Lista de Poemas

Nas Mãos do Oleiro

Qual a mão quente,

suada

Nessa água enlodada

Mergulhada

 

Como o mover em roda

Desse tempo de moda

Sem se chegar a parar

Nesse tempo a divagar

 

Qual no lamento incipiente

Que toma e invade a mente

 

E nesse amor calmo e sereno

De quem confia em segredo

 

Assim a se impingir

A se exprimir

A se deixar levar

 

Nesse barro avermelhado

Cuja forma

tão bem tenho amado

 

E nas mãos do oleiro

Nesse tempo soalheiro

Artista mais que sereno

 

Assim nos olhando

No profundo encanto

 

Deste terno vaso

Que dentro guarda tanto
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Lágrimas a mares

Nesse momento

Que surge do alento

De se esperar

 

Que algo desse peito

Tão restrito e seleto

Venha a brotar

 

Qual berro

no silêncio

A rasgar

 

Novos horizontes

Espaços e fontes

De vida a borbulhar

 

Nessas novas odisseias

Procurando esse sangue nas veias

Que se inspira sem se deixar gelar

 

Esse ir mais além desse medo

Sentar e descortinar o segredo

Que nos é dado a saber cantar

 

E em cada canto,

em cada lugar

Assim deixar plantadas

Sementes de querer

orvalhadas

Pela mais pura manhã

 

E nessa mente dobradas

Todas as antigas palavras

Para se embevecer devagar

 

Nesse mar de sonhos

Com marés elevadas

Águas sempre correntes

Lágrimas de alegria pingentes

Sentimentos de alvorada
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A tua voz

E nessa solidão

Chamo o teu nome

Esse que só eu conheço

 

Esse que me desperta

de qualquer adereço

 

Que sabe o endereço

onde me encontrar

 

E entre o lamento

 da rotina vazia

de si mesma

despida

 

Cheia e intensa

A tua voz

volta a suspirar

 

Por mim adentro

Algo que permeia

Ritmo e sentimento

 

Acendendo imagens viventes

De lugares, momentos e gentes

 

Desse amor fadado

Que nos é dado

Para se entregar

 

E ao deixar-se ir e vagar

Nos teus braços

 

abraços simples e secretos

Vamos encontrando ecos

 

Disso que o fruto futuro

Nesse presente plantado

 

Nos tem dito em silêncio

E entre esse nosso tempo

Assim nos tem segredado
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Pingente ao peito

Essa figura suave e silenciosa

Esse sonho de terra formosa

Esse algo de alvura

Onde o frio da noite mais se apura

E o tempo assim mais dura

Essa luz em nós a esvoaçar

Aura de algo que se desprende

Desse riso

Do coração da gente

Ao ver outro olhar a brilhar

Ao sentir esse ser a se aproximar

Suave e sincero

Assim qual cabelo

Que se desprende

Na brisa breve

desse reflexo tão breve

Clarão de paixão desatada

Suave e doce maré

Em teu peito ancorada
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Lágrimas de madrepérola



Essa pérola pristina

Transparecida ao luar

Que se eleva quando se anima

Essa força no peito a soprar

 

Maresias de ensonho

Brumas de se encantar

Esse jeitinho risonho

De uma criança a cantar

 

E nessa melodia garrida

Que se celebra a meio dia

Para se deixar depois levar

 

Aromas no vento

CL aridez de pensamento

Para se deixar trespassar

 

E esse ritmo

Suave e lento

Desse alento

Por dentro

A nos refrescar

Devagar

 

E nesse ribombar sumarento

A se espremer ao relento

Quando se expõe por amor

 

Esse algo que levamos dentro

Que deixamos escrito

em sentimento

Quando o alento

se achega ao lamento

Desse riso à alegria ou dor

 

Assim nos deixando o fermento

Para deixar crescer mais ardor

Essência assim espremida

Que pela luz da razão

Não pode ser esbatida

 

Sombra que dança

na noite esquecida

Iluminada pela luz mais amada

Que de madrepérola nos vestia
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Manto

Era esse manto

de fantasia

entretecida

Nesse algo

de esperanto

 

Era a pintura mais garrida

Alguma vez sonhada

 

Era a fantasia renascida

Alimentada pelo pranto
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Da transparência à água salgada

Se nesta transparência

Entre amor e ciência

Me deixasse

 

E assim afundasse

Bem fundo no peito

E se elevasse

 

Assim a direito

Esse pilar imaginado

Aonde me tenho apoiado

 

Para falar sem pensar

Para dizer sem falar

 

O que se sente

Realmente

O que nos preenche

De repente

 

E depois nos deixa a vogar

 

Assim qual a namorar

 

Os momentos

Para ver nascer

 

Esse algo entre o crer

O querer

E o saber

Assim descortinar

O momento presente

Que se sabe e sente

Assim no peito a palpitar

 

A se estender devagar

Por todo o corpo

Iluminado

 

Por estar mais perto

Desse ser amado

Desse algo elevado

 

Sem nome

e sem se definir

 

Apenas se levando

Nessa candura

De infância

Se imaginando

 

E se se conseguir

Assim  se achegando

A esse calor

Que se quer tanto

 

Dentro do peito

Aninhando

À volta do teu corpo

Esvoaçando

 

Aroma mais suave

Que se sente

e sabe

Assim qual Mar

Imenso

Oceano intenso

Lágrima a escorregar

Na face mais serena

Que se eleva qual na pena

Ao se deixar embevecer

Nessa tinta encarnada

No ser humano bem mada

Sendo sempre cravada

No coração ao palpitar

Onde sempre se encontra

Esse algo

entre transparente e salgado

de tom vermelho pintado

sempre sendo encontrado

No sentimento ancorado

 

Esperando ser chamado

assim ao despertar

 

Na folha serena pairando

Nessa vereda se encontrando

 

nesse ribeiro sendo levada

Pelas veias dessa nova morada

 

Até ao momento mais candente

Que nasce e cresce

Sendo o presente

Que a vida toda plena entrega

Quanto mais perto se achega

Dessa mais obscura treva

Para nos voltar a iluminar

 

Com tudo

o que por dentro

se leva e se eleva

Assim para dar

 

E em prosa ou poema

No mais sublime tema

 

Se chegar a poder encontrar

E nessa onda sublime

Que foi vaga que exprime

 

O poder desse algo

A saber a sal

Ora amargo

Se não se souber provar

 

Esse lamber ao relento

Que se poisa no teu leito

E acaricia o teu ser sem cessar

 

Vagas desse furor imaginado

Que se leva no peito ancorado

 

E segredam suavemente

O sentido de ser gente

No sentimento nos coroa

 

Assim quando magoa

E se faz alegria ao sibilar

 

Vaga e espuma mais alva

Que nos acaricia e nos salva

 

Qual criança abeirada

Nessa praia bem-amada

A fazer castelos na areia

Que a maré sempre cheia

Vem modelar sem parar…
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Alegria da magia

Era a poesia era o canto

Era o parto mais incerto

De quem se quer tanto

 

Era o ritmo,

era a alegria

era a sintonia

se elevando…
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Nessa albina morada

Essa pele sonhada

Essa nessa nossa

saudosa madrugada

Assim despida

De si enamorada

 

Essa sombra esbatida

Que à luz das estrelas crescia

E cintila quando se deixa levar

 

Na luz dos teus olhos acesos

Pelos teus cabelos

negros e espessos

Assim de relance

ao se ver a passar

 

assim deixar-se levar

assim voltar a vogar

 

Nessa suavidade sustida

Nessa brisa esquecida

Nesse alento presente

Nesse algo pingente

Qual deleite

Ao se embevecer

Qual ser que se respeite

Assim ao voltar a se viver

 

Nesse teu tempo pausado

Voltar assim a teu lado

Pra de ti me embriagar

Para assim voltar a sonhar

E nesse tempo detido

Assim ser renascido

Uma e outra vez

Ao teu ser a voltar

E uma e outra vez

Assim a te encontrar

 

Qual rebento de flor não aberta

Qual uma palavra na frase certa
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A lágrima e a estrela

Nessa lágrima salgada

Que acaricia a face amada

Ao ser lida ou encontrada

Escorrendo enamorada

 

Entre a maresia mais fina

Esse algo que se perfila

E traz luz renovada

Aonde não era encontrada

E a luz da madrugada

Ali onde a noite era chamada

 

Ao ser assim despida

Nessa despedida

 Lembrada

Ora jazendo adormecida

Na rotina mais ressequida

Que envolve esta vida

até chegar a ser decorada

 

Com esse sal sem igual

Com essa alvura mais plena

Com esse algo que se assegura

Quando se entrega e vale a pena
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