Lista de Poemas
À flor da pele

Acordei para uma madrugada
muito devagarinho
ateando aos sonhos mais
voláteis uma réstia de chama
que se renova na fartura
de vida que assim nos aclama
Acordei residindo nos teus
braços
dissolvendo-me nos teus perfumes
semeados à flor da pele
onde tatuamos com amor
todas as eferverscência de vida
convergindo na sonolência
de cada palavra mais atrevida
Acordei
esgueirando-me entre rimas
e gargalhadas felizes
Busquei todas as confissões
num mar de esperanças audazes
Tranquei nesta poesia arguta
um inóspito poema
prisioneiro traçado
no vasto silêncio tenaz
que nos acalenta
em todos os solstícios pintados
na aguarela do mundo
vibrante que em mil moléculas
de amor transpira e sedenta
Vou aproveitar
uma réstia deste sonho
pra te soprar na alma
todo o doce planar de um
beijo
Converter-te na minha vestimenta
eterna
onde habitaremos mais quânticos
qual presságio arquitectado
no desejo breve que em nós
se alimenta no pavio de tempo
...e jaz agora temporário
nas insígnias de um verso romântico
fatídico e tão mediático
Frederico de Castro
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Sombras manietadas

Soltam-se as sombras
no lajedo do tempo que
foge amedrontado
Reergue-se porém
delicado
o gomo de luz
clareando os sótãos na noite
reflectindo o vulto
solitário onde brilham
todos os meus irrequietos
silêncios manietados
Frederico de Castro
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Mudando as marés

Em algum lugar do mundo
gravaremos nos dias
cada presente de amor
forjado na onda que nutre
nossos seres
escoando marés
planando sentidos
convergindo amores
beijos investidos
pecados concedidos
Em algum lugar do tempo
silencio todas as liberdades
circulando nos oceanos
fantásticos
Suplicarei em cânticos
todos os lampejos do sol
onde guardo e jamais
olvido essa luz
que solta mil plenitudes
de amor pulsando
expedito
Junto ao coração que brinca
entre marés de ilusões
deixarei impresso
minhas loucas intrusões
inspirando todas as equações
onde matematicamente elaboramos
todas as adições de tempo
sem mais perder a apoteótica
e precisa resolução geométrica
onde negociamos
as formas
a arte
as sombras...nossos seres
tão próximos ou longínquos
nesta trigonometria transbordando
palavras e cálculos precisos
no rumo das marés
a cada instante numa onda galopando
Mudando as marés
contemplamos todas os
labirintos onde mergulhamos
nossos suculentos beijos
vagabundeando no sopro
do teu perfume
retendo os gestos fitando
a memória acometida
libertando todos os ventos
assobiando no odor
de cada aragem propiciatória
e mais atrevida
Frederico de Castro
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Infinito tudo

Quando foi que trocámos
nossas confidencias
mastigando doces palavras
salteadas em gomos de poesia
sem mais rompermos o amor
com outras divergências
Quando foi que depositámos
neste infinito tudo
as sombras carentes
permanecendo só em nossos
entes irreverentes uma pluma
de poesia silenciando a soleira
de nossas almas dirimindo toda
a sentença de vida que jaz dispersa
entre todos os Universos que se apressam
em fugas por mim explodindo
perante o olhar de toda a eternidade
que todas as fés do mundo professam
Quando foi que nos deixámos
abraçar naquela noite
onde convergiam unânimes
todos os ensinamentos embalados
numa oração perfumada
por mil felizes e alucinantes existências
Quando foi que o mundo cegou
o tempo parou
o rumo mudou
a liberdade sobreviveu
neste pensamento veloz
que sôfrego invento
Quando foi...nosso infinito tudo
deixado neste momento de tempo
imortalizado em cada milímetro de esperança
colorindo cada hora deste imenso
sedento e feliz comprometimento
Quando foi...?
Frederico de Castro
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Enquanto pestaneja o dia...

Depressa ali cheguei
escrevendo histórias
com poesia acompanhada
de versos datilografados
na minúcia de todos
os detalhes tecidos
com arte e alegria
Ali
me libertei
de todas as embriagantes
palavras intuitivas
onde sem mais censuras
te recrio
habilmente numa estética
inexplicavelmente,absoluta
analítica...sintética
Ali
enfeitamos cada instante
de vida
aniversariamos o tempo
com unânimidades quase
fatídicas
Ali
expressei-te a minha
linguística em meigos afagos
enamorados pela tua sintaxe
Ali
choraminho por teu
carinho
Ergo-te eclético um poema
dotado de estética
escrevinhando louco
e poético
toda a minha existência
Ali
sei-o
tudo sabe a pouco
até a quietude profética
esperando-me a cada
momento caprichoso
onde me entrego
pra me enxagures todas
as lágrimas desta rompante
e tão colossal saudade
Ali
emprestamos nossas asas
ao doce esvoaçar de cada
emoção
ausentando-nos ali
entre ecos pardacentos
desfilando sigilosamente
em comoção
Ali
todos os destinos sequestram
até o tempo que amadurece
aperfeiçoando-te
redesenhando com
giz e simplicidade
na elíptica e redundante
lágrima que deambula
regurgitando piropos baloiçando
em toda a minha monotonia itinerante
Ali
recordar-te-ei
transladando cada pensamento
assim devagarinho
colorindo teus céus ofegantes
Desejarei afogar-me
fatalmente em cada pestanejar
da noite
assim acorde o dia
e nós ali
radiantes, reencontramo-nos
consumindo cada parcela do tempo
lenta e extravagantemente
Frederico de Castro
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Cidade Luz

Sinuosas sombras
pernoitam por entre elegantes
passos colorindo o Cartier Latin
onde perambulam coniventes melodias
quase delinquentes e tão apaixonantes
- Suavizo a luz inerte
que embebeda todo o ser em comoção
confeccionando a linguagem bravia
que brota fluorescente de emoção
- Foi-se a luz da luz
apascentando caminhos de escuridão
Foi-se o tempo
e nem deixou pra adoção
os ecos da noite consumindo
o brilho impalpável e caloroso que some
em tuas mãos
- Sumiram nos ventos como grãos de amor
semeados na eira dos tempos
como todo apetecível abraço
fundido num imaginário silêncio
que desbravo entre esboços
e rascunhos que refaço
- Não mais o sossego breve
me desampare
nem o escrutínio deste verso
me enclausure em toda a expontânea
brisa que a luz da manhã
em fragmentos de criatividade
faminta de cordialidade
chilreando delicada
nos inebrie e ampare
- Apenas mais um pouco
e deixarei rejubilar o sol
que teu olhar perfumou
Deixarei metódicamente
em cada redimida inspiração
versos sublimes e expectantes
na efeméride de tempo que jorra
infiltrando-me desesperado
em conspiração
Ilumine-se tua IGUALDADE, Paris
Transfiguremos toda a LIBERDADE
Eternizando com cânticos geniais
tua imensa FRATERNIDADE
FC - a Paris com amor...
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Almost Blue - a Chet Baker
Quase azul
Reescrevo no pedestal dos céus
Toda a infinita
E insinuante harmonia
Onde pernoito e me apascento
Nos ritmos da tua
Irrecusável guarida
Frederico de Castro
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Em tons de azul

Entre espantados céus azuis
caminha toda essência límpida
do tempo frágil
onde se entreabem
gotas de luar
adocicando as paisagens
onde apascento o infinito
ser dançando em tons de vida
amanhecendo
rigorosos,virtuais...
Frederico de Castro (para o André Mingas...sempre)
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Sempre...e para sempre

Sempre ...e para sempre
me sentirei consolado
quando neste poema
tua existência feliz
em meu ser silenciosamente
adormecer
emprestando-me um abraço
estrito e sem mais limite
tão docemente profilático
Sempre ...e para sempre
encontro-te de certeza
ali me devorando
a alma carente
e tão desassossegada
em fuga ágil pelos beirais
de uma prodigiosa palavra
que em nós habita feliz e tão empolgada
Sempre ...e para sempre
reencontro-me em ti
nem que as palavras
se percam nos hemisférios
mais fustigados
deste mundo
Acordarei coligado em ti
num sentido verso
que desfibrilha e deambula
pelo coração empolgado
no terno poente que por nós
se esgueira, exalando...feliz e refastelado
FC
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Estado de graça

É assim
meu estado de graça
revivendo-te a cada hora
mílimetricamente estático
entre tua formosura dissimulada
ao longo da maciez impregnada
em cada perdão trajado de
apaziguamentos
embalsamando todos os olhares
que trazemos grávidos de elegâncias
afabilidades, céleres
e tão invulgares
É assim meu dicionário
de verbos inconstantes
de momentos atraentes
evaporando-se por entre
cada existência trazida até
ao indulto de um poema que
morre inexoravelmente
apaixonado
em cada perfeito e memorável
silêncio irreverente
É assim
que amiúde em todo
o tempo
te peço só um gesto
ou olhar esporádico de paixão
e deles façamos depois
desejos reicidentes
tão recorrentes
até ao mais ínfimo e fértil
sabor que deixamos tatuado
na voragem dos tempos
É assim que vejo
meus sonhos fitarem-te
ininterruptamente
É ali que se juntam
a mescla dos tempos
tacitamente abraçando-nos
reveladores
colorindo todos os
cenários e recantos desta
eternidade onde nos amámos
pormenorizadamente
Será assim
escrito neste dicionário
que me deslumbrei com palavras
espontâneas
que me nutri dos teus afagos
e raptei pra sempre aquela
universalidade no teu perfil
onde descanso as existências
que revivem paralelamente
pra sempre em nós...irremediavelmente
Frederico de Castro
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