Lista de Poemas
Estertor
Estertores
Ainda
colados às insígnias de bares
apegados a margens do Nada
escorreitos e ao mesmo tempo
pendentes totais com a clareza
muitos já disseram o óbvio:
os números governam o mundo
ah, elementos não faltam para isto
soar como catarse ou até mesmo
para coar prendas domésticas
muitas cicatrizes ainda roxas
o rubro teor da maioria dos dias
não nega ao Homem sua índole
seu natural de falar com uma boca
e ouvir com ouvidos que não os próprios.
Ainda
colados às insígnias de bares
apegados a margens do Nada
escorreitos e ao mesmo tempo
pendentes de todo com a clareza
muitos já disseram o óbvio:
os números governam o mundo
ah, elementos não faltam para isto
soar como catarse ou até mesmo
para coar prendas domésticas
muitas cicatrizes ainda roxas
o rubro teor da maioria dos dias
não nega ao Homem sua índole
seu natural de falar com uma boca
e ouvir com ouvidos que não os próprios.
Arandar
debaixo de fluxo ao ar livre
idioma de água, sim
todos sentem um eclipse
agir no imaginário
com a boca aberta
enquanto grilos fornicam
e corujas vão ao jantar
que assim é o mundo: verbos
que giram ou dançam
adjetivos acerca da morte
ponto final cheio de flores.
Casa nova
da boca, e um laivo de apreensão pela dor
do que para trás ficou com a mudança
[isso difere em muito de uma transposição temporária
de um rio para se construir uma barragem]
pela alegria da nova paisagem
a partir da qual talvez seja outra a nova mensagem
para os da casa.
Partimos bem cedo até o novo, a família cora e chora temas adiados
amores concretos sob concreto e ferro assoreados, eis
os ombros do dia e as pernas do descanso
ficar é viver, ir é viver.
Não me recordo de quando éramos pequenas gruas
agarrando e soltando pedaços de felicidade, não me recordo
dos primeiros mamilos
subsequentes aos de minha mãe, mas em branco se pode passar
mas se há lividez e rigidez em vida, há calor de ímãs
e aqui estamos lisos na nova, algo indefinido avisa que há saídas
várias, e os primeiros sanduíches já no improviso do chão.
A casa nova
da boca, e um laivo de apreensão pela dor
do que para trás ficou com a mudança
[isso difere em muito de uma transposição temporária
de um rio para se construir uma barragem]
pela alegria da nova paisagem
a partir da qual talvez seja outra a mensagem geral da casa.
Partimos bem cedo até o novo, a família cora e chora, ódios adiados,
amores concretos sob concreto e ferro assoreados, eis
os ombros do dia e as pernas do descanso
ficar é viver, ir é viver
Não me recordo de quando éramos pequenas gruas
agarrando e soltando pedaços de felicidade, não me recordo
dos primeiros mamilos
subsequentes aos de minha mãe, em branco se pode passar
em branco, há lividez e rigidez em vida
cá estamos presos à nova casa, algo indefinido avisa que há portas
e janelas. Os primeiros sanduíches no improviso do chão.
Arandar
debaixo de fluxo ao ar livre
idioma de água, sim
todos sentem um eclipse
agir no imaginário
lá fora de boca aberta
enquanto grilos fornicam
e corujas vão ao jantar
que assim é o mundo: verbos
que giram ou dançam
adjetivos acerca da morte
ponto final cheio de flores.
Tudo o mais aqui
Tudo o mais aqui se pode dar por dúvida
pendente feito a interpretação de um sonho
mas até que isto se resolva
melhor decerto será reconsiderar conceitos
já arcaicos de índole avessa a pares.
Cursor
ou será melhor apenas ir
sem perguntas que admitam
óbvias respostas
o avesso de quem quer ver
e mais ainda sentir na partitura do dia
o passar do sol e o sal à mesa ?
Comentários (4)
Bopa poesia Darlan (continua)
Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.
Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.
Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.