Escritas

Lista de Poemas

Recorte cinematográfico

É assim que o cubismo se da na poesia,
recorte cinematográfico,
pedaços desconectados do todo.
É assim que se dá na minha vida?
Mas por que sempre tem que ser assim,
tão doloroso, judiado ?
Deixar o bloco, lançar-me em outro,
em outro não sei o que nos viveres.
Que pelo medo, se faz mais uma vez,
dor.
Oh.
Judiada vida.
👁️ 283

Cada passo, só vida.

Onde está minha poesia?
As palavras, aquele
não sei o que, inspiração?
Terá um alguém, algo, entidade,
capaz de me fazer compreendida,
povoar o mundo melhor do que faço,
sabendo cada passo,
sem precisar morrer para viver cada dia?
Cansada demais de não me saber, não
me entender na vida,
Cavo cova para enterrar o que já em
mim muito já está morto.
Chance?
Judiar menos, mais amiga, acreditar em
algo.
A nova de mim, encontrarei pelos caminhos,
farei de pedaços menos desbotados,
sem tantas necessidades doloridas.
No convento da mata me anuncia,
aquilo que me falta, que me justifica ainda viva.
Que eu me dê tudo de mim,
que eu seja tudo o que eu tenho,
que não seja pergunta, nem procura de responta,
que seja e simplismente seja,
sem hematoma, sem agnonia,
Só vida.


👁️ 518

Água de choro

Chorar dói,
Dor de lágrimas, água de choro.
Dor expremida, expulsa,
afogada mesmo.
E quando chora sem esbarrar
é porque tem muita dor tomando espaços,
as necessidades de sossego ralham com os olhos
para empurrar tristeza para fora,
Sofrimento que não cabe mais dentro de nada.
👁️ 327

Eu e a vida

Amiga minha mesma não sou,
Me falta sempre um não sei o que de vida,
Uma vontade, um respirar macio.
Judio? Me faço pequena e me enterro,
sou rala vivendo pelas bordas.
Me falta vida dada,
certo sentido, alguma certeza.
Um olhar para dentro, saber de alguma coisa.
Ver sem deixar de enxergar,
Sou sempre pelas metades,
sem talentos de viver.
Passo pelo resto dos caminhos,
beiro a vida e ela me beira, me abandona.
Passa batida, um esbarro, negligenciando
o ser, me indifere.
Insisto ralhando comigo e também com
a vida.
Mas nessas tristezas periódicas, acho beleza,
coisas vidas nessa vida meio morte,
aparições encantadas.
Procuro disfarçadamente essa beleza,
esse espírito,
para me fazer viva também.
Um dia eu mesma me acharia coisa inteira,
coisa viva?
👁️ 292

Sublimação

'Sublimação da alma em cárcere
quando sonha, quando tira os pés do chão,
quando fecha os olhos bem abertos,
se enxergar de vez por todas.
Sofre menos quando aceita seu hospício,
sua casa, lar de sugestão.
O velho paradígma, adianta-se no tempo,
expressão artísitica dos falidos persistentes.
Cria do mundo que ela cria,
descubre formas, seu contento, manifestação.
👁️ 420

Genérica maldição

Podia, ser menos torta na vida, esparramar-se em vento em brisa, aprender sua existência, sua a carência, preencher-se?

Genéria nas muitas faces pintadas,
anônima.
Tenta a diferença na própria fantasia,
filha dos ventos perdidos, desaparecidos.
Habitante das nuvens, viajante do absurdo,
ela, em direção aos abismos da criação,
vira a face contra a miséria mundana, profana.
Livra-se das vestes, das línguas, da praga das
aparências,
suicida o corpo, rompe com a senteça,
flui a alma à conquista, à presença da vida.
👁️ 262

Espalhar os olhos na vida

Dizia meu pai,
para não entortar de caminhos
para ter mais visão,
bastava espalhar os olhos na vida,
pela frente mesmo, em reta,
carecia de desvios não.
Tinha que ser alegre mesmo
ele dizia.
Se esparramar na vida,
''sem pensar demais em coisa nenhuma''.
Pensar demais machuca, judia.
Eu judio, em silêncio comigo.
Penso emaranhado,
vou perdendo o tempo do viver,
assim, só pensando.
Machuco e me dôo por costume,
Perdi o senso da vida pequena,
devagarinha,
tão bonita, tão distante de mim.
Me guardei em congestionamento
ideológico qualquer,
acabei me esquecendo.
Onde foi que me guardei?
Me perdi no jogo de perguntas e
constatações.
Me perdi em desculpas cínicas para
a vida mesma, nunca viver.
Medo?
👁️ 293

É macio

Por que dói,
quando existência macia
deixa de existir?
Existência pássaro,
Existência peixe, flor.
Existência no olhar do cão?
A chuva, a onda, o riso, pólen.
Quando morro,
O sangue é áspero,
Denso, mergulhado
Na miséria do mundo.
Choro seco e grito,
A garganta abafada.
Que agora seja macio!

👁️ 174

Um dia, me libertar ?

Vivo a vida ultimamente,
mesmo muito esparramado,
sem nada de tudo verdadeiro.
Hoje já sendo tão memória de ontem,
me parece sempre que o passado
é mais largo que o presente,
infinitamente maior que hoje .
Afogo a vida em constatações inúteis,
para me distrair da incapazidade de viver.
Minha vida, que coisa nesse dia?
Sempre falta alguma cois para ser
suficiente.
Crio a desgraça com as mãos,
sem querer, um acidente.
Aconteceria um dia, me libertar,
sair de meu controle,
ser torta em outro lugar?

👁️ 354

Só ele

é mal, não cuida, não zela nem não ama.
Permanece espectador, deixa amar, sofrer.
Ele mesmo, não ama.
Ele à encontrou semi enterrada,
declarou descobridor, largou, não salvou.
Não contou onde ela estava, onde está.
Guardou segredo, é maldoso ?
Deixou que ela ficasse sem se descobrir,
sem se saber, sem se amar, se conhecer.
Um dia algum outro a achar, contar o lugar exato,
até mapa, rota, o caminho. Podia?
👁️ 517

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment

NoComments