Lista de Poemas

Quinta Feira Blues

Acordei cedo com o lamento do blues,
A mente encharcada de preocupações,
Como uma desgastada gaita empoeirada
No bar, tocando agudas notas de incertezas
A embalar uma constante melancolia.

Uma doença me abraça como um falso amigo,
Alterando meus órgãos, minando a vitalidade.
Os anos passam como um rápido trem,
Levando embora pedaços importantes de mim.
Como dizia Howlin' Wolf, agora digo sobre minha doença:
Eu fiz o meu feitiço, mas simplesmente não funciona em você.

A estrada da vida é uma trilha tortuosa,
Com curvas sinistras e atalhos sombrios,
Mas mesmo cansado, arrasto meus pés,
Pois a brevidade é a única certeza.

Como lutador de boxe, levo socos e vou adiante.
E entre altas e baixas do diabete,
Sigo o caminho do gozo com moderação,
Do corpo sadio, da vida simples, sem excessos.
Vivo prazeres essenciais, evito ostentação,
Saboreio as boas companhias
Na delícia da linha do tempo
Que me é permitida.

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Reflexões Desencadeadas Pela Detioração da Saúde de Meu Pai

Para onde vamos após à morte?
A pergunta ecoa, insistente, no ar,
Os teístas com seus alentos
Tem mecânicas e prontas respostas.
Na realidade, vivendo com os pés
No sujo e concreto chão,
O abismo final será no cemitério mais próximo.
Lá, entre lápides e silêncio,
O corpo descansará,
A terra acolherá meus restos
E a memória será esquecida como fumaça.
No solo frio haverá a paz definitiva que
Nunca houve em vida (apenas lá ela existe).

Mas por que carregar tal peso?
Empreender tempo e atenção
Com a última morada?
As entranhas ainda pulsam,
Resistem em meio às doenças
Que enfraquecem o corpo.
A mente reinventa-se diante
Das enfermidades que avolumam
Com o passar da idade.

E mesmo com os ataques covardes
Sobre meu corpo e de meus entes queridos,
Tentar viver sem remorsos, sem lamentos,
Fazer o pulso vibrar, ir adiante apesar das
Limitações impostas pela cruel natureza.
Pois o tempo escorre entre os dedos
E a foice fatal nos lembra a finitude.

Antes da última morada,
À sete palmos abaixo da terra fria,
Aproveitar o absurdo, mas divertido passatempo
Existencial... Respirar, rir, amar, sonhar,
Cuidar dos próximos e simplesmente viver,
Antes que o oponente implacável nos abrace.

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Contentamento

A vida é contínuo vale de percalços,

Dores de cabeça, problemas,

Conflitos, crises.

Não há solução definitiva, final

Para este caminho de espinhos.

Diante dessa colcha de perene incômodo,

O ideal de contentamento completo é

Falsa historieta a enganar adultos infantis.

Não há perfeição, o contentamento

Se dá na dialética do que se deseja

E o que a realidade oferece.

O que sobra dessa operação

É o que incendeia o coração.

Os abismos diminuem seus tamanhos,

Os males cessam,

As feridas cicatrizam,

Os buracos acabam...

E os labirintos cruéis da vida

Não dissolvem por completo

O sentimento que faz o homem ir adiante.

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Suportando o Cotidiano

No meio da rotina,
Entre o café da manhã
E a reunião do trabalho,
Recrio alegrias
Para aguentar o cotidiano,
Uma faísca que faz vibrar,
Que conecta aos sentidos
E faz ir adiante.
Todo dia esquento
Os acinzentados dias
Com a intensidade das emoções
E ignoro as baixas da vida
No subsolo das memórias.
Em todas as manhãs
Renovo meu compromisso
De me manter de pé
Nas entrelinhas da rotina,
Transformando o ordinário
Em algo palatável aos olhos
E tentando viver bem, da melhor
Forma possível no insano mundo.
Longe está de minhas mãos
O descanso da foice fatal.
Ignoro essa final sentença
Enquanto devoro o banquete
Possível que a realidade me oferece.

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Aprendizados Com Meu Pai

Na infância, a lembrança distante emerge,

Como um pedaço de tempo perdido.

Sozinho, envolto na escuridão, assustado,

Meu pai veio ao meu encontro,

Herói em um instante de medo.

 

Perdi-me na construção da vida,

Ele, com zelo, veio me resgatar.

A cicatriz perto do olho,

Lembrança da dedicação incansável,

Uma vida moldada por seu amor.

 

Anos passaram, juventude vivida,

Diálogos com meu pai, farol a iluminar.

Caminhávamos pelas ruas do Maranhão,

Fome nos olhos das crianças desfavorecidas.

Palavras sensíveis, indiferença afastada,

Partido tomado em nome dos humildes,

Ele me incutiu a preocupação com os miseráveis.

Tremo de indignação, testemunho injustiças,

Me assemelho a ele, apesar das diferenças.

 

Tempestades enfrentadas, Londres e tristeza,

Companhia inigualável, bússola nas vivências.

Desafios superados, momentos compartilhados,

Vinho, Botafogo, paixões que nos une.

 

Meu pai é mais que pai, é amigo,

Referência em formação humana.

Valores fundamentais,

Solidariedade e simplicidade,

Ensinamentos desde a infância.

Companhia inestimável, tranquilidade presente,

Ombro que conforta nas horas de necessidade.

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A Literatura é a Ferramenta de Exorcizar Demônios Internos

A literatura é a ferramenta
Que exorciza os demônios internos,
Exorciza os limites, os dilemas.
Ela é a língua que liberta dos pudores,
Colore o cotidiano acinzentado.

O ato de escrever me desenvenena
Do ar pesado e inóspito do dia a dia.
Ela mostra um mundo de várias alternativas,
Que a realidade pode ser mais larga
Do que foi imposto pelo acúmulo dos erros.

Mata a fome além do pão diário,
Mostra necessidades imateriais, mentais,
Além de pagar boletos, trabalhar e ter saúde.
Dá voz a uma gama de desejos, anseios
E vivências que sufocam o peito, mas que
São libertos pela palavra escrita, pela poesia.

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A Dança dos Punhos de Mike Tyson no Ringue

Em um ringue, Mike Tyson, se ergue,

Mãos altas, cotovelos junto ao peito,

O olhar atento, a mente afiada.

Seus pés dançam, ágeis e rápidos.

A cabeça se move, esquiva e busca

As fraquezas do oponente, os segredos ocultos.

Com sólida defesa, movimentos precisos,

Ele tem ataques rápidos e afiados,

Cruzados e ganchos como garras de poder.

O público segura a respiração,

Enquanto o boxeador tece a melodia de golpes,

Combinações explosivas, ritmo implacável,

O oponente cambaleia, desequilibrado.

E então, o golpe final, os socos estonteantes,

O estilista das quatro cortas triunfa,

Nocaute, aplausos, a multidão em êxtase,

Tyson, o maestro do ringue, vence a luta

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Atirando nos Nazistas Para Sobreviver

Eu sou o prisioneiro, o enjaulado,

O faminto por vingança diante do genocídio.

Com olhos ardentes ao observar pilhas

De carne humana, eu fugi da prisão.

Cada palavra martelada de discriminação,

Cada ofensa como um grilhão dito pelos nazis,

Os discursos de Hitler me feriram.

E agora, eu sou o lobo faminto, o caçador.

 

Eu queimo memórias, queimo dor,

Descendo o rio da raiva, das lembranças,

Montado em sentimentos selvagens,

Uivando para a lua o nojo daqueles

Que espancaram meus pais.

Meus dentes rangem, rompendo grades invisíveis,

Correntes de ódio, correntes de sangue,

Nas águas da vingança, eu nado.

 

Eu sou o judeu errante, o resistente solitário,

Com a pistola em punho, o crânio em chamas,

Atiro nos nazistas, buscando sobreviver.

Cada bala que disparo é por uma vida esmagada,

Um som pela liberdade, pela vida que ainda resta.

A estrela de Davi em meu peito é como se marcam bois humanos por aqui.

Eles me chamam de traidor, de inimigo do Reich,

Mas eu sou apenas um homem que não quer morrer.

 

Em cada esquina, a morte espreita, os olhos azuis me caçam,

Mas eu não recuo, não desisto, não me rendo,

Pois sei que a esperança reside na ponta do meu cano,

E a vingança é o fogo que me mantém vivo.

Assim, eu atiro, e atiro, e atiro novamente,

Cada tiro é uma lembrança do que perdi,

Dos campos de concentração, das câmaras de gás,

E eu nunca esquecerei, nunca perdoarei.

Com minha pistola em punho,

A mente indignada com tanta atrocidade,

Atirando nos nazistas para sobreviver.

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Atirando nos Nazistas Para Sobreviver

Eu sou o prisioneiro, o enjaulado,

O faminto por vingança diante do genocídio.

Com olhos ardentes ao observar pilhas

De carne humana, eu fugi da prisão.

Cada palavra martelada de discriminação,

Cada ofensa como um grilhão dito pelos nazis,

Os discursos de Hitler me feriram.

E agora, eu sou o lobo faminto, o caçador.

 

Eu queimo memórias, queimo dor,

Descendo o rio da raiva, das lembranças,

Montado em sentimentos selvagens,

Uivando para a lua o nojo daqueles

Que espancaram meus pais.

Meus dentes rangem, rompendo grades invisíveis,

Correntes de ódio, correntes de sangue,

Nas águas da vingança, eu nado.

 

Eu sou o judeu errante, o resistente solitário,

Com a pistola em punho, o crânio em chamas,

Atiro nos nazistas, buscando sobreviver.

Cada bala que disparo é por uma vida esmagada,

Um som pela liberdade, pela vida que ainda resta.

A estrela de Davi em meu peito é como se marcam bois humanos por aqui.

Eles me chamam de traidor, de inimigo do Reich,

Mas eu sou apenas um homem que não quer morrer.

 

Em cada esquina, a morte espreita, os olhos azuis me caçam,

Mas eu não recuo, não desisto, não me rendo,

Pois sei que a esperança reside na ponta do meu cano,

E a vingança é o fogo que me mantém vivo.

Assim, eu atiro, e atiro, e atiro novamente,

Cada tiro é uma lembrança do que perdi,

Dos campos de concentração, das câmaras de gás,

E eu nunca esquecerei, nunca perdoarei.

Com minha pistola em punho,

A mente indignada com tanta atrocidade,

Atirando nos nazistas para sobreviver.

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A Persistência de Sísifo

Em um mundo louco, Sísifo sorri,
Suas pedras são fardos e ele entende
Que ainda é bom se viver no caótico universo.
Condenado a repetir, sem razão, sem motivo,
Centenas de trabalhos cansativos e dolorosos,
Enfrenta o absurdo com persistência.

A rocha, sua dor diária, sobe e desce,
Seu rosto confunde-se com o mineral.
Mas em cada passo, um gesto de esforço,
Encontra a liberdade no hábito de rolar a pedra.
Na contínua subida, ele luta contra a montanha. 
O absurdo não o vence, mesmo cansado,
Sísifo persiste feliz e desafia a vida e a morte.

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