Lista de Poemas
Na grandeza do tempo

Escorre o vento
desfolhando a alma
toda ela
é meu fôlego
todo eu sou apenas
espectro na visagem
do tempo
que desencandeia
emocionantes sussurros
tão surpreendentes e sôfregos
Ali deixo escorrer
entre os dedos
a acutilante fé
todo o religioso calor
dos dias festejados em poesia
Dos tempos que sobrevivem
quase póstumos em
outras distâncias e latitudes
com minúcia reincidente
no corpo,
no ser
na derme
verso após verso
em burburinho o amor por fim sossega
e sem cessar teus gemidos segrega
Nas imagens vagando
pela charrua do tempo
tão dissidente
galopo até encontrar
a progenitura dos sentidos
e dos silêncios
Contorno ávido todas
as metafóricas existências
Experimento emergir
entre sorrisos excedentes
Sustento quase faminto
a luz que mendiga
descontente
o acordo rompendo
todas as solidões
que ficaram pendentes
Nesta longa viagem
simplesmente rumarei
à clandestinidade onde
repousam em outras
latitudes coíncidentes
as ondas de melancolia
quietamente irreverentes
Nossas planícies
perfumarão todas
as estéticas da nossa humanidade
dando de beber
a todos os sequiosos desertos
adubando todas as sílabas
enraízadas no húmos
que nos suscita a vida
com palavras milagrosamente
acobertas de orações tão coniventes
Deste presente
prevejo-te mais que o futuro
inserido na minúscula vagem de
tempo onde deságuam as lágrimas
descarrilam os sorrisos
mais abnegados
generosamente enquadrados
em cada admirável desejo
exultando na multidão
de sonhos que polvilham
graciosamente este meu poema
assustadoramente enamorado
Mesmo que neste caminho
os destinos se tornem
becos sem saída
ainda assim transformaremos
todo o arco-íris
em artísticas e inspiradas
latitudes prostradas em cada
quadrante de solicitude onde
estendemos nossas civilizações
de alegria
rompendo a grandeza do tempo
onde pernoitamos na jurisdição de
cada vento afagando-nos
eternamente em euforia
Frederico de Castro
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Imaginário vazio

E assim decorre a vida
perante o olhar melancólico
onde sucumbem palavras
e todos os actos de fé meditativa
Assim escrevinho saberes
sofridos de vida
replico perante todos
os simbolismos do tempo
num naipe
de versos fartos
inspirados em cada
cíclica palavra de sabedoria
que tua nudez desponta
em plena e imaginária euforia
Assim como no vazio
do tempo
me emprestaste teus
factuais beijos
assim te deixo meus
segredos a ti subordinados
em alegorias perfeitas
em prantos e regozijos
enrraízados em cada saudade
sitiada
confessa
homenageada em cada
estupefacta e ardente
manhã que por nós se aventura
livre e tão insuspeita
Será longo meu despertar
assim em catapulta
mal rompa o dia e
se fechem tuas pálpebras
aos consumidos desejos
colorindo cada sagaz
e íntimo olhar
Ali então espelhamos
cada solidão mais egoísta
Madrugaremos com cuidado
a noite que arde fugaz
entre todas as lembranças
guarnecidas de vida que galgam
e espreitam outras ferozes distâncias
libertando este meu imaginário
onde deixo o vazio em ressonância
onde saro e penteio as tristezas com
poemas desaguando no rasto
do teu esplendor
onde submerjo
afogado-me entre porções de pura
e irreverente elegância
Frederico de Castro
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Soltas ventanias

Meia noite
escondem-se os vultos
sem medo das ventanias soltas
Percorrem ruelas
num silêncio cativo
onde arde a madrugada
repentinamente
deixando o tempo escapar
por entre as mãos da vida
em fuga inadvertidamente
Cai a noite
e a escuridão permeia o vão
de todas as minhas solidões
Tenho que repensar o dia
mesmo sem sol
deixar as insónias incrustadas
num verso marital
indelével e tão factual
É meia noite
e só tenho gula de ti
desarranjando minha biblioteca
só pra te ler
desnuda alimentando
meu jejum gemendo
espontaneamente
Até as pedras falarão
quando te recostares neste
poema...quieto
em marcha para ti
congratulando teu despertar
que se desprende em silêncios
num ímpeto selecto acalentar
Frederico de Castro
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Talvez meu fado...

Talvez...
Assim se movam montanhas
Não restem dúvidas
Nem se acomodem as rotinas
Talvez...
eu te doe o silêncio dos meus
cânticos
Talvez...
eu enfeite todas as conivências
com frenéticos versos sequestrados
no pórtico das mesmas saudades
fugidias...em efervescência
Talvez...
recrie um mundo novo
forjado em eximias existências
vagabundeando em cada pseudónimo
meu
rendido à esquadria do tempo
Talvez...
persiga semeando o amor, além dos dias
celebrando
a vida regurgitando ...em tua reverência
Talvez...
seja só meu fado
tatuado a este silêncio
cantando minha dor até que dia
renasça quieto à beirinha de nossa
feliz coexistência !
Frederico de Castro
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Voo nocturno

Empresta-me teu voo
e depois dançaremos
gentis
cavalgando as
aragens nocturnas
onde a noite sonolenta
por entre o ninho de nuvens
ilumina e todo o luar
perfuma e súplica
Frederico de Castro
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À flor da pele

Acordei para uma madrugada
muito devagarinho
ateando aos sonhos mais
voláteis uma réstia de chama
que se renova na fartura
de vida que assim nos aclama
Acordei residindo nos teus
braços
dissolvendo-me nos teus perfumes
semeados à flor da pele
onde tatuamos com amor
todas as eferverscência de vida
convergindo na sonolência
de cada palavra mais atrevida
Acordei
esgueirando-me entre rimas
e gargalhadas felizes
Busquei todas as confissões
num mar de esperanças audazes
Tranquei nesta poesia arguta
um inóspito poema
prisioneiro traçado
no vasto silêncio tenaz
que nos acalenta
em todos os solstícios pintados
na aguarela do mundo
vibrante que em mil moléculas
de amor transpira e sedenta
Vou aproveitar
uma réstia deste sonho
pra te soprar na alma
todo o doce planar de um
beijo
Converter-te na minha vestimenta
eterna
onde habitaremos mais quânticos
qual presságio arquitectado
no desejo breve que em nós
se alimenta no pavio de tempo
...e jaz agora temporário
nas insígnias de um verso romântico
fatídico e tão mediático
Frederico de Castro
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Mudando as marés

Em algum lugar do mundo
gravaremos nos dias
cada presente de amor
forjado na onda que nutre
nossos seres
escoando marés
planando sentidos
convergindo amores
beijos investidos
pecados concedidos
Em algum lugar do tempo
silencio todas as liberdades
circulando nos oceanos
fantásticos
Suplicarei em cânticos
todos os lampejos do sol
onde guardo e jamais
olvido essa luz
que solta mil plenitudes
de amor pulsando
expedito
Junto ao coração que brinca
entre marés de ilusões
deixarei impresso
minhas loucas intrusões
inspirando todas as equações
onde matematicamente elaboramos
todas as adições de tempo
sem mais perder a apoteótica
e precisa resolução geométrica
onde negociamos
as formas
a arte
as sombras...nossos seres
tão próximos ou longínquos
nesta trigonometria transbordando
palavras e cálculos precisos
no rumo das marés
a cada instante numa onda galopando
Mudando as marés
contemplamos todas os
labirintos onde mergulhamos
nossos suculentos beijos
vagabundeando no sopro
do teu perfume
retendo os gestos fitando
a memória acometida
libertando todos os ventos
assobiando no odor
de cada aragem propiciatória
e mais atrevida
Frederico de Castro
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Tempo de afectos

Vou deixar por instantes
que adormeças todos
os meus céus
algemando a luz como troféu
Pousar em todas as minhas luas
amadurecer todas as minhas ternuras
como a fé que se propaga marginal
entre a baínha de tempo
e as paisagens que afloram os
rituais de alucinante formosura
convergindo nos ventos
em infinita clausura
Frederico de Castro
👁️ 463
Estado de graça

É assim
meu estado de graça
revivendo-te a cada hora
mílimetricamente estático
entre tua formosura dissimulada
ao longo da maciez impregnada
em cada perdão trajado de
apaziguamentos
embalsamando todos os olhares
que trazemos grávidos de elegâncias
afabilidades, céleres
e tão invulgares
É assim meu dicionário
de verbos inconstantes
de momentos atraentes
evaporando-se por entre
cada existência trazida até
ao indulto de um poema que
morre inexoravelmente
apaixonado
em cada perfeito e memorável
silêncio irreverente
É assim
que amiúde em todo
o tempo
te peço só um gesto
ou olhar esporádico de paixão
e deles façamos depois
desejos reicidentes
tão recorrentes
até ao mais ínfimo e fértil
sabor que deixamos tatuado
na voragem dos tempos
É assim que vejo
meus sonhos fitarem-te
ininterruptamente
É ali que se juntam
a mescla dos tempos
tacitamente abraçando-nos
reveladores
colorindo todos os
cenários e recantos desta
eternidade onde nos amámos
pormenorizadamente
Será assim
escrito neste dicionário
que me deslumbrei com palavras
espontâneas
que me nutri dos teus afagos
e raptei pra sempre aquela
universalidade no teu perfil
onde descanso as existências
que revivem paralelamente
pra sempre em nós...irremediavelmente
Frederico de Castro
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Sem adiamento...
De tanto adiar
cada letra refugiada
em mim
despoletei uma repentina
onda de versos faustos
tragando toda a faminta
noite que se esgueira
extinta
a cada resposta adiada
no tempo que nos algema
tanto tempo
liberta e cada eco requinta
De tanto adiar
as tuas estações frutíferas
colhi nesta sementeira propícia
todas aquelas canções
trovando a doçura de uma salmo
às tuas sombras inebriadas
onde
me embebedo em castas
vindimadas com cachos de loucura
apiritivados no tempo
que hoje cessa na moldura da vida
De tanto adiar
o dia, até perdi teu
entardecer
deixei o sol morrer
ali pertinho
do poente onde nossos
beijos
tardando também morriam
como a luz que se esvai no
silêncio brisado
das palavras de amor
que pra nós sedentas
em maresias confidentes corriam
Não sei se tenho
mais que adiar o amor
soprando-o no teu ser
apetecer-lhe todo tua
integridade delicada
redundar
versando cada desejo
na eternidade do tempo
que faminto alegrias por ti
invento e cortejo
Frederico de Castro
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Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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