Lista de Poemas
Perfeito silêncio

Vou deixar quieto
o meu silêncio
Contentar-me em alegrar a fachada
onde deposito plenas gargalhadas
embrulhadas no tempo perfeito
quando enfeito todas as calmarias
debruçadas na ténue luz da manhã
que respira escaldando minh'alma
escancarada
no páteo de tuas cantarias
- Esqueci-me das palavras
neste perfeito silêncio
Penetrei nas sombras da noite
atando-te ao gomo de luar
onde semeio uma grata aurora
forasteira
em ondas ébrias entardecendo
meus horizontes, vagando por ali
nas tuas trincheiras
- Afogámos nossas esperanças
num almanaque de palavras gentis
içando estes versos
num perfeito silêncio
convergindo num destino que pulsa
velando nossa existência infinita
manufacturada na fímbria da noite
que agora fenece tão explicita
- Observo o madrugar dos meus
sentimentos
velar-te imarcescível
enquanto partilho pelas veredas
do tempo
um solicito beijo correndo
apressado por ti
tão apetecível
- Parei do lado do tempo
plausível
entregando-me ao feliz
suspiro deste perfeito
silêncio
quase irreversível
- Deixei-te sem palavras...irrepetíveis
nem saudades intransponíveis
apenas o que restou
deste poema em fragmentos
proféticos abotoado ao degredo
que me deixou tentadoramente
por ti disponível
na eternidade implacável
de um silêncio sorrateiramente inaudível
Frederico de Castro
Lágrimas do mar

Abre-me todas as janelas
Fissuras no tempo

Prometeste fantasiar-me
as noites com luzeiros
matizados de poesia
iluminando meus silêncios
lúcidos
deportados no equinócio
primaveril
onde germina teu celeste
horizonte remisso
alinhando-nos em bailados
de amor...com arte
de um sorriso que
feliz
eu sei
tantos,extasia
Prometeste desmascarar
o tempo onde nos comprometemos
aliciando a vida
plagiada
com rimas e ritmos lavrados
ao sabor da essência que
perfuma nossa solidão
espraiada em actos conciliados
de amor em conspiração
Recorremos num ápice
à poesia que nos revela
observando a criatividade
onde edificámos nossas existências
proliferando em cada palavra
asfixiada numa
estrofe trajada de
suspiros sorrateiros
desabrochando breve
em tangentes de pura longanimidade
Na poesia
mora toda minha solidão
reportada na fissura
do tempo
onde colho todos os lamentos
deixados na excentricidade
chorosa de um sonho
atiçado...em deslumbramento
Em cada noite que restar
repartiremos a elegância
num gomo de luz
até esta se fazer em
novos ciclos de vida explícita
predestinada
escrita nesta ortografia
grávida de contentamento
Frederico de Castro
Voltar no tempo

Decifra-me se puderes
No aconchego dos silêncios
Sopram os ventos
Cidade celestial

Para lá de todas
as fantasias dormitando
entre celestiais coreografias
do tempo
submergem felizes
os ventos gratinando a vida
que brada veemente
em tons e matizes coloridas
de esplendor
consumindo a brevidade
e as longas horas
em que respiro cada revelação
escrita em profecias coloridas
de unanimidade
Eis-me flertando o teu silêncio
Eis-me falsificando o tempo
só pra te ter recôndita
em mim
Eis-me conivente
com tuas inocências
solidário, diligente
exergando-te sem ambiguidades
sucessivamente
Preso à plenitude da manhã
onde dissecamos as saudades
deixadas
tão óbvias,tão cordialmente
Encontrar-nos-emos
em outras cidades celestiais
transformando a morada
dos nossos seres em
engenhosos pilares que
sustentam o amor
Consumaremos as palavras
invisíveis em ecos
penitentes de fé
Satisfaremos cada existência
meditando na solidão
que foge tão inesgotável
num ápice
deixando-nos só um
longínquo e breve adeus
sem domícilio nem remissão
Eis-me aqui
figurante do tempo
neste teatro de vida
onde me exilo ágil
enclausurado no funil
deste destino
desfilando em enredos
tão tácteis
Eis-me aqui
onde habito deportado
rabiscando um verso
devorador,
esculpindo-te desapressado
sem arestas de melancolia
nem a penumbra de um
raio de sol arisco
iluminando esta noite insólita
que morre esquiva
nas prateleiras do tempo
lambendo somente cada desejo
mais intrusivo
galgando-te volátil, ostensivo
Frederico de Castro
Olhos nos Olhos

Deixaste-a
assim, minha vida
olhos nos olhos
na grafia singela
dos meus cantos de alegria
que assim persigo na periferia
desta já longa travessia
assim tu me queiras
sem mais utopias
assim eternos numa
longa cinematografia
Frederico de Castro
Um de nós...

Latido dos silêncios

Sigo o latido dos
silêncios que correm
em debandada
Desperto no dia
insurgindo-me no valsar
de tantas gargalhadas que
teu sol irradia
Renova-se cada milagre
saltitando em sinfonias
doidas
sem rédias
silenciosamente selvagens
deambulando neste poema
ancorado em rebeldia
Descanso por fim
enfeitando a noite
estupefacta
tão solitária como a hora
que se despe no tempo
quase intacta
O perfume que o dia tece
em tuas pétalas trajadas
de primaveras
inunda de cor
as constelações docemente
iluminando todas as essências
viajando na minúcia deste poema
caiado de alegria sorrateiramente
Ali é onde albergo a meiguice
ensurdecedora de um beijo
imergindo
delicadamente em ti
em soluços condimentados de euforia
que num instante breve
latindo
a todos embebeda e inebria
Frederico de Castro
Indumentária furtiva

Recordo tudo com a memória
vinculada em mim
Engaveto saudades em prateleiras
disponíveis no passar dos tempos
Faculto à liberdade todas as
algemas onde imponho
cada presídio cativo dentro de mim
Deixo pra outros uma
parcela de futuro
onde não cabe mais
a centelha de tempo passado
enterrado...prematuro
Deixo-me saborear em cada maré
sorvendo a maresia
renascida no invólucro do tempo
apressadamente renovado
desbravando cada madrugada
ao teu jeito... nesse vai e vem
cavalgando nos acordes do destino
que tão aconchegado a mim
acalenta e anestesia
Escuto nos ventos
outras badaladas em
cada hora onde vago
esmaeço felizes e irrequietas
memórias
deixadas na colecção dos
murmúrios virtualmente
escritos em cada inescrutável
momento da história
Fugi pra sempre
e nem endereço te deixo
sei somente onde plantar
cada detalhe inesperadamente
tatuado na doçura de um sorrido
tão crucial...tão tacitamente
Perpetuamos instantes
deixando nossas indumentárias
vaporizar-se furtivas
rasgando a noite
com céus adornados de desejos
simétricos, intuitivos
conspirando por entre sombras
desta vida se escapulindo
em versos renovados na amalgama
de tantos abraços que deixei
expontâneamente quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
Comentários (3)
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
Português
English
Español