Lista de Poemas

Sem Paraíso, Apenas Amor

Saber que posso a outra pessoa dar amor,

Sem promessa divina, sem fixação em paraíso,

Nem medo de punição em seu torpor,

Apenas o altruísmo, minha doação.

 

A vida, vazia, sem norte ou caminho,

Não traz da natureza ou cosmos voz de alento.

Mas se não há sentido algum sozinho,

Cabe a nós criarmos o que é valioso ao lado de alguém.

Forjamos o sentido em cada afeto,

Transformamos o vazio que incomoda.

 

Em pura ação, e própria criação,

O sentido da vida é nosso,

Feito pelas próprias mãos, árduo suor,

É a busca de algo que aqueça o coração.

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Respostas e Ações Para a Questão Primordial

Acorda, um homem comum,

Emaranhado nas teias de preocupações:

Conta bancária rasa, corpo esmorecido,

Saúde em urgentes aflições, cenário desolador.

Surge a pergunta existencial,

A verdadeira questão filosófica:

"Vale a pena viver?"

"Por que não tudo se esvair?"

"É hora de se libertar de toda agonia?" -

Sussurros no silêncio do desespero.

 

Busca organizar os pedregulhos,

Colocar os problemas de forma

Que caibam na prateleira da paciência,

Novamente insiste em desenvolver

Hábitos que sejam combustíveis

Que alimentem a persistência,

Não sucumbir à vida incerta.

Fraqueza, cansaço, desânimo,

Companheiros constantes no dia-a-dia,

Obstáculos do árduo caminhar.

 

Mais uma vez, a cruel indagação,

"Por que não?" a lhe recordar.

Mas ele persiste, em teimosia e vontade,

A abafar no peito a atormentadora pergunta.

 

Assim segue o homem comum,

Na batalha contra o mal-estar,

Tentando desvendar o sentido,

Na espiral de desilusão e cansaço.

Com ideias sombrias, a mente aflita,

Sentindo doenças e situações corriqueiras Roubar-lhe o bem-estar, as responsabilidades pesando.

 

Em alguns momentos de ânimo tenta

Encontrar significado na conexão com os outros,

Nos sentimentos, nos momentos prazerosos.

Cansado, dolorido, desanimado há dias,

Tenta, mesmo com o crânio desolado,

As vértebras de otimismo esfaceladas,

O corpo dando sinais de fraqueza,

Se renovar e abraçar mais uma vez a vida com fervor.

 

Tentando recordar que a vida, mesmo absurda,

Carrega em si a beleza do continuar,

Em gestos de amor e contentamento.

Memórias sussurram ao seu ouvido,

Que o absurdo não é o fim,

Mas o recomeço de um viver,

Onde o homem cria seu próprio caminho.

A vida, mesmo em meio ao caos,

Oferece momentos de prazer,

E que em instantes de significado,

Que se encontra a força para continuar.

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Urgência em Viver e Buscar Sanidade no Caos

Minhas manhãs são governadas pelo implacável alarme, 
Sem tempo para acompanhar os exames dos pais, 
Nem para a simplicidade do prazer genuíno. 
Me robotizam para respirar a sufocante poluição, 
Aguentar o estafante dia, me tornando uma partícula 
Perdida no vácuo social sem sentido.

No capitalismo, a vida é um protocolo rígido, 
Corações e mentes sob controle severo, me querem eficiente, 
Máquina fria, apenas postar, curtir, consumir, sem refletir, sem sentir.
No vazio de valores, travo uma batalha incessante, 
Afirmando o ser em meio ao nada dos cifrões, 
Buscando humanidade, serenidade e dignidade, 
No caos incessante que o trabalho e a alienação ditam.

Há urgência em viver, em respirar outros ares,
Sentir e suportar o peso do mundo nas costas cansadas.
No meio da multidão, tentam impor o espírito de rebanho,
Átomos em colisões sociais, buscando contentamentos.
Há urgência em superar esses abismos.

Na luta contra todo vazio,
Na afirmação do ser,
Enfrentando os ventos contrários,
Buscando a serenidade em meio ao caos.
São os piores tempos possíveis, mas é o que temos em mãos, 
É viver e tentar melhorá-los com ações e convicções.
Mesmo com o corpo cansado, mente inquieta, insônia, 
Supero o vazio, a insanidade, a exploração, 
Busco a sanidade no caos - tentar é o que resta!

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A Pedagogia do Erro

Em meu vasto ser me engano, as palavras florescem em fogo e cometo erros. 
Digo pesadas ofensas como rios que correm livres de limites.
E com a intensidade do coração que pulsa, tomo erradas decisões. 
Às vezes levado por forças que movem montanhas dentro de mim, 
Deslizo na desarmonia do nervosismo, na dança e vento da pressa, 
Floresce em mim as carências da racionalidade e prudência.

E eu me engano, uma, duas, mil vezes, cometo falhas repetidas, 
Situações que podem ser corrigidas, fatos que merecem reparação.
Mas erro e nesse pedregulho me encontro. 
Na falha, na navalha do arrependimento, encontro um traço da grandeza, 
Pois cada passo em falso me refaz.
E sinto na derrota uma nova fortaleza, rocha que construo refúgio.

Equivocar, errar é o caminho para além. 
Em cada erro há uma chama a brilhar, sou feito de fragmentos e de quedas, 
Caminho pelos tortuosos vales, na dor do engano, a vida também se revela.
Aceito o desafio do errante caminho e vejo nele a redenção. 
Errei, mas sou o que tracei meus passos, nele me ilumino.

Eis-me aqui, forjado em incessante fogo, moldado nas brasas dos equívocos. 
Ser efervescente em refazer caminhos, pois os erros elevam a grandiosidade.
Os erros nos transforma - a mim e a todos - em engrenagens transcendentais, 
Intimas do fracasso, parte fundamental de tatear e conhecer o mundo.

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Insônia e Realidade no Deserto

Não durmo nas madrugadas ao dirigir meu carro quebrado

E acometido por uma insônia sem fim,

Mas sou eu mesmo o motorista,

Que decide por úteis ou estranhos caminhos.

Sou o errante navegante pelo deserto.

Sou eu quem traça as rotas na imensidão árida,

E transforma em força a falha do mapa em mãos.

 

Afundo o pé no acelerador, às vezes freio,

Me forço a dirigir até os mais distantes oásis,

Muitas vezes chegando em infernos travestidos de paraísos.

Mas sou a poeira do deserto, resistindo a longa estrada.

Sou eu que luta pelo paraíso terral,

Alcançável apenas nas dunas brancas de Ednardo.

 

Na estada quase sem fim, a realidade é neutra,

A natureza em sua aridez nada mostra se é bom ou mal,

É indiferente, sem valores intrínsecos.

E correndo, percorrendo estradas, visitando paradas,

Os valores surgem das relações que estabeleço,

Amigos, afazeres, estranhos, idiotas.

Nas estradas poeirentas, entre ruínas e oásis,

Crio significado no vazio de um grande cenário,

Moldo a rodovia e suas curvas com minhas interações.

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Cervejas, Jack Daniels e Rock N' Roll Em Um Sábado

Eu tenho minhas armas de descanso nas mãos
Com destino ao relaxar no sábado pela manhã:
Cervejas e Jack Daniels na mesa. 
A semana se desfaz em ombros fatigados, 
Solos do Lynyrd Skynyrd dão prazer aos ouvidos, 
O rock alivia os dias mais pesados.
O copo firme na mão, cada gole é trégua, 
Um suspiro para recarregar as baterias da vida. 
Na guitarra, na letra sobre liberdade do vôo do pássaro, 
Sobre as histórias de um homem simples,
A melodia dissolve os incômodos
E o cansaço se esvai, no som suavizado.
A mente vaga em notas, desejos e lembranças.
Esqueço o relógio, a pressa, os afazeres, 
Apenas descanso, goles e solitude.
O descanso é mais que mero alívio, é caminho à felicidade, ao bem-estar.
Nas horas de lazer, cultivar as virtudes.
No ócio criativo, longe dos aborrecimentos do trabalho,
A mente encontra o espaço para relevar outras qualidades.
Enquanto brindo e ouço os acordes, desenvolvo faculdades mais elevadas.
Em cada pausa, em cada silêncio, contemplo a vida serena e realizada em prazeres.

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A Vida Ainda Vale a Pena

Como afirmava Gullar: como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, 
Embora o pão seja caro e a liberdade pequena. 
Resisto aos picos do sofrimento, busco a luz que acena na acinzentada realidade. 
Em cada falso sorriso, em cada lágrima, a certeza de prosseguir permanece.
Carrego no peito as vontades e ações que o tempo não enfraquece, 
Mesmo quando as horas se arrastam em tédio e o fardo da realidade pesa. 
Há um brilho constante, uma força que não se esquece, 
Pois no agir e pensar, a mente jamais fenece.
Os dias são duros, os caminhos incertos, 
Mas sei que nas trilhas árduas, há beleza, 
No amor que plantamos, no desejo desperto.
Na dança muda e indiferente das galáxias, 
Eu, minusculo e sem valor grão de areia no universo,
Encontro fortaleza. 
Sigo em frente, com o coração aberto, 
Sabendo que, apesar de tudo, a vida ainda vale a pena.

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O Refúgio do Amor

O lar não é só onde fomos criados,

É também no amor que se encontra.

Ele cria uma mansão aconchegante,

É fuga do caos do mundo.

 

O amor é abrigo de porta aberta,

Segurança diante dos ventos da incerteza,

Mundo de quentes experiências,

Alegria que vence a amargura, faz do eu um nós.

 

Hoje, amanhã, ontem, há turbulências, infernos,

Discussões, frustrações, inseguranças.

Mas nessa casa se luta, vive, compartilha,

E lá toda ferrugem vira brilho.

O amor sempre recomeça, faz o necessário

Para o bem, morada sólida, laço indissolúvel.

 

Lar, doce lar de vivência a dois,

De feriados no êxtase do prazer

E descanso, o casal desligado do mundo.

Uma vida inteira de companheirismo.

Abrigo raro atualmente,

Mas moradia fundamental

Para encontrar a amiga, confidente, 

Companheira, que nutre amor sem igual.


 

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O Viajante e a Estrada Quase Infinita

Dirijo na estrada e dificultam minha chegada,

Impondo destinos, pontos novos,

Rotas que são grilhões que me impedem.

Valores religiosos limitam auroras,

Valores moralistas, dúbias verdades,

Se tornam neblina na frente do veículo.

 

Mas sigo persistente, olho a estrada,

Dirijo rumo a novos horizontes sem recuar.

Os dias terminam com incômodos,

Mas como águia astuta, nada me para.

Neste volante, nada me detém,

Viverei em alta intensidade.

 

Expugnarei demônios, rumo à nova aurora,

Me rebelo contra o imposto.

Percorri longa estrada, obstáculos,

Placas errantes, paradas dúbias,

Mas permaneço firme em minha direção.

 

Desejo ver todas as coisas do mundo,

Sabores que adoçam as cidades,

Lugaras que encham os olhos,

Falas fora do caminho habitual,

Soturnos dias transformados em iluminados.

Sou lobo uivante, longe da alcateia,

Em busca de novas praias e vales,

Viajante a explorar novas realidades,

Na estrada quase infinita, sigo todas as manhãs.

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A Beleza na Amargura de Augusto dos Anjos

Sempre releio os soturnos poemas

De um dos meus mestres literários,

Augusto dos Anjos, ícone da nossa literatura,

Que traduz de forma pujante o desencantamento,

A melancolia em relação ao cosmos.

Eu e minhas poesias se identificam com

A consciência em forma de morcego

Que sempre entra sorrateira em meu quarto.

 

Filho do carbono e operário das ruínas humanas,

Na poesia do paraibano, a vida é crua,

A dor é certa, a morte é nua, sem véus de conforto.

Mas há na escuridão uma verdade pura,

Que ensina a ver beleza na amargura.

 

Ler a poesia de Augusto é experiência singular,

Seus versos densos, vocabulário científico,

Desafiam o leitor a refletir sobre a morte,

A existência, a dor, a angústia, a ingratidão,

O acostumar com a lama que a todos espera.

Uma introspecção nas questões fundamentais,

Reflexões sobre o beijo que antecede

O escarro, a mão que apedreja.

 

Versos sobre carnes em decomposição, vermes,

Criam experiência sensorial intensa ao leitor.

Uma poesia carregada de pessimismo,

Que leva a refletir sobre os escombros

Do homem e o sentido de sua vida.

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