de vez

em nossas loucas simetrias


Todos viram outras

páginas de um fim

sem desfecho

num livro onde não

mais aconteço

pois da alma somente

vislumbro o eterno começo

da vida

conversando sossegada

ao sabor de cada verso onde

em ti cordialmente transpareço


Frederico de Castro
👁️ 437

Procurei por ontem...





Encontrei

na soleira do tempo

o último degrau ao cimo

do horizonte estonteante

onde a noite se despe grisalha

embriagante


Procurei por ontem

mais que tuas evidências

insinuantes

a quietude poética

onde me abandono

em ti redundante


Tanto,tanto ansiei

e somente encontrei

as essências camufladas

em doces gargalhadas

velando um raio de sol

que se dissipa em teu

generoso colo quase flamejante


Procurei por ontem

despoletar em nós todos

os afectos e utopias

que planejei

Resguardei pra sempre

aquelas meigas manhãs

onde apressados

nem finda sequer a noite

ressuscitávamos estirados

no breve tempo que mingua

tão sedutor e ofegante


Procurei por ontem

e sei

que amanhã despentearemos

as saudades regurgitando

nossa vida em múltiplas

cascatas de beijos

tão extravagantes


Procurei por ontem

saber porque existes

num dia qualquer

depois de amanhã

quando emigrares

feliz em cada silêncio

que jaz em nós assim

de rompante

coleccionando todas

as cumplicidades tateantes

agraciando o ser que

em ti desabrocha tão pujante


Hoje encontrei-te colorindo

a janela do meu tempo

onde dormito itinerante

fundindo-me em tuas planícies

emanando ali toda a formosura

espelhada num cálice de néctar

onde te bebo com delicadeza

embriagando todas as fiéis harmonias

que teu ser meticulosamente

surpreende e embeleza


Frederico de Castro - ao Ciro meu filho terceiro

👁️ 397

Nas margens do tempo






Fui correndo atrás do tempo

preenchendo cada anoitecer

com o poente apressado que

em fugas cintilando

nos surpreende e embriaga


Retratei felizes migrações

viciadas em teu sorriso

pra junto das nossas súbtis

existências

onde moram os poemas

encarcerados

bisbilhotando apenas cada recanto

onde guardei a

alma inteira

alojada pra sempre

à vida onde nos consumimos

em labaredas matreiras


Domaremos felizes esse fogo

derradeiro

deslizando pelas cumeeiras

onde se rematam todas as

aliciantes loucuras

todas as urdidas

e devoradoras aventuras


E na procura incessante

dos desejos onde te

ostentas aliciante

partilho esta imensidão de tempo

que urge tão viciante


Apaziguo todos os silêncios

nas margens da vida

onde se extravasam nossas

súplicas quase inacabadas

nossos beijos deixados

sózinhos...até nunca mais


Sigo hoje os mesmos

roteiros do tempo

deixando no paisagismo

dos ventos

um delirante e indisfarçável

gomo de beijos

espalhados na maciez madrugadora

de cada hora

onde se atropelam

exaustivos abraços

fantasiando com benevolência

o grau de parentesco onde

nos embebedados de amor

sem mais embaraços


Resta seguir somente a fragrância

do teu perfume onde me incorporo

feliz, táctil

colorindo as margens do tempo

que corre em teu encalço

a cada hora matutina que se

avizinha assim tão ágil


Frederico de Castro
👁️ 350

Em movimento...




Energia
= mc²
Dinâmica ou Principio
da Relatividade
Equação em alvoroço
Caminhando em toda a expressividade
- Em movimentos despressurizados
Atraímos a quântica do tempo
Relativizamos os impulsos vibrantes
ágeis
nesta fusão louca
acelerada e táctil
- Em movimentos táteis
reencontro gravitando
nesta existência fantástica
nossas órbitas celestiais
cavalgando estilísticas aritméticas
factuais
- Em movimento radioso
astronautico
observamos cometas
asteróides
Baseamos a física
num poema teórico
rompendo os céus
pela Estrada de Santiago
quase meteórico
- Em movimentos
equacionamos distâncias
resolvemos ideologias
unimos o cosmos
desfragmentamos crenças
medicando sem profilaxias
- Em Movimento
gravitamos na inércia
do tempo
ficamos sujeitos à massa
do corpo X aceleração
extinguimos-nos graciosos
ao raiar de cada aurora
boreal
orbitando nossa universalidade
em utopias breves, fugídias
quase irreais
- Em movimentos
se agigantam poemas
com grandeza sideral
Se refrescam de brisas
excelsas
todo o sublime sentimento
onde deambulam nocturnas
atmosferas rarefeitas
surpreendendo feliz
o etéreo despojo de uma
excentricidade planetária
onde nos emancipamos
daqui até mais além...

Frederico de Castro
👁️ 439

Anatomia da solidão





Tatuei no tempo
todas as marcas onde
desenhei um momento
seguinte
disperso no passado
circunstancial ao lugar
imergindo flagrante em todas
as marés onde ocorro
pra tuas lágrimas enxugar
Rebusquei nos austeros dias
um momento de inspiração
onde me refaço a cada alvorecer
promulgando cantos de liberdade
onde por fim me ausento e embebedo
até a saudade se calar
inteira
prostrada
Em actos condimentados
de poesia em celebração
sei que valeu a pena
quando invadi tuas
existências ancoradas
a estas latejantes palavras
assomando até ao altar
dos céus mais longínquos
enfeitando-nos o tempo
que nos separa contíguo
ao preciso momento onde nos
instigamos ao amor proliferando
assim tão exíguo
Pelos sulcos desta vida
feita de despedidas
acendo todas as lamparinas
da esperança que nas
veias reacende e guia
cada chama que restou em nós
cada eco aludido em vão
ou breve rumor acometido
e visionado no instante
que se apressa em celebração
Assim me abrigo nos teus
prantos
e depois mergulho em todos
os silêncios exactos
patrocinando a esta simples
página de vida
todo o desbravar dos teus horizontes
onde lavro a anatomia da solidão
Por fim até o céu se embeleza sublime

na expectativa mensageira dos ventos

onde mesclamos os tempos

ali vagando unânimes

alimentando a gratidão

e as sílabas em delícias subtilmente

ancoradas no calendário da nossa

exacta monotonia

vestida a rigôr

monitorando o tempo e cada espera

que desespera em sincronia

Frederico de Castro
👁️ 522

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!