Lista de Poemas

Dimensão

Duas ou três vezes ao dia
à mesma ladainha entregue,
faz força para estar sozinha 
à mesa, em vão: sombras
antigas, cruzes do dia
e assombros futuros vão ter com ela
três a quatro vezes ao dia.
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Mulher no telhado


O que me resume não está à mostra

não me verga em indiscretas mesuras
nunca se abaixa diante da secura do rei
sequer dá bom dia ao bom deus, não
o que me assume não o faz pela metade
não se joga no chão e não fica por lá
como se fosse uma verdade duvidosa
descoberta no meio de uma madrugada.
O que me teme, de mim se afasta,: a dor
do espinho, a cor do carinho - atados, afastados.


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Fermento


Quando o desnível ameaça desabar
acorrem às velhas práticas
esquecidas enquanto o ouro aflora
fácil, o beijo é pago em dia, enfim
nenhuma dúvida.

Mas não há feliz total
pelo que às lições de voo
e de pouso é preciso estar atentos
ao que corta, caso o desnível se agrave
ter o cavalo à porta.

O sangue sabe-o, disse a moça Cecília.
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Dimensão

Duas ou três vezes ao dia
à mesma ladainha entregue,
ela força para estar sozinha 
à mesa, em vão
sombras antigas, cruzes do dia
e assombros futuros
vão ter com ela - três a quatro vezes ao dia.
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Tono

Avessos e esparsos eles se querem assim
com o desleixo tornado vício, o vício
tornado mais do que insuportável
anomalia de animal sem fundo
palpável, eis
algo do entorno de todos estes e estas
felizes proprietários de dúvidas
sob o peso da suma teológica do consumo.
Voltam da feira como quem ao inferno vai 
caiar paredes, lamber botas, enfim, pagar degraus.
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Consumpção

Algumas vezes por dia, senta-se e avalia
o que já preparou para o amanhã, atento
a detalhes, e mesmo assim mal se inteira
de que poucos deles servirão às razões
do novo dia, cujo teor terá pesos e medidas
que não os de agora, e se enerva, dá de ombros
ao que todos mais consomem de seu: o Não
na clareira, a carreira a duras penas aberta.
O amanhã poderá não vir - diz uma canção.
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A Casa

Há pouco tempo ocupamos o térreo

mas é preciso saber o melhor prumo

para as paredes, a ciência para o teto

os segredos do solo, o entorno é uma  

incógnita que grita, e outras vezes

é silente como o universo ou um crime

meticuloso, perpetrado com luvas.

Estamos no escuro, mas a caminho.

 

Descemos há pouco da casa antiga

e assim o nosso andar ainda é tosco 

e até funesto, todos os membros ainda

com amplitude menor, damos ao sono

importância maior do que às féculas

encontradas, às nascentes e ao hálito

que puxa para cima o que sob a terra está. 

Estamos a caminho há pouco tempo.
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RETIRO


Nessa terra que agora vês, fechada em si,
mas não a salvo de todo, em que pese o tom
de seus cálculos, a essa terra volto, contigo

por aprendiz, sem vezo de obrigação, saiba
que aqui se esfola padres e se come porcos,
nessa terra sem palavras, ninguém se empedra

sob nenhuma dormência, lado a lado com
a dúvida, os nativos matam, sem peso na alma,
o que não existe: o amanhã. Estranha aldeia.

***
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COMITÊ POPULAR ( a praça é nossa)


Sempre se disse que o próximo passo
só será igual a ele mesmo, mas que talvez

já não haja tanto espaço
para o que dele se pretende. Então, quais noções
serão cortadas pela raiz ?

quantas dúvidas a mais terá o futuro, se
ainda só se fala ou só se joga alto no escuro ?

***
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Clareia


Escuta: não te iludas
em buscar tempo perdido,
flores de plástico na mesa
triste, vazia, não
não sairás vitoriosa
deste e de nenhum outro
encontro, seja ele um
boi bravo – e tu sem cancela –
seja ela uma ventania
de largo espectro. Entenda.


- Darlan M Cunha
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Comentários (4)

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namastibet
2018-04-21

Bopa poesia Darlan (continua)

Sônia Brandão
Sônia Brandão
2018-04-03

Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.

Sônia Brandão
Sônia Brandão
2018-04-03

Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.

sergioricardo
2017-12-04

Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.