Lista de Poemas

Iluminar a cidade desde dentro

Na simplicidade desta cidade

Na que as rotinas se aglutinam

E as gentes se avizinham

Sem se notar

 

Essa magia que paira no ar

Essa maravilha de se estar

 

Tão perto quanto sonhado

Tão longe e afastado

Sem ser olhado

Sem se deixar olhar

O ser por entre nós a passar

 

Dando voltas sem sentido

Nesse algo mais vivo

Que está sempre a chamar

 

Nessa avenida garrida

Nesse jardim de encantar

Nessa praça escondida

Onde só passa quem quer ficar

 

Nesse encanto entre tanto

Ser a se saber corresponder

 

No seu mesmo tempo

Sem se notar

Nesse lugar de novo alento

Que se ergue por fora e dentro

Quando lhe damos asas para voar

 

Nesse sentido sentimento

Que não esmorece no tempo

E se faz forte para nos animar

 

E se faz grande para nos abraçar

E aparece em qualquer momento

 

Algo de luz e fermento

Para nos fazer levedar

E os recantos mais sombrios

Iluminar em luz de brio

Que nos faça rejubilar

 

E nesse tempo tão profundo

Anima e dá cor e vida

Até ao confim deste mundo
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Nesse teu lei, jazendo em meu peito

Se neste mar de silêncio ficasse

sem o teu alento que passe

Neste meu rosto bafejado

Por tudo o que é

por dentro desejado

Ainda que ignorado

Por tudo o resto em meu redor

Se ficasse sem a tua canção de amor

Sem esse teu encanto

Sem esse som melodioso

Luz de vida que amo tanto

 

Se ficasse sem a tua água viva

Tão pura, transparente e cristalina

Para preencher os meus espaços

Esses onde me movo e que abraço

 

Esperando expressar

Espremer devagar

 

Esse algo sumarento

Do qual estou sedento

Para voltar a entregar

 

Nessa forma singela

Que nunca se gela

Assim o calor a nos abraçar

 

E essa humildade silvestre

Dessa flor que me deste

Um dia para plantar

 

Aromas de sonho e cetim

Pétalas nesse jardim

No meu peito poisado

Nesse teu leito sonhado
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Grito no deserto

Nesse tempo infinito

Que faz eco num só grito

De amor desesperado

Por ser assim partilhado

 

Numa certa escrita

Numa linguagem que dita

Assim sem se deixar conter

Mora nessa voz - inaudita

Que vai mais além do querer

 

E nessa paixão desenfreada

Que nos recobre qual bem-amada

Que nos envolve e nos agasalha

Não nos deixa e nunca falha

 

E nessa chama nos vai queimando

Doce calor e suave pranto

Nesse outro rumor, qual amor

Qual ribeiro entre o deserto

Que nasce nesse peito aberto

Rasgado para se deixar levar

 

Tudo o que sentimos dentro

Todo esse grande lamento

Que em melodia mais garrida

Se deixa em nós escoar

 

Entre o ocaso e o nascer do dia

Assim sem sobra nos unia

A essa luz que se anuncia

E se deixa assim levar

 

Em poema prosa ou letra

Nessa melodia indiscreta

Linha para se não decorar

 

Apenas assim levada

Quando nascendo desde o nada

Quando provém dessa gota orvalhada

Nesse firmamento plantada

Para se erguer o olhar
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poema longo II

Nessa linha desenhada

Pela mão sendo traçada

Amada

Delicada

Fina

Suave

Perfumada…

 

Por sonhos de alvorada

 

Pela seda mais fina

Transparecida

Pela luz da madrugada

 

Assim em traços

cintilantes

Desenhada

 

Qual estrada

No firmamento

Periclitante

Nesse alento

Algo sedento

Dessa água salgada

Que nos anima e nos afaga

Que nos fulmina para ser lavrada

 

Entre gotas

Dessa tinta

Íntima

Tão amada

 

Deixada

À solta

Nessa volta

Do destino

 

Que dá brilho

E equilíbrio

A esse princípio

Não nascido

Assim recriado

 

Pelo artista

Mais Divino

 

Em graça

Que se não passa

Se entretece

E se abraça

 

Se doa

Ainda que a mágoa

Esteja instilada

 

Entre cada pincelada

Dessa tela esbranquiçada

Esperando ser rasgada

Pela realidade mais amada

 

Ou ainda

Bafejada

Qual imagem espelhada

Assim sendo esbatida

Qual aquarela renascida

Nessa orla orvalhada

 

Onde se deixava

Prendada

Em gotas

pingentes

Transparentes

Frio fio fino

Que se destilava

 

Entre o suor

Bem quente

Que em areolas

Perladas

Se elevava

 

Calor de quem se amava

 

E nessa folha

Tão suavemente poisada

 

Na palma da mão

Sendo levada

 

No coração

Ainda guardada

 

Esperava

A palavra

 

Verbo distante

O ser substrato

Nesse solo

humidade

humanidade

sorvida qual apelo

pela pele sem segredo

 

revelada

nesse mais fino facto

 

Que se sonhava

E na realidade

A barca varada

Que se imaginava

 

E nas margens

Dessa fina folha

Ainda vogava

 

O mar de amores

Que se preparava

 

Nessas areias

Sendo aquecidas

Pelas peugadas

Assim levadas

Pelo som

Desse emoção

Quais vagas

 

Densas

Perfumadas

 

Pelo som da maré

a teu pé

nesse sopé

cume sem nome

 

Sendo lavrada

 

A imagem

Em ponto claro

Desse algo

Que se tenha amado

 

E nessa transparência

Doce sentença

Que se disfarça

 

Aparecem

Arcos de volta

E arcadas

 

E nessas letras

Sonhadas

 

Sem se deixar

Assim desenhar

Abraçadas

Nesses olhares…

Se chegar a entrever

 

Olhares de crer

E mais bem querer

 

Nesse voltar

Sem se saber

 

Nesse descobrir

Sem querer

 

Assim tanto

Se vai voltando

 

A escrever

 

O por enquanto

O momento

Que vai ficando

 

E entre tanto

Se vai passando

 

Esse fio

Mais fino

Que o cabelo

Mais pristino

Orlado

Dessas gotas

De mais puro cristal

que se têm emanado

 

Suor desse amor

Que se tem prezado

 

Calor dessa imensidão

Qual maior união

Nesse abraço dado

 

E nessa orvalho

Qual flor silvestre

Em pétalas de vestes

Que se tenham

assim desenhado

 

Nesse teu ser

Que veja sem ver

 

Nesse algo

Que ainda

chegará a o ser

 

E nesse veludo

Mais bem calado

 

Que fala e nos diz

O que nos tem contado

(…)
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História de um Poema - VII - Paladar

Nessa melodia renovada

 

Uma fagulha a pairar

Nesse peito guardada

À espera de se incendiar




Na folha em branco deixada

Quando assim se quer entregar




Uma carta à namorada

um poema à pessoa amada

um tema para se contar




e ler

e reler




saborear




devagar




nesse paladar

sedente




que nasce e cresce

por dentro da gente
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História de um Poema - I - Esperança

Nesse lugar sem retorno

Que vive no viver a medo

Nesse estranho segredo


De crer

Sem saber

O que irá acontecer

E deixar-se levar




Nesse poema

que paira no ar

Que estará no ignorar

Se o momento presente

Sendo silente

Se vai iluminar




Nesse espaço

entre a gente

Voltar

A caminhar

A dar passos

E voar

Nas asas do momento

Que evocamos por dentro

E nos volta a afagar




E entrançar

Fios de prata bordada

Nessa veste tão amada

Que se pensava rasgada




Pela realidade ancorada

À espera de voltar a vogar




e nessa barca

Solitária

Que se destina

a um outro dia




E que voga

para a madrugada




Que anuncia

esse algo que se dizia

Que renascia na alvorada
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A tempestade

Nessa musicalidade sem idade

Pairando em nosso redor

 

Nesse algo de amor

Jorrando desde o interior

 

Desse ser maior

Desse olhar melhor

Desse reconhecer

Alegria e dor

 

A dançar

 

Nessa música interdita

Nesse algo que se agita

 

Em cada recanto

do teu ser plantada

Nessa tua

mais íntima morada

Qual berro de parto

Ao se ver o ser farto

Assim a saber entregar

 

Vida em vida renovada

Que se entrega

e não se acaba

ao se deixar desfilar

perante a luz do teu olhar

 

E nesse desatino

Nesse algo tão pristino

Cristalino e bem burilado

sendo encontro mais fino

Entre o ser já sonhado

O caminho percorrido

E o trilho não andado

 

E nesse encontro de vidas

encruzilhada que animas

A se desatar em nós

 

Assim qual a tempestade

Descarregando à vontade

Lampejos desse desejo

Furor desse amor

 

Trovão do coração inquieto

Água viva desse novo dialeto

 

E mar em marés que se elevam

Que rasgam a aveludada treva

E chegam às tuas margens

Onde lambem sem coragem

Os pés mais agradecidos

Descalços e não feridos

Desse teu ser a pairar

 

Nessa harmonia de alegria

Nesse algo de magia

Que te atreveste a entregar

 

A quem via

A quem te lia

A quem sabia

 

Que um dia

Irias cá voltar

 

E essa página em branco

À espera de se anunciar

 

Nesse tempo calmo

Onde a tempestade

Dessa tua vontade

Não deixa de se animar
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Beleza elevada

Profunda beleza enlevada

Seda acetinada

Suavidade embelezada

Linha marcada

Entre tudo e o nada

assim rimada

Para se corresponder

À letra marcada

A essa linha acompassada

A essa métrica bem afinada

A essa musicalidade bordada

Em linhas entrançadas

Pelo pensamento elevadas

E no sentimento fundadas
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História de um poema - o parto (paideia)

Ainda assim

estando perto de mim

sempre estender a mão




 

Essa mão que lançamos

Nesses abraços apertados

Que nos demos

Que entregamos




Quando de novo 

nos encontramos




Na página em branco

Silente

À nossa frente




Folha pairando




Nesse lugar poente

Esperando cores

De outros amores

A se saber pintar




E nesses lugares

reencontrados

Voltar a semear




E nesses momentos

deixados

Assim voltar a crer

e querer amar




Até renascer

Devagar...
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História de um poema III - Emoção

E nesse momento

 

que se consegue

Na palma da mão

Ver a saltitar




Esse eco de coração

pingente sendo entregueânimo que nos persegue
Imaginação que se segue
Na emoção a se entrelaçar
no meio da gente

 

Assim em melodia

Em algo de magia

Anunciando o novo dia

Começa de novo a cantar




e nós a suspirar...
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