Lista de Poemas
Tudo o mais aqui
Tudo o mais aqui se pode dar por dúvida
pendente feito a interpretação de um sonho
mas até que isto se resolva
melhor decerto será reconsiderar conceitos
já arcaicos de índole avessa a pares.
Cursor
ou será melhor apenas ir
sem perguntas que admitam
óbvias respostas
o avesso de quem quer ver
e mais ainda sentir na partitura do dia
o passar do sol e o sal à mesa ?
Lugares
e praças / porque roupa suja se lava é ao ar livre / sejam assim os olhares de casa / sem sombras, fungos, atrasos. / Pensando melhor, os fatos acontecem é em todo lugar / a todo momento. Impossível estar.
Massa de arbítrios
mas percebe na massa, desapontado,
tipos mais ou menos desatentos
ao que os move rumo a divisores
de águas, a incógnitas, aos rastilhos do Nada.
Viver tornou-se tão banal, que já não há.
Gomorra e Sodoma
Tudo como antes ?
nunca
nunca abraçar uma razão
sequer meia razão
que desarme o circo
que não replante o pomar
que não se inteire
com a música de cama.
Gomorra
nunca
nunca abraçar uma razão
sequer meia razão
que desarme o circo
que não replante o pomar
que não se inteire
com a música de cama.
Grãos
na medida exata de sua índole
requer atenção do tamanho
de cada um - eis uma lição de coisas
em falta na correnteza deste rio
que leva o meu nome.
Estranho acontecimento é esquecer.
Mulher no telhado
O que me resume não está à mostra
não me verga em indiscretas mesuras
nunca se abaixa diante da secura do rei
sequer dá bom dia ao bom deus, não
o que me assume não o faz pela metade
não se joga no chão e não fica por lá
como se fosse uma verdade duvidosa
descoberta no meio de uma madrugada.
O que me teme, de mim se afasta,: a dor
do espinho, a cor do carinho - atados, afastados.
Pompeia
de Pompeia ainda arde
aqui
neste lupanar
sou o deus, nu de toda
pompa, nu
comendo o pão
que as cinzas pressionaram
até que me encontraram
como estava: nu.
O sangue, a resposta
Um nicho é uma resposta ao que vai
e volta, feito uma lembrança
boa ou má, feito um bilboquê, assim é
o ninho no qual descansas
de mentira - não há espaço nem tempo
para descanso em lugar nenhum
tu sabes e todos sabem.
O sangue sabe-o.*
.
*: Verso de Cecília Meireles
Comentários (4)
Bopa poesia Darlan (continua)
Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.
Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.
Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.
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