Lista de Poemas
O Medo da Morte
Com o gemido final que é a morte?
E o meu último respirar perante
A foice fatal, como será?
Serei cremado como desejo
Ou estarei rodeado de falsos amigos sentados
Em frios mármores de um cemitério?
O curto instante de ser é aqui,
Confraternizando com as pessoas amadas
E tentando transformar o mundo,
Não me agrada nada como ele é!
O medo da morte é o caminho da inutilidade,
Espírito apequenado, cenário do nada.
Por que negligenciar a vida?
Livre é o homem que pouco ou
Nada pensa sobre o caminho final.
O que importa está aqui, no fazer terreno...
O dito lado de lá são vazias promessas.
Enquanto vivo, me equilibro em corda bamba,
A fria dama é sensação inexistente.
De meu crânio e veias brotam
A verborragia contra os incômodos,
Os malabares que exercitam com destreza
As argolas e facas compostas
De escolhas e consequências.
E quando a pirotecnia dos átomos findar?
Eu fui, não sou mais,
Boas experiências vividas,
Memórias para meia duzia de amigos,
Amor plantado nos familiares,
Tateei o mundo, combati o bom combate...
Vivi, acabou, não me importo!
A Frágil Beleza Humana Perante o Vazio do Cosmo
Se tudo é passageiro, ilusório e um comboio para o nada?
Do que adianta construir um anelado castelo baseado nos
Papeis de um eficiente profissional, ganhador de capital
Com o próprio suor, educado vizinho, cumpridor das leis,
Se o cansaço supera os disfarces civilizatórios?
O peito estufado, o orgulho dos status parece que valem
Tanto quanto uma rocha solta na imensidão do universo...
Nada, zero absoluto, nenhuma saída para fugir das fases de um
Vídeo game existencial. Nascer, crescer, trabalhar,
Nutrir vaidades e desintegrar o esqueleto numa lápide (game over).
Será que tudo é apenas o enredo irracional de um jogo sepulcral?
Apesar do aparente monótono movimento há beleza na vida.
Há uma vontade imensa de goza-la, de saudá-la perante cerrado niilismo.
Vacila a saúde, falta ardor, vive-se magreza de alegrias,
Mas sempre se planeja um novo sentido, um valor que a tudo sustente.
Aí vem um novo ânimo, hábito ou amor pelo qual vale a pena viver...
Sempre há alguma coisa que atraia a vida, que secundarize a depressão.
E nas pequenas órbitas deixadas pelo caminho se criam uteis
Respostas, combustíveis pelos quais gozamos a vida.
Se existem os motivos para viver, tudo se desfruta, apesar dos reveses.
Assim eu viajo, bebo, caminho, conheço, como, experimento, beijo, transo,
Reflito... Amo tudo como se fosse a única ação a ser feita.
Não importam os títulos, o dinheiro, o emprego, as exposições sociais,
Sem conexão com os outros ou com valores que amenizem o fardo nas costas,
A existência é apenas uma curta chama apagada pela fatal foice.
As Práticas dos Fiéis de Jesus e Buda
Não deveria ter esquecido
De detalhar com empiria
Como os meros mortais
Estressados, cansados no mundo moderno
Alcançariam o inatingível nirvana.
Caro Jesus,
Mesmo deixando reflexivos sermões
Nunca se viveu plenamente o amor ao próximo
Ou a partilha do pão entre os hipócritas cristãos.
Há mais moralistas fiscalizando beijos gays
Ao invés das práticas na cartilha do perdão.
Mestres do Ocidente e Oriente,
As boas novas morreram em uma cruz fincada
Na Judeia e em uma última meditação na Ásia?
Atravessam as mentes em dogmas diversos,
Usam uma couraça de valores,
Palestram sobre tudo e todos,
Mas são abomináveis em suas discriminações.
Os fiéis quando estão a sós,
Em frente ao espelho:
São práticas pela metade,
Erros abissais de quem se diz humano raro.
A Vida e Seus Abismos aos 38 Anos
De seus cheiros, seus sabores.
Mas ele é indiferente a mim,
É uma noite que não me embala o sono,
Livro que oculta respostas em suas páginas.
Mantenho meus esforços,
Aprecio os jogos dos dias por prazer
Mesmo que a direção dos caminhos
Não seja guiada por um divino maquinista
Ou racional mapa de ação.
Pinto belas obras no estar vivo,
Sou eu o único responsável pelo fardo
Das responsabilidades e escolhas assumidas.
Viver como quem está ferido, enfermo
Por uma angústia
E mesmo assim golpear com revolta
Os abismos que consomem os ânimos.
Viver como quem inventa uma alegria
Mesmo nos dias nauseados.
Viver uma vida criando valores,
Plenos sentidos e respostas
Que superem qualquer situação,
Se rebelem contra qualquer grilhao
Ou a mudez do universo.
Fazer as próprias escolhas
Nos tortuosos caminhos.
Não sou fisicamente idoso,
Mas muitos dias tenho 80 anos de idade.
Sou um velho em um corpo de um jovem,
Com os 38 ainda sinto um grande desejo de
Relembrar memórias em fotografias,
Acalmar os nervos na praia,
Saborear um cabernet,
Beijar a mulher amada,
Rir com amigos,
Apreciar a companhia dos pais,
Incomodar o crânio com instigantes leituras,
Abraçar a vida como ela é.
Estar presente no caótico mundo,
Indiferente a morte.
Na minha ação,
A felicidade,
O contentamento,
O sentido
De existir!
Brasília
Projeto sonhado por Niemeyer,
Cidade desprovida de ares novos,
Marasmo de concreto no cerrado,
Útero gerador de periferias que são escondidas,
Capital com ares de misérias ocultas do público
Em monumentos patrimônios da humanidade.
A sanha do brasiliense é a aglomeração
Consumista em enfadonhos shoppings.
O Lago Paranoá é o habitat natural da burguesia
Enquanto os “oreias-secas” gastam
As horas em fétidas viagens de ônibus.
Os terceirizados comem pastel na rodoviária
E limpam fezes nos departamentos públicos,
Mas sonham com as ilusões meritocráticas
De que "vencerão na vida”.
Expulsar pobres do "centro",
Derrubar ocupações dos humildes
E regularizar invasões dos ricos
É a tônica dos governantes.
Os novos retirantes mastigam marmitas
E morrem nas filas dos hospitais.
Muitos pobres que aqui residem
Têm síndrome de classe média,
Comem pão dormido,
Mas arrotam caviar para não perderem a pose.
Vivem em imóveis de surrados alugueis,
Lotados de dívidas,
Mas exibem carros parcelados
Em suaves prestações de quarenta vezes...
Simulam o estilo de vida do servidor público
E desejam serem semelhantes ao patrão.
Sol Nascente, Fercal, Estrutural,
Rastros de miséria que não são vistos
No cartão postal da cidade.
A Realidade
Engolidos pelos dentes do vazio e da podridão.
Seja o sol um astro de intensa luz que deixa
Os troféus de derrotas a vista de todos.
Mesmo nos períodos que a vida se torna intolerável
E o açúcar se torna agulha mortal no sangue,
Contente-se com a realidade mesmo sem brio.
Ela não se compõe de fundos sonhos, lindas fantasias,
Mas é o que existe, vale a pena rolar a pedra.
Por cima dos dolorosos muros é possível
Morrer, renascer, ser máquina para triturar
Absolutamente tudo e fazer tudo de novo.
Viver Com Autenticidade
E percebi um lugar agressivo,
Indiferente as necessidades humanas.
Olhei o farto cotidiano
E purifiquei essa trilha de espinhos
Ao assumir as próprias escolhas.
Olhei a vida rolando como pedra
Montanha abaixo e
E além de suportar seus percalços,
Me rebelei contra seus caminhos coisificantes.
Defendi as próprias opiniões para não
Seguir a maré de silenciados escravos.
Olhei todo dinheiro e posses
E acostumei a entender que
Tudo isso nunca é um fim em si mesmo.
Olhei a vida novamente,
Com toda sua dor, incerteza, absurdos
E decidi viver de forma autêntica...
Rebelando contra o dia a dia,
Inventando e reinventando movimentos,
Lutando para não está morto,
Apropriando de si, tomando consciência do real,
Esculpindo na lama o duro ferro do espírito.
Me olhando e renascendo das cinzas
A cada amanhecer, como uma insistente fênix.
O Cansaço do Trabalhador
Despertador acionado,
Pés no chão,
Olhos mal abertos,
Preguiça ao deixar a cama,
Comer apressadamente,
Arrumar a casa,
Rápida conversa com familiares,
Trânsito,
Patrão exalando humilhações,
Cansativo trabalho,
A mais valia lapidada em muitas horas.
Diante do suor derramado
Por sujeitos maltratados nas indústrias,
O Estado é o comitê
A defender os grilhões dessa miséria.
Há uma exploração intensa
No centro da Terra que cansa
Muitas mãos em febris afazeres.
É inútil contra isso rebelar?
Agora os trabalhadores estão silenciosos.
Mas o silêncio pode ser a semente
De tudo alterar.
Tudo está paralisado,
Mas pode ser posto em movimento
Em nome da mudança, da libertação.
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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.
Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.
Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.
Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.
Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.
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