Lista de Poemas
Entre Náuseas, Um Brinde
Mesmo diante da enfermidade de familiares.
Mesmo que o país seja um inferno para mãos operárias.
Mesmo que o trabalho te agarre e maltrate.
Mesmo que o salário seja ínfimo perante as despesas.
Mesmo que esteja tossindo mil doenças tropicais,
Queime crânio e espírito em ardente chama:
Brinde a vida, beba em grandes goles tua saúde,
Mesmo diante de infindáveis náuseas.
Paz Ensurdecedora, Atrocidades Silenciadas
Não há chefe de Estado liderando matanças.
Não há assassinato de civis.
Não há bebês mortos por falta de oxigênio.
Não há armas yankees vendidas para picotarem
Feito papel mulheres grávidas.
Não há crianças buscando alimentos
Em rações de animais.
Não há faculdades e escolas em escombros.
Não há soldados espancando jovens.
Não há jornais silenciando uma matança
E pintando o responsável de terna vítima.
Não há caminhões de ajuda humanitária
Sendo bombardeados, impedidos de deslocarem.
Não, não, nada disso macula
As movimentadas ruas da Alemanha.
Não, não, não acontece tais selvagerias
No seio da alienada sociedade estadunidense.
Fácil é ignorar a dor do outro
E fazer da nossa ignorante paz um escudo,
Enquanto fechamos os olhos para a barbárie.
Mas na periferia do capitalismo,
Onde os indesejados pelas potências globais choram,
Desenrola o apocalipse das atrocidades.
É apartheid, é genocídio,
É barbárie, é colonialismo,
São as mortais realidades sangradas
Pelo povo de Gaza.
E impostas pelo ilegítimo e truculento
Estado de Israel.
O Nosso Carnaval
Nem a apatia de um retiro espiritual,
Só o colo da mulher amada
E a calmaria do aconchegante lar.
Longe das lotadas ruas é melhor
Respirar o aroma dos nossos corpos,
Os drinks caseiros que nos refrescam,
As tardes quentes de desejos.
Ser amor, deliciarmos pratos juntos.
Eu e ela rindo de futilidades,
Nos emocionando com cenas de filmes,
Relembrando instantes marcantes.
Todo dia conversar,
Alegrar com tudo que vivemos.
Desfrutarmos, comemorarmos
E juntos ser um só, carnavalizar,
Na simplicidade a dois saborear
As experiências mais incríveis.
Domingo
É o dia do corpo esparramado pelo sofá,
Dos risos no almoço familiar.
Horas cheias de espontaneidades e desprovidas
Da fumaça e coisas corriqueiras do mundo lá fora.
Nada de fadigar as costas com turvas coroas protocolares.
O cálido prazer está em fresquíssimos risos com os pais,
Em rechear o leito de luxúrias junto à mulher amada ao acordar,
Em virar em longos tragos a garrafa de vinho fino.
A tranquilidade que ameniza o crânio das tonturas semanais.
O Acabrunhado Corpo Coletivo
Quem já faleceu diversas vezes décadas atrás.
Um corpo exaurido de provar o veneno de ditadores.
E que no travesseiro da democracia continua a ter
Sua dignidade torturada por espúrios parlamentares.
Os membros desse corpo estão condenados a carregarem
Os despojos de um golpe travestido de soberania popular...
Arrastarão suas vísceras cansadas de trabalhar,
Enterrarão seus olhos em hegemônica pobreza.
E sobre o deserto de tanta torpeza permanece estático
O dono desse corpo - o povo, corpo coletivo passivo,
Acabrunhado, inerte, com seus membros todos dessincronizados diante
Das incessantes torturas que sacrificam a sua já calejada epiderme.
Em Busca da Verdadeira Independência
Enviaram multinacionais, controlaram governos entreguistas.
E com a dilapidação das riquezas brasileiras,
Compraram tudo a preço de banana em manipuladas privatizações.
O colonialismo e espirito de vira lata voltaram (talvez nunca foram embora).
Arrotando tosco nacionalismo, de contentamento com o desemprego das massas,
As tecnologias e indústrias nacionais foram desmanteladas em nome do capital estrangeiro.
Voltamos a ser colônia, a manter a sina de ser periferia do capitalismo.
Continuarão lambendo as botas dos yankees?
Ser boi de corte para estrangeiros?
Onde estão às revoltas, greves, motins?
Será que um dia o bovino e oprimido povo dará um basta?
Em qual época haverá nossa verdadeira independência?
O Retrato da Burguesia
Doma a humanidade.
De golpismos latentes,
Preconceitos frequentes,
De obscurantismo medonho,
É uma sagaz hiena
Que manipula a política,
Diminui a dignidade do povo
E tira tudo que há de igualdade entre as pessoas.
Em duras regras impostas nas fábricas,
Se alimenta do suor do trabalhador,
Engorda suas contas bancárias com
A tenaz mais valia extraída da labuta proletária.
O bom burguês, que de bom não tem nada,
Dominou seres humanos como obedientes animaizinhos,
Restaurou seus privilégios ao manipular direitos alheios.
E ela só cresce, saqueia o Estado, corrói a democracia,
Sangra os cofres públicos e enfia milhares na miséria.
Chaga social de olho apenas nos cifrões, nos lucros do capital,
O cais da putrefação coletiva que valoriza o ter antes do ser.
Coleções de Marcas Deixadas Nos Amigos
Terminar o dia e minimizar
A minha insignificância no planeta.
No decorrer das atividades diárias
Deixei marcas nas pessoas que não serão apagadas,
Influências e sentimentos em íntimos indizíveis.
Empreguei afetuosa pedagogia para orientar uma depressiva aluna.
Fiz revisões textuais para ajudar um amigo de trabalho.
Orientei aquele que estava com os nervos embrutecidos,
Escutei com esmera atenção quem estava com problemas sentimentais.
A palavra compartilhar foi termo bem empregado quando indiquei
Diversas canções de rock ao que estava distante geograficamente,
Quando me diverti conversando com outra amizade sobre modelos de guitarra.
Longe do compartilhar os saberes com os amigos,
A vida se esvai em tédios... É noite sem intenso luar.
O brilho do conhecimento só reluz quando é útil
Em direção ao próximo, no seu compartilhar com as amizades...
Aquele que ajuda uma vida contribui para a beleza (já escassa) no mundo.
Ode Matinal ao Sol
Após saltar da cama e pegar o asfixiante transporte coletivo,
Os intensos raios de sol trazem lascas de vivacidade.
Agora levo para o abatedouro que é o trabalho,
O crânio mais leve, este motor de constante indagar.
Como um místico salvador que deixa
Arrebatadora mensagem por sobre os ombros,
O astro rei deixa um poema no mundo recheado de aprendizados...
Liras que descansam os afoitos e desavisados.
O sol ilumina as faces e silencia as dores,
Nasce todos os dias para relativizar os sofrimentos.
Pois a cada manhã, as possibilidades se renovam.
Com sua intensidade encanta os olhos e seu
Ofuscante brilhar trucida as calçadas da vida limitada...
Ensina sem nenhuma palavra que todo erro
É dilapidado no constante adaptar-se as contingências.
Mesmo o mundo insistindo em ser o mesmo,
Essa bola de oxigênio e desenganos,
O nascer e o poente do astro rei geram novos dias,
Novos caminhos para as existências já sem significados.
O Fracassado Golpe de Estado dos Bolsonaristas
Aos arroubos de um fracassado golpe de Estado.
Os vermes fascistas,
Combatentes do obscurantismo,
Armados de ignorância até as gengivas
Esfaquearam quadros de Di Cavalcante,
Destruíram salas do Senado,
Mijaram na Câmara.
Eram porcos sujando os palácios do poder,
Evangélicos que pediam a benção
De Cristo em nome da depredação.
Mas se diziam cidadãos de bem
E que desejavam violentamente
Depor um presidente
Que democraticamente
Foi eleito ao poder.
No esgoto social,
Catando restolhos da ignorância coletiva,
Os bolsonaristas aplicaram
De vez o cancer golpista
No corpo já anêmico do país.
Nos picos ditatoriais
Desejavam o futuro vivido
Entre fogueiras e sandices.
Nada de respeito, rompimento de toda civilidade.
Monstros, terroristas, canalhas,
Renovadores do medievo, do nazismo
E de 1964 na tentativa de sequestrar o país
E tomba-lo na epiderme composta de censura.
Mas perderam a batalha,
São estrumes a ocuparem cadeias
E fétidas lembranças que
Permanecerão na memória do país.
Animais fuçando no lixo
Dizeres cheios de racismo,
Preconceitos de classe,
Insetos a serem esmagados
Pelos braços do povo.
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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.
Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.
Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.
Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.
Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.
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