Lista de Poemas
Deus sabe de tudo
O peito inchado de felicidade,
Deus mora em que parte de mim?
Alguém chamou o meu nome
Cresce a erva entra memória e pântano
Uma alegria dissimulada no canto da boca da rosa
O sol queima as velas brancas do barco de momento longínquo
e eu navego nele, não soube descer do passadiço
Metade de mim segue na linha do tempo
A outra metade navega num país tão distante
Estive caiando a parede, afugentando as moscas, apagando devaneios estranhos
Dou comida de gente ao rouxinol
O peito incha de azul saudade, ainda pretendo vê-la outra vez
Sobre o mar onde o sol desenha a ouro e uma gaivota escreve nas nuvens dos sonhos
“Deus sabe de tudo”
Charles Burck
Deus mora em que parte de mim?
Alguém chamou o meu nome
Cresce a erva entra memória e pântano
Uma alegria dissimulada no canto da boca da rosa
O sol queima as velas brancas do barco de momento longínquo
e eu navego nele, não soube descer do passadiço
Metade de mim segue na linha do tempo
A outra metade navega num país tão distante
Estive caiando a parede, afugentando as moscas, apagando devaneios estranhos
Dou comida de gente ao rouxinol
O peito incha de azul saudade, ainda pretendo vê-la outra vez
Sobre o mar onde o sol desenha a ouro e uma gaivota escreve nas nuvens dos sonhos
“Deus sabe de tudo”
Charles Burck
👁️ 67
Teus olhos
Éramos dois devassos fazendo sagrado amor
Mas ainda havia pudor nos teus olhos
E nos meus, todo o ardor por saber,
As visões do corpo nu embevecem
E os templos desmoronam, mas o altar permanece...
Charles Burck
Mas ainda havia pudor nos teus olhos
E nos meus, todo o ardor por saber,
As visões do corpo nu embevecem
E os templos desmoronam, mas o altar permanece...
Charles Burck
👁️ 69
História das águias
Serei uma história em que as águias contarão
Um voo do alto de ver tudo mais amplos,
Quando os dias se revestirem, de ouro e adernos de prata
E os perfumes selarão as dores todas,
E me desenharão o meu peito de flores
E saberei que sonho
E transporei o muro para o outro lado da história que eu nunca contei
E dormirei sem medo
E da tempestade apenas ouvirei a respiração,
E do fogo só precisarei da luz, o calor morando dentro de mim
E fecharei o meu diário com a página do meio guardando amor
E na última página, o teu nome
Charles Burck
Um voo do alto de ver tudo mais amplos,
Quando os dias se revestirem, de ouro e adernos de prata
E os perfumes selarão as dores todas,
E me desenharão o meu peito de flores
E saberei que sonho
E transporei o muro para o outro lado da história que eu nunca contei
E dormirei sem medo
E da tempestade apenas ouvirei a respiração,
E do fogo só precisarei da luz, o calor morando dentro de mim
E fecharei o meu diário com a página do meio guardando amor
E na última página, o teu nome
Charles Burck
👁️ 64
Estações de esperas no meio do nada
O outono guardará as novas folhas lilases e as sementes do próximo ano
E os pássaros cantarão adiantados os sons vindouros
Retirando as mordaças dos homens e curando as meninas mutiladas,
E as primaveras estarão sarada
E flores feridas, cicatrizadas
E as tribos do sol brincarão na chuva e darão asilo aos velhos sonhos
E colo às velhas senhoras
E os catadores de silêncios dirão, bem vinda as tuas vozes
E nascerão estrelas onde a noite semeava solidão
E leitos de linhos e sedas, onde os estéreis verões indicavam aos amantes as estações de esperas no meio do nada
Charles Burck
E os pássaros cantarão adiantados os sons vindouros
Retirando as mordaças dos homens e curando as meninas mutiladas,
E as primaveras estarão sarada
E flores feridas, cicatrizadas
E as tribos do sol brincarão na chuva e darão asilo aos velhos sonhos
E colo às velhas senhoras
E os catadores de silêncios dirão, bem vinda as tuas vozes
E nascerão estrelas onde a noite semeava solidão
E leitos de linhos e sedas, onde os estéreis verões indicavam aos amantes as estações de esperas no meio do nada
Charles Burck
👁️ 64
Aspereza
Aspereza
Cegos, somos nós,
Temos tantas histórias bonitas para escrever, mas cadê você?
Por onde escoam os amores não dados?
Devo esquecer?
Pelos ralos da vida, eu vi descer,
Meu coração está na garganta,
Doido para gritar,
Desejar não é querer,
Engana-me a razão, com sua aspereza,
Que caso se justifique,
Eis o que dói,
Dói com certeza,
Talvez, rasgue mais ainda
Esse peito desprovido de defesas,
Essa feia ferida que não cicatriza,
E essa falta de encontro em vão,
Entre o seu e o meu coração,
Doido pra gritar,
Vou ainda lhe beijar,
Ilude-me então, a paixão...
Cegos, somos nós,
Temos tantas histórias bonitas para escrever, mas cadê você?
Por onde escoam os amores não dados?
Devo esquecer?
Pelos ralos da vida, eu vi descer,
Meu coração está na garganta,
Doido para gritar,
Desejar não é querer,
Engana-me a razão, com sua aspereza,
Que caso se justifique,
Eis o que dói,
Dói com certeza,
Talvez, rasgue mais ainda
Esse peito desprovido de defesas,
Essa feia ferida que não cicatriza,
E essa falta de encontro em vão,
Entre o seu e o meu coração,
Doido pra gritar,
Vou ainda lhe beijar,
Ilude-me então, a paixão...
👁️ 74
A Sombra
A sombra estava só,
Queria companhia e sentou-se ao meu lado, na normalidade dos dias cinza,
Assoviei uma música de George Harrison
é um bonito gesto dividir uma canção,
Eu nunca cobicei o que não possa ser consumido no ato
Dou prova de mim ao que o amor não se deve adiar,
Faz tempo que aprendi, mas ela não voltou
Tenho isso num papel, escrito
Para não esquecer jamais
Queria companhia e sentou-se ao meu lado, na normalidade dos dias cinza,
Assoviei uma música de George Harrison
é um bonito gesto dividir uma canção,
Eu nunca cobicei o que não possa ser consumido no ato
Dou prova de mim ao que o amor não se deve adiar,
Faz tempo que aprendi, mas ela não voltou
Tenho isso num papel, escrito
Para não esquecer jamais
👁️ 365
Sobre Ela
E se eu e ela tivéssemos vidas como as borboletas eu voaria com ela, por sobre os mares que cantamos em poemas,
e se eu pudesse escolher, abriria mão dos ventos, para viver eternidades pousado no peito dela
E borboleta não seria mais, porque as minhas asas atrofiariam,
e se pudesse escolher ainda mais onde morrer, abrira mão do mar, porque deitado sobre ela eu teria os mares todos,
e as vidas todas para ouvi-la marear os mares que deixei
E seria eu apenas felicidade a formar redemoinhos, mansos à volta dela
E se as borboletas soubessem de nós viriam também abrir mãos dos voos,
E pousariam sobre o peito dela
E saberiam todas como é, estando sobre o amor, amar
e se eu pudesse escolher, abriria mão dos ventos, para viver eternidades pousado no peito dela
E borboleta não seria mais, porque as minhas asas atrofiariam,
e se pudesse escolher ainda mais onde morrer, abrira mão do mar, porque deitado sobre ela eu teria os mares todos,
e as vidas todas para ouvi-la marear os mares que deixei
E seria eu apenas felicidade a formar redemoinhos, mansos à volta dela
E se as borboletas soubessem de nós viriam também abrir mãos dos voos,
E pousariam sobre o peito dela
E saberiam todas como é, estando sobre o amor, amar
👁️ 339
O causo dos jumentinhos
O causo dos jumentinhos
Afê égua, bicho atentado, peste de sete pragas, praga de sete peles, bicho danado, bicho matreiro, por que a flor da vizinha ao lado sempre tem o melhor cheiro?
A égua teve um jumentinho de dois pais diferentes, é jumento demais para tão pouca inteligência, mas o menino ganhou diplomação, saiu doutor e montou no primeiro burro que passou.
Eu não confesso as minhas mazelas a padre nenhum, ponho-nas de molho e as deixo fermentar e virar cerveja. Bebo-as devagar, sem pressa nenhuma, há quem ache que os pecados matam, mas é preciso acreditar antes, que pecado existe, depois se deixar matar por eles, eu os curto como formas saudáveis de aprender com eles, só não aceito que eles preguem peças nos outros.
Chorei, chorei, depois parei, mas antes chorei de novo, os acréscimos de águas são bons para o sertão, ajuízo esses aguaceiros a tornar tudo verde, estou parecendo pé de pitomba, cheinho de flores brancas, as alegrias veem depois de cada chuvarada, já atinei isso pela criançada que brinca nas poças d’água, solta.
De cabeça para baixo viu o mundo rasteiro, mais rasteiro do que é, um pé que vai primeiro não avisa ao outro do caminho, o buraco é mais fundo para quem olha apenas o firmamento, mas pé torto e anjo morto também entram no céu.
Domingas da ferida aberta casou-se com Monsolo, tiveram três filhos homens, dois morreram solteiros, e um casou-se depois de morto, ele trocou o sagrado pelo profano e brindou o fim do mundo em janeiro, mas o mundo tinha acabado em dezembro e o padre não professou o casamento.
Beijo de mulher brava não traz prazer algum, ficamos com medo de perder os beiços, ou que ela nos coma a língua toda, mas nem todos os sapos têm boca grande, mas há as pererecas que nem querem saber, só querem saber dos beijos.
Porém escrevo temente às coisas que digo, se alguma alma malévola descobre-me por dentro, e pode percebe que eu não tenho suficiente inteligência para zombar do coitado do jumento, melhor que eu me cale então e passe a cuidar da burrice que me cabe.
Do mue livro Causos Complicados
Afê égua, bicho atentado, peste de sete pragas, praga de sete peles, bicho danado, bicho matreiro, por que a flor da vizinha ao lado sempre tem o melhor cheiro?
A égua teve um jumentinho de dois pais diferentes, é jumento demais para tão pouca inteligência, mas o menino ganhou diplomação, saiu doutor e montou no primeiro burro que passou.
Eu não confesso as minhas mazelas a padre nenhum, ponho-nas de molho e as deixo fermentar e virar cerveja. Bebo-as devagar, sem pressa nenhuma, há quem ache que os pecados matam, mas é preciso acreditar antes, que pecado existe, depois se deixar matar por eles, eu os curto como formas saudáveis de aprender com eles, só não aceito que eles preguem peças nos outros.
Chorei, chorei, depois parei, mas antes chorei de novo, os acréscimos de águas são bons para o sertão, ajuízo esses aguaceiros a tornar tudo verde, estou parecendo pé de pitomba, cheinho de flores brancas, as alegrias veem depois de cada chuvarada, já atinei isso pela criançada que brinca nas poças d’água, solta.
De cabeça para baixo viu o mundo rasteiro, mais rasteiro do que é, um pé que vai primeiro não avisa ao outro do caminho, o buraco é mais fundo para quem olha apenas o firmamento, mas pé torto e anjo morto também entram no céu.
Domingas da ferida aberta casou-se com Monsolo, tiveram três filhos homens, dois morreram solteiros, e um casou-se depois de morto, ele trocou o sagrado pelo profano e brindou o fim do mundo em janeiro, mas o mundo tinha acabado em dezembro e o padre não professou o casamento.
Beijo de mulher brava não traz prazer algum, ficamos com medo de perder os beiços, ou que ela nos coma a língua toda, mas nem todos os sapos têm boca grande, mas há as pererecas que nem querem saber, só querem saber dos beijos.
Porém escrevo temente às coisas que digo, se alguma alma malévola descobre-me por dentro, e pode percebe que eu não tenho suficiente inteligência para zombar do coitado do jumento, melhor que eu me cale então e passe a cuidar da burrice que me cabe.
Do mue livro Causos Complicados
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Penas
Arranca pena a pena como se a alma moldada aos vícios prepostos se alinhassem aos teus gozos não dados
Como se a ave plena, dentro do peito se libertassem para os voos como se soubesse das dores maiores que nunca contastes
Lastrei os teus pés no piso para que nunca caminhes locais sagrados onde as chagas manchariam o chão
Pede o fogo apagado um carvão, as cinzas e pinta a cara e apaga os olhos à face escondida aos apelos de amor
Dobra as vestes de perdidas vontade de ser nua e alivia o contraste entre a boca e as palavras que alongam para dentro os desejos quando a parte mais sentida pede para ser tocada
Dê-se a todos os sentidos sem censura, pois a pureza concede mil desejos antes de cingir-se à imoral língua apregoada pelos santos,
Lambe e se farta antes que o sonoro cansaço a convença que a música não presta,
Mas saiba que dentro da presa a música boa é a da entrega quando não cabemos mais no desejo
Lava a alma boa, a vida pregressa sem a pressa de se vestir, deixa a brisa brinca na tua boca atrevida, nas partes mais íntimas
Deixa cada toque de vida te servir, pois a liberdade só vem depois que cada desejo deixar de existir
Como se a ave plena, dentro do peito se libertassem para os voos como se soubesse das dores maiores que nunca contastes
Lastrei os teus pés no piso para que nunca caminhes locais sagrados onde as chagas manchariam o chão
Pede o fogo apagado um carvão, as cinzas e pinta a cara e apaga os olhos à face escondida aos apelos de amor
Dobra as vestes de perdidas vontade de ser nua e alivia o contraste entre a boca e as palavras que alongam para dentro os desejos quando a parte mais sentida pede para ser tocada
Dê-se a todos os sentidos sem censura, pois a pureza concede mil desejos antes de cingir-se à imoral língua apregoada pelos santos,
Lambe e se farta antes que o sonoro cansaço a convença que a música não presta,
Mas saiba que dentro da presa a música boa é a da entrega quando não cabemos mais no desejo
Lava a alma boa, a vida pregressa sem a pressa de se vestir, deixa a brisa brinca na tua boca atrevida, nas partes mais íntimas
Deixa cada toque de vida te servir, pois a liberdade só vem depois que cada desejo deixar de existir
👁️ 184
Esta noite
Todas as noites escrevo para busca-la, mas está noite viestes tão perto,
Tuas mãos forçando as minhas a escrever sobre aquilo que ainda sonho
Escrevo tão indefeso, tão conscientemente de ti, a silhueta de cada ilha na penumbra, um corpo que brilha feito estrela
Os barcos voltando das loucuras marítimas, as dores do corpo que nunca aceitam os vazios
Os abismos desconexos, o olhar que passeia no quarto tentando distinguir cada coisa, as tristezas oferecidas que não cabem mais
Cada aldeia nas suas rotinas de ferir a terra, o cheio do solo, o sangue correndo nas veias das plantas,
O copo de água macia que alivia a garganta das sedes eternas, os suores noturnos escrevem também
Os olhos estáticos das estrelas agora cintilam mais, como bons presságios a afastar o negrume dos corvos
As tuas mãos são as escritas das minhas e sinto que há mais do que desejo das palavras ditas,
Há as buscas dos longos estios das peles esquecidas nas ausências,
O toque a perceberem mais do que as lembranças que ondulavam sem definições precisas
Há os consolos de quem acredita no ressurgimento das coisas perdidas, da carícia da terra a acolher a semente que brota,
Por cada gota ensopada de orvalho, num diminuto sermão da vida,
A folha branca da aurora estendida ao longo da estrada a nos chamar a escrever outra história,
E se o silêncio pudesse ouvir as palavras ditas por nossos olhares, diria que, o amor nunca se cansa de tentar
.
Tuas mãos forçando as minhas a escrever sobre aquilo que ainda sonho
Escrevo tão indefeso, tão conscientemente de ti, a silhueta de cada ilha na penumbra, um corpo que brilha feito estrela
Os barcos voltando das loucuras marítimas, as dores do corpo que nunca aceitam os vazios
Os abismos desconexos, o olhar que passeia no quarto tentando distinguir cada coisa, as tristezas oferecidas que não cabem mais
Cada aldeia nas suas rotinas de ferir a terra, o cheio do solo, o sangue correndo nas veias das plantas,
O copo de água macia que alivia a garganta das sedes eternas, os suores noturnos escrevem também
Os olhos estáticos das estrelas agora cintilam mais, como bons presságios a afastar o negrume dos corvos
As tuas mãos são as escritas das minhas e sinto que há mais do que desejo das palavras ditas,
Há as buscas dos longos estios das peles esquecidas nas ausências,
O toque a perceberem mais do que as lembranças que ondulavam sem definições precisas
Há os consolos de quem acredita no ressurgimento das coisas perdidas, da carícia da terra a acolher a semente que brota,
Por cada gota ensopada de orvalho, num diminuto sermão da vida,
A folha branca da aurora estendida ao longo da estrada a nos chamar a escrever outra história,
E se o silêncio pudesse ouvir as palavras ditas por nossos olhares, diria que, o amor nunca se cansa de tentar
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