Lista de Poemas

Entre a neve I

seres celestiais jaziam

ali onde as névoas se erguiam

onde as mãos conjugavam

poemas de sonhos

que tanto esperaram

e temas risonhos

que na neve desenharam

 

e saíram e seguiram

assim devagar

passo a passo

de mansinho

qual algo comezinho

que se faz sem se pensar




e chegaram

e andaram

e estiveram

onde sempre passaram

e em cada lugar renovaram

o que sempre assim amavam

e celebrar – celebraram




nessa noite mais fria

nesse novo nascer de dia

nessa alva alvorada
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Crianças entre nós

Se deixássemos

o que levamos dentro

Fluir em sentimento

E clarejar o pensamento

Suave alento

Assim bafejado

Neste inverno

Sendo levado

A vogar

Qual a bruma

pelo ar

A tocar

Outras gentes

Nesses lugares

Mais quentes

Onde no frio

Deste estio

 

Se encontram

No riso

De quem se demora

A ver

Adultos sendo crianças

Crianças a brincar sem perder

Nesse algo

Tão alvo

Que toda a metrópole parou

E o que sobrou

Ainda trespassa

Esse algo que se passa

Quando nos maravilhamos

Quando assim cremos e fazemos

Quando vamos aonde sonhámos

E concretizamos

Esses sonhos alvos

Entre tantos sobressaltos

E tantos lugares salvos

Por se juntar

Alegria garrida

A força de um novo dia

Essa humanidade que nos unia

E a praça toda para celebrar

A rua toda para passear

O lugar onde se poder brincar

Sendo esse algo que apareça

Esse algo que se preza

Nesse peito a palpitar

Entre tanta gente em beleza

Nesse manto branco

A se deixar levar
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voltar a andar sem tempo ou lugar

e a gente à volta vogava

nesses passos antigos passava

nesses andares que vibram

ecos na pedra que migram

assim se levava

no peito o sentimento

desse andar mais lento

qual flocos de neve ao vento

que pairavam

ora em espirais se levantavam

e com graça nos acariciavam

nessa romaria festiva

dessas colunas vivas

de seres que se humanizaram

nesse dia no que a cidade

sem tempo nem idade

se deixou decorar

das mil e uma fantasias

nestes nossos estranhos dias

sonhos de humanidade a partilhar

crianças maduras a nos ver passar
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Momentos de Fragilidade

Nesses momentos

nos que sabes

Que quase chegas

Que sentes

Que te achegas

A essa arte

Essa forma de ser parte

Esse saber entregar

Esse parto no silêncio

Que deixa alegria no ar

E encontrar

Essas palavras desmedidas

Essas linhas amigas

Essas frases preferidas

Para se entregar

E entretecer

E levar

Aonde o ser

se pode encontrar

Aonde a vontade e o querer

te querem levar

E nesse encontro

bem traçado

Nesse algo

em nós plantado

Deixar surgir o clarão

Do sentimento à emoção

Devoção renovada

Assim qual no silêncio

Da noite aveludada

Se acende a trovoada

E nesse clarão

Tão almejado

Depois desse lampejo de desejo

Ancorado

Barca à vela que vogava

E nessa tempestade

se abeirava

Ao porto aberto

Em pleno deserto

Onde se poisava

E deixava fluir

Todos esses sonhos

Sentimentos medonhos

Que deves deixar partir

Para outro porto

Outro lugar

Outro relâmpago

a se ver traçar

Nos céus

Raízes de bem-querer

Dessa árvore a nascer

De frutas de vida

a saber enaltecer
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Dar a Mão

admirando essa estrada

juntos sendo caminhada

 

Vida mais ao de perto

caminho incerto

virtude mais humana

 

estavam todos ao relento

nesse instante sedento

de sorrir

de se entregar

de se entreter

ao ver passar

entre o manto alvo

o sobressalto

desse algo

feito à mão

saúdo do coração

sustido

em abraço apertado

sentido

nesses braços

levado

qual água no deserto

mais amado

qual vida se tenha chegado

assim a sonhar

qual se ter alonjado

e assim ao se ter regressado

ver esse algo

bem quente e humano

na noite escura a brilhar
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de par em par

Se te deixas esvaziar

Se dás de ti o sentido

Desse algo no centro ferido

Esperando se abrir devagar

Para dar

Sem sentido de tempo

Sem se chegar assim ao centro

Desse lugar mais profundo

Dessa luz

No confim do teu mundo

Sempre entre névoas

Plantado

Assim quais nas sombras

Desenhado

Assim descrito

À margem

Desse requadro

Dessa aragem

Dessa brisa

De passagem

Tua face acariciando

Assim indelével

Desenhando

Teu verdadeiro rosto

Cantando

Ao se ouvir passar

Essa melodia

garrida

Essa cor

mais quente e viva

Essa que entregas

 

Por o sentir

Viver

Prosseguir

 

Nessa vereda

entre águas

deixada

 

Nessa fluidez

Que planeja

Entre as asas

Imaginadas

 

Quando abres

Braços

E abraças

Oferecendo

o teu peito

Aberto

À alvorada

 

E essa luz

Ancorada

Nessa enseada

Ondulada

Pelas marés

Temperada

Acariciada

Pelas mãos

Que se abrem

para dar

assim

de par em par

Cuidada
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Entre as margens

(...)

Nesse tema

Que em poema

Se não tema

A Mostrar

E nesse outro fundamento

De tudo o que levamos dentro

Que cresce

E se não desvanece

Ao se entregar
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Melodias

Melodias

Que me dizias

Que se entreteciam

No teu caminhar

Poisar ao de leve

Tudo o que vias

Tudo o que levavas

Nesse teu olhar

E na luz que se reflete

Assim mais além promete

Voltar a se abeirar

Calor humano

Entre o ser profano

E a graça

Desse tempo dado

Para se compor

Com amor

A devoção desse ardor

Sempre por dentro a queimar

Riso alegria… dor

Palavras de amor

Para se fazer levar

Nesse peito que aconchega

Nessa letra de melodia leda

Nesse suave encontro de encanto

Nesse momento

no que se está abeirando

Desse centro tão vasto

De onde nascem

De onde partem

Asas de luz e prosa

Melodias de poesia e rosa

Assim entregue

Por ser flor de amor

Em cada espinho a lembrança

Em cada pétala a bonança

Em cada aroma assim destilado

Esse perfume de vida

Que nos é destinado
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Espirais IV

qual seu lugar

Qual seu tempo

Qual seu vagar

 

Ao passar

para nós

Seu fundamento

De vida a concretizar

 

Da frase simples

A se entrelaçar

 

Na melodia mais inaudita

Nessa dança esquisita

Que se lê sem soletrar

 

E paira no tempo

Sem se deixar levar
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Harmonia Fugidia

Ver essa harmonia no ar

E saber interpretar

Essa mensagem escondida

Essa estrela fugidia

Que nos aquece e alumia

Entre a luz do ocaso

Sadia força desse abraço

No ser que nos abraça

E envolve

E nos alcança

Quando se resolve

Assim abrir

De par em par

Esse peito aberto

Ao sentimento

Ao que levamos dentro

E que se pode partilhar

E sem sentido

desse alento

Desse folego

sedento

De se inspirar

Assim se deixar levar

por trilhos solitários

Entre os caminhos diários

E fazer única a presença

Dessa forma de sentença

Que nos faz elevar o olhar

Crer e sonhar
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