Lista de Poemas
De cor e salteado

Algumas palavras
sei-as de cor
outras vislumbro-as
salteadas
no guião deste verso
enssopado no licor
dos teus beijos
Em palavras escorregadias
quebras meus silêncios
espelhados em cada lampejo
de amor
onde albergamos gestos
enfunados de paixão
guardados no cântaro
de cada fragrância, banhando
a pecularidade desta solidão
sempre, sempre...em ebolição
Soltei as palavras, qual incenso
sem as memorizar
Voei daqui, volatilizado
até me seduzir nos véus
da tua esperança
pernoitando no destino
dos teus braços
numa procissão de fé
em orações
fatalmente tão resignado
Ninguém mais viu
a alegria quando te acenei
minha euforia
Ninguém revelou teus sorrisos
quase hilariantes
Ninguém surpreendeu o silêncio
quando calei minha voz
só pra te algemar de vez
em nossas loucas simetrias
Todos viram outras
páginas de um fim
sem desfecho
num livro onde não
mais aconteço
pois da alma somente
vislumbro o eterno começo
da vida
conversando sossegada
ao sabor de cada verso onde
em ti cordialmente transpareço
Frederico de Castro
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Musicando...

A musica tem asas
e para os ventos se eleva
povoando toda a harmonia
com ritmos tão apaixonados,
revelando a arquitectura
num hino que invento
ao despertar o canto
dissimulado no silêncio
dos teus prantos...
Frederico de Castro
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Anatomia da solidão

Tatuei no tempo
todas as marcas onde
desenhei um momento
seguinte
disperso no passado
circunstancial ao lugar
imergindo flagrante em todas
as marés onde ocorro
pra tuas lágrimas enxugar
Rebusquei nos austeros dias
um momento de inspiração
onde me refaço a cada alvorecer
promulgando cantos de liberdade
onde por fim me ausento e embebedo
até a saudade se calar
inteira
prostrada
Em actos condimentados
de poesia em celebração
sei que valeu a pena
quando invadi tuas
existências ancoradas
a estas latejantes palavras
assomando até ao altar
dos céus mais longínquos
enfeitando-nos o tempo
que nos separa contíguo
ao preciso momento onde nos
instigamos ao amor proliferando
assim tão exíguo
Pelos sulcos desta vida
feita de despedidas
acendo todas as lamparinas
da esperança que nas
veias reacende e guia
cada chama que restou em nós
cada eco aludido em vão
ou breve rumor acometido
e visionado no instante
que se apressa em celebração
Assim me abrigo nos teus
prantos
e depois mergulho em todos
os silêncios exactos
patrocinando a esta simples
página de vida
todo o desbravar dos teus horizontes
onde lavro a anatomia da solidão
Por fim até o céu se embeleza sublime
na expectativa mensageira dos ventos
onde mesclamos os tempos
ali vagando unânimes
alimentando a gratidão
e as sílabas em delícias subtilmente
ancoradas no calendário da nossa
exacta monotonia
vestida a rigôr
monitorando o tempo e cada espera
que desespera em sincronia
na expectativa mensageira dos ventos
onde mesclamos os tempos
ali vagando unânimes
alimentando a gratidão
e as sílabas em delícias subtilmente
ancoradas no calendário da nossa
exacta monotonia
vestida a rigôr
monitorando o tempo e cada espera
que desespera em sincronia
Frederico de Castro
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Em movimento...

Energia
= mc²
Dinâmica ou Principio
da Relatividade
Equação em alvoroço
Caminhando em toda a expressividade
- Em movimentos despressurizados
Atraímos a quântica do tempo
Relativizamos os impulsos vibrantes
ágeis
nesta fusão louca
acelerada e táctil
- Em movimentos táteis
reencontro gravitando
nesta existência fantástica
nossas órbitas celestiais
cavalgando estilísticas aritméticas
factuais
- Em movimento radioso
astronautico
observamos cometas
asteróides
Baseamos a física
num poema teórico
rompendo os céus
pela Estrada de Santiago
quase meteórico
- Em movimentos
equacionamos distâncias
resolvemos ideologias
unimos o cosmos
desfragmentamos crenças
medicando sem profilaxias
- Em Movimento
gravitamos na inércia
do tempo
ficamos sujeitos à massa
do corpo X aceleração
extinguimos-nos graciosos
ao raiar de cada aurora
boreal
orbitando nossa universalidade
em utopias breves, fugídias
quase irreais
- Em movimentos
se agigantam poemas
com grandeza sideral
Se refrescam de brisas
excelsas
todo o sublime sentimento
onde deambulam nocturnas
atmosferas rarefeitas
surpreendendo feliz
o etéreo despojo de uma
excentricidade planetária
onde nos emancipamos
daqui até mais além...
Frederico de Castro
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Espreitadelas

Fui no tempo pintando
teus relevos no vento
Escrutinei os céus
em busca dos beijos
filtrados pelas nuvens
onde sequencialmente
nos albergamos satisfeitos
Fui no tempo
nutrir-me de vida
protagonizar outros
segredos deixados
amarrotados em lençóis
despojados de memórias
Fui decretar aos sentidos
que sem malícias
um dia nos extasiamos
quebrando todas as demências
Domesticámos as esperas
despimos as saudades
ressuscitámos o silêncio
onde exprimimos
actos consentidos de amor
habitando as manhãs transitórias
amadurecidas de euforia
Um dia nossos seres
deixarão esculpidos
com elegância inconfundível
os ecos deste amor
para gáudio dos empaturrados
desejos
em plena simetria
Fui
e não mais voltei
deixei outras ausências
estampadas na indigência
dos tempos
Simplesmente faleci
neste vagar dos ventos
onde proscrito me entrego
peremptório e homologado
espreitando-te súbtil
na extravagância desse gingar
quando por mim tão alegre
e graciosa serpenteias
Frederico de Castro
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Na grandeza do tempo

Escorre o vento
desfolhando a alma
toda ela
é meu fôlego
todo eu sou apenas
espectro na visagem
do tempo
que desencandeia
emocionantes sussurros
tão surpreendentes e sôfregos
Ali deixo escorrer
entre os dedos
a acutilante fé
todo o religioso calor
dos dias festejados em poesia
Dos tempos que sobrevivem
quase póstumos em
outras distâncias e latitudes
com minúcia reincidente
no corpo,
no ser
na derme
verso após verso
em burburinho o amor por fim sossega
e sem cessar teus gemidos segrega
Nas imagens vagando
pela charrua do tempo
tão dissidente
galopo até encontrar
a progenitura dos sentidos
e dos silêncios
Contorno ávido todas
as metafóricas existências
Experimento emergir
entre sorrisos excedentes
Sustento quase faminto
a luz que mendiga
descontente
o acordo rompendo
todas as solidões
que ficaram pendentes
Nesta longa viagem
simplesmente rumarei
à clandestinidade onde
repousam em outras
latitudes coíncidentes
as ondas de melancolia
quietamente irreverentes
Nossas planícies
perfumarão todas
as estéticas da nossa humanidade
dando de beber
a todos os sequiosos desertos
adubando todas as sílabas
enraízadas no húmos
que nos suscita a vida
com palavras milagrosamente
acobertas de orações tão coniventes
Deste presente
prevejo-te mais que o futuro
inserido na minúscula vagem de
tempo onde deságuam as lágrimas
descarrilam os sorrisos
mais abnegados
generosamente enquadrados
em cada admirável desejo
exultando na multidão
de sonhos que polvilham
graciosamente este meu poema
assustadoramente enamorado
Mesmo que neste caminho
os destinos se tornem
becos sem saída
ainda assim transformaremos
todo o arco-íris
em artísticas e inspiradas
latitudes prostradas em cada
quadrante de solicitude onde
estendemos nossas civilizações
de alegria
rompendo a grandeza do tempo
onde pernoitamos na jurisdição de
cada vento afagando-nos
eternamente em euforia
Frederico de Castro
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Soltas ventanias

Meia noite
escondem-se os vultos
sem medo das ventanias soltas
Percorrem ruelas
num silêncio cativo
onde arde a madrugada
repentinamente
deixando o tempo escapar
por entre as mãos da vida
em fuga inadvertidamente
Cai a noite
e a escuridão permeia o vão
de todas as minhas solidões
Tenho que repensar o dia
mesmo sem sol
deixar as insónias incrustadas
num verso marital
indelével e tão factual
É meia noite
e só tenho gula de ti
desarranjando minha biblioteca
só pra te ler
desnuda alimentando
meu jejum gemendo
espontaneamente
Até as pedras falarão
quando te recostares neste
poema...quieto
em marcha para ti
congratulando teu despertar
que se desprende em silêncios
num ímpeto selecto acalentar
Frederico de Castro
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Voo nocturno

Empresta-me teu voo
e depois dançaremos
gentis
cavalgando as
aragens nocturnas
onde a noite sonolenta
por entre o ninho de nuvens
ilumina e todo o luar
perfuma e súplica
Frederico de Castro
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Imaginário vazio

E assim decorre a vida
perante o olhar melancólico
onde sucumbem palavras
e todos os actos de fé meditativa
Assim escrevinho saberes
sofridos de vida
replico perante todos
os simbolismos do tempo
num naipe
de versos fartos
inspirados em cada
cíclica palavra de sabedoria
que tua nudez desponta
em plena e imaginária euforia
Assim como no vazio
do tempo
me emprestaste teus
factuais beijos
assim te deixo meus
segredos a ti subordinados
em alegorias perfeitas
em prantos e regozijos
enrraízados em cada saudade
sitiada
confessa
homenageada em cada
estupefacta e ardente
manhã que por nós se aventura
livre e tão insuspeita
Será longo meu despertar
assim em catapulta
mal rompa o dia e
se fechem tuas pálpebras
aos consumidos desejos
colorindo cada sagaz
e íntimo olhar
Ali então espelhamos
cada solidão mais egoísta
Madrugaremos com cuidado
a noite que arde fugaz
entre todas as lembranças
guarnecidas de vida que galgam
e espreitam outras ferozes distâncias
libertando este meu imaginário
onde deixo o vazio em ressonância
onde saro e penteio as tristezas com
poemas desaguando no rasto
do teu esplendor
onde submerjo
afogado-me entre porções de pura
e irreverente elegância
Frederico de Castro
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Talvez meu fado...

Talvez...
Assim se movam montanhas
Não restem dúvidas
Nem se acomodem as rotinas
Talvez...
eu te doe o silêncio dos meus
cânticos
Talvez...
eu enfeite todas as conivências
com frenéticos versos sequestrados
no pórtico das mesmas saudades
fugidias...em efervescência
Talvez...
recrie um mundo novo
forjado em eximias existências
vagabundeando em cada pseudónimo
meu
rendido à esquadria do tempo
Talvez...
persiga semeando o amor, além dos dias
celebrando
a vida regurgitando ...em tua reverência
Talvez...
seja só meu fado
tatuado a este silêncio
cantando minha dor até que dia
renasça quieto à beirinha de nossa
feliz coexistência !
Frederico de Castro
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