Lista de Poemas
Viver Cansa Muito, Mas É Necessário Gozá-la
Viver nesta terra cansa muito.
O mundo não tem mudanças profundas.
As bocas infantis permanecem com fome.
Não há razão que vença a injustiça.
As mãos operárias não trucidam a exploração
Dos patrões e os impérios oprimem sem parar.
A ferrugem do cotidiano carcome o ânimo
E os valores humanos estão triturados em pó.
Mas é necessário gozar a vida.
Mesmo em momentos intoleráveis e inexatos,
No planeta que é máquina a dilacerar carne
Humana, que dinamita sonhos, fabrica perdas,
Procurar beleza em tudo que puder,
Dá sabor ao alimento que é a vida com o sal da
Persistência, adoçar com açúcar das convicções.
Entender que viver também é sofrer,
Mas que é possível encontrar sentido
Em toda amargura e falta de clarão.
A Linda Foto de Mussolini
É a de Mussolini, de cabeça para baixo,
Morto feito cachorro derrotado na Segunda Guerra Mundial.
Toda vez que a olho, sorrio e uma reflexão
Surge ao lembrar o ocaso de longos
Anos tenebrosos para o mundo.
Os pés para o céu, a cabeça para o chão,
Todo ensanguentado, pendurado em praça pública,
Sumariamente executado por fuzilamento.
A morte do verme fascista é celebração.
O fim desse monstro é (des)mutilar a
A liberdade humana, comemorar o fim da aniquilação.
Praga não deve ter nem o direito de respirar!
Agradecimento à Vida Antes de Dormir
Pelo equilíbrio entre a falta e o excesso
Que oferece em meus caminhos:
Me dá o necessário para meu viver.
A gratidão pelo teto, pela cama que agora deito,
Pelo alimento diário que nutre o corpo.
Agradeço por não ser uma sombra isolada na
Vastidão do mundo, tenho excelentes companhias.
O beijo da mulher amada, a atenção da irmã,
As suaves palavras dos pais,
Combustíveis que alimentam os dias
E me permitem permanecer de pé.
Agradeço pelo trabalho que possuo,
Que não é perfeito, mas necessário
Para sustentar as necessidades materiais.
Grato estou por minha saúde, meu bem-estar.
Vida, aqui estou. Antes de dormir,
Com simplicidade, sem pompas,
Apesar das dificuldades vividas,
Reconheço tudo o que tenho
E declaro minha gratidão.
Um Tango de Peles Em Uma Quinta Feira
Na intimidade do quarto,
Sussurros ecoam,
A sintonia dos corpos se deu
No calor do movimento a dois, colados!
Nas maravilhosas silhuetas,
Em um tango dançado entre peles,
Bocas que se beijaram e degustaram rum,
Gritos que se intensificaram no ardor do prazer.
No baile de carne com carne,
O ritmo de melodias intensas de carícias,
Percorridas por horas em insano movimentar.
Tudo é ritmo, toques de mãos sedentas,
Deslizando como rio rumo ao mar que encontrou.
Na cama, uma geografia de aventuras
Nos desnudos corpos, onde cada curva
Explorada, o tempo para, a paixão perdura.
E no auge da entrega, um homem e uma mulher
Navegam no amor que é puro fogo
E que incendeia a todo instante.
Um Dia, Eu e Tu Demos As Mãos e as Vidas Um Ao Outro
Te encontrei de coração aberto
Por entre afazeres do trabalho.
Sobre conversas do dia a dia,
Quando me contava problemas familiares
Enquanto abria feito baú meu cotidiano,
Eu e tu demos as mãos.
Abri meus longos braços que te encantaram
E diminuímos a distância entre os lábios
Em uma tarde ensolarada no parque.
Chovia muitos medos, ardiam incertezas,
Mas nossos corpos tinham fome sem fim,
Sede que só era matada na ardência a dois.
E como namorados colados um ao outro,
Entre idas e vindas de beijos, sentimentos,
Sexos, desejos e entregas sem limites,
Dois desconhecidos pintaram juntos
Um horizonte de uma vida inteira a dois, juntos!
19 de Abril, Dia dos Povos Indígenas
Me oferecem dinheiro e dizem que devo abandonar a solidariedade entre meus irmãos.
Me enganam com mentiras do Estado de Direito e induzem a abandonar a sabedoria dos ancestrais.
Me roubam as terras que sempre habitei e dizem que devo esperar a morosidade dos governantes para devolverem meu mundo.
Me acalmam perante o assassinato do irmão Galdino e que devo esperar que a justiça seja feita (e que nunca acontece).
Me injetam valores da tal paz para que não me rebele contra o roubo das riquezas cometidas pelo agronegócio.
Me convencem que devo agradecer
As maravilhas da globalização,
Dar graças ao mundo dito civilizado...
Afinal de contas sou ser passivo,
Sub humano a ser alimentado por valores torpes.
O que eu preciso é da humilhação,
Aceitar democraticamente as flechas que me ferem.
Não importam as dores, as lutas do meu povo,
Devo comemorar a tal diversidade dos povos indígenas.
O Dito Descobrimento do Brasil
Homens bárbaros, escravagistas
E dominadores recusaram qualquer civilidade,
Invadiram as terras dos que aqui já habitavam,
Pilharam toda a riqueza até secar as matas de pau brasil.
Por meio de sua suposta superioridade
Catequizaram pajés, expulsaram pessoas
De suas casas, o caminho da dita civilização
Foi pavimentada por bandeirantes caçando
E humilhando centenas de indígenas.
Deram passos não de descobrimento, mas de
Poder, imposição, depredação típica de homem
Branco ao não considerar os que aqui habitavam (e muito bem).
Cabral e os outros colonos ao avistar
Terra nova, gritaram: riquezas e roubo à vista!
Ir Longe
Sem olhar para trás.
Ser estrada de mão única,
Ser um trem que leve para muito longe,
Estacionar em paradas antes não visitadas.
Fitar o horizonte no mar
Em tardes afora e em incertas velas.
Ir longe em pensamentos, viagens,
Tatear todos os caminhos possíveis,
Se perder em rodovias, em ideias,
Ir longe fisicamente e na imaginação
Em busca de novas razões e sentimentos
Que aqueçam o inconstante coração.
Viagem Para Aruba
Não preciso hoje tolerar
As imposições do patrão?
Não respirar o ar composto de fumaça
E cansaço do insano trânsito?
Esquecerei por uns dias o fascismo
Que ronda as ruas do meu país?
É tanta liberdade que as malas
Estão prontas, as passagens nas mãos.
Seguir viagem, tirar os pés do concreto,
Ter a sensação de liberdade,
Descanso em aeroportos e aviões.
Aruba agora não é uma fotografia a ser
Deslumbrada em sites de turismo.
Os pés descalços na fina e quente areia,
O desligamento do cotidiano em oásis caribenho,
Corpo e mente banhados no mar azul
De Eagle Beach, o estado de bem estar pleno!
Amor em Eros e Philia
Inexplicável, de forma que parecem anos que
Possuo teus doces lábios passeando em mim.
Te amo, com minhas carnes implorando
Por teu desnudo e alvo corpo... Te devorar
Feito banquete, chupar o que é salgado em ti,
Te engolir, beber tudo e acalmar teu cansaço.
Te amo, da convivência à dois, a intimidade,
Os risos, a confidência e as diversões
Que nos enche de encanto e tudo fortalece.
Te amo, no sentido eros ao ver seios,
Pernas e nádega expostos ao meu bel-prazer.
Te amo, no sentido philia ao compartilhar a vida,
Valores, choros e desenvolver confiança mútua.
Te amo, pois já se tornou a minha menina,
A mulher que preciso disfarçar meu desejo
Próximo de estranhos, mas não consigo.
Te amo, pois após cuidados e noites passadas
Já não consigo ver minha vida distante da tua.
Te amo, pois estarei sempre de braços abertos,
Ato que te fez encantada, a procurar teu corpo
Em busca de alegria e contentamento pleno.
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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.
Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.
Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.
Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.
Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.
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