Escritas

Cidade celestial

Frederico de Castro



Para lá de todas

as fantasias dormitando

entre celestiais coreografias

do tempo

submergem felizes

os ventos gratinando a vida

que brada veemente

em tons e matizes coloridas

de esplendor

consumindo a brevidade

e as longas horas

em que respiro cada revelação

escrita em profecias coloridas

de unanimidade


Eis-me flertando o teu silêncio

Eis-me falsificando o tempo

só pra te ter recôndita

em mim

Eis-me conivente

com tuas inocências

solidário, diligente

exergando-te sem ambiguidades

sucessivamente


Preso à plenitude da manhã

onde dissecamos as saudades

deixadas

tão óbvias,tão cordialmente

Encontrar-nos-emos

em outras cidades celestiais

transformando a morada

dos nossos seres em

engenhosos pilares que

sustentam o amor


Consumaremos as palavras

invisíveis em ecos

penitentes de fé

Satisfaremos cada existência

meditando na solidão

que foge tão inesgotável

num ápice

deixando-nos só um

longínquo e breve adeus

sem domícilio nem remissão


Eis-me aqui

figurante do tempo

neste teatro de vida

onde me exilo ágil

enclausurado no funil

deste destino

desfilando em enredos

tão tácteis


Eis-me aqui

onde habito deportado

rabiscando um verso

devorador,

esculpindo-te desapressado

sem arestas de melancolia

nem a penumbra de um

raio de sol arisco

iluminando esta noite insólita

que morre esquiva

nas prateleiras do tempo

lambendo somente cada desejo

mais intrusivo

galgando-te volátil, ostensivo


Frederico de Castro
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