Lista de Poemas
as velhas bruxas
As velhas bruxas vivem dos cheiros e dos perfumes que tocam,
As substâncias da lua azeda e o cio dos meninos que bebericam os seios adocicados,
Um palmo de razão ao medo, mas o receio de beirar o prazer encanta
E cinge os beirais da cama e os risos soltos das meninas
A velha bruxa sabe do fluxo do mar e das pernas bambas,
Dos mareares dos marinheiros de primeira viagem
O solo rouco dos madeirames que rangem ao se tocarem
Da maresia das agoniadas flores jogadas nas camas
Dos nomes ditos nos olhos que cultivaram desejos,
As velhas bruxas sabem dos gozos matinais e das lamentações noturnas da fome
Vasas cabeleiras molhadas nas cristas das ondas, o sal de salgar os curtumes das peles claras de nuvens pálidas,
Beba mais leite que o desejo consome as forças, amarrem aos mastros as moças de olhos amareados
E sintas os cordames que circundam as tuas nádegas cruas
E orem os deuses dos mares que te mantenha puras até a praia seguinte
Mas as velhas bruxas sabem que isso não conta, apenas o tempo marca os desejos findos em cada célula madura,
Em cada olhar perdido no horizonte
Charles Burck
As substâncias da lua azeda e o cio dos meninos que bebericam os seios adocicados,
Um palmo de razão ao medo, mas o receio de beirar o prazer encanta
E cinge os beirais da cama e os risos soltos das meninas
A velha bruxa sabe do fluxo do mar e das pernas bambas,
Dos mareares dos marinheiros de primeira viagem
O solo rouco dos madeirames que rangem ao se tocarem
Da maresia das agoniadas flores jogadas nas camas
Dos nomes ditos nos olhos que cultivaram desejos,
As velhas bruxas sabem dos gozos matinais e das lamentações noturnas da fome
Vasas cabeleiras molhadas nas cristas das ondas, o sal de salgar os curtumes das peles claras de nuvens pálidas,
Beba mais leite que o desejo consome as forças, amarrem aos mastros as moças de olhos amareados
E sintas os cordames que circundam as tuas nádegas cruas
E orem os deuses dos mares que te mantenha puras até a praia seguinte
Mas as velhas bruxas sabem que isso não conta, apenas o tempo marca os desejos findos em cada célula madura,
Em cada olhar perdido no horizonte
Charles Burck
👁️ 54
Afogueamentos
Os afogueados desejos pousaram de asas em chama entre as pernas tuas,
Mas nada veio depois, a não ser o cheiro do teu liquido espesso que não saciava a boca porque era perfume
Mas minou pela minha vida toda, afora, na saudade pecaminosa que jamais foi embora
Charles Burck
Mas nada veio depois, a não ser o cheiro do teu liquido espesso que não saciava a boca porque era perfume
Mas minou pela minha vida toda, afora, na saudade pecaminosa que jamais foi embora
Charles Burck
👁️ 36
Trégua
Nos demos uma trégua hoje, e cantamos canções de paz,
E fizemos, juntos, um amuleto para o regresso do impossível
A respiração da alma – estamos a voltar sempre enquanto nos afastamos mais
Mas não hoje, hoje não, quando por tudo vivemos quando nada temos,
Não há resignação na luta e só há a recusa ao abandono –
Porque existimos para a vida, pela sobrevivência, para alongar o último suspiro,
Não fazemos julgamentos pelo não acontecido, o futuro será a nossa não aceitação a abdicar de nós
Na precisão do passo temos que aprender a caminhar com os olhos vendados,
A vida é um precipício que se movimenta
Mas há poemas em todos os lados, como flores que escapam de um sorriso,
Como a florescer dos teus olhos em tempos escassos de luz,
Quando nascer traz inúmeras semelhanças com a morte
Brindamos um caso de amor borbulhando vida
Charles Burck
E fizemos, juntos, um amuleto para o regresso do impossível
A respiração da alma – estamos a voltar sempre enquanto nos afastamos mais
Mas não hoje, hoje não, quando por tudo vivemos quando nada temos,
Não há resignação na luta e só há a recusa ao abandono –
Porque existimos para a vida, pela sobrevivência, para alongar o último suspiro,
Não fazemos julgamentos pelo não acontecido, o futuro será a nossa não aceitação a abdicar de nós
Na precisão do passo temos que aprender a caminhar com os olhos vendados,
A vida é um precipício que se movimenta
Mas há poemas em todos os lados, como flores que escapam de um sorriso,
Como a florescer dos teus olhos em tempos escassos de luz,
Quando nascer traz inúmeras semelhanças com a morte
Brindamos um caso de amor borbulhando vida
Charles Burck
👁️ 44
Estorvo
Creio que ganhei a existência pela vontade dos elementos
Sou um nêutron de gesso maior que a maioria, vulnerável num ponto abaixo da cabeça
Meça três palmos e acerte-me o peito em cheio,
Poderia ficar assim sentado observando a evolução dos planetas, mas o tempo é curto
O lençol é curto,
O mundo é curto para os meus desejos,
A vida é interpretativa e mal cabe num contexto, qual parte do mundo evolui?
é difícil identificar num texto à parte
Poderíamos ter um fim de papo honesto, não sou filho dileto do céu, até voo, mas sou um estorvo às aves de voos bons
Charles Burck
Sou um nêutron de gesso maior que a maioria, vulnerável num ponto abaixo da cabeça
Meça três palmos e acerte-me o peito em cheio,
Poderia ficar assim sentado observando a evolução dos planetas, mas o tempo é curto
O lençol é curto,
O mundo é curto para os meus desejos,
A vida é interpretativa e mal cabe num contexto, qual parte do mundo evolui?
é difícil identificar num texto à parte
Poderíamos ter um fim de papo honesto, não sou filho dileto do céu, até voo, mas sou um estorvo às aves de voos bons
Charles Burck
👁️ 63
Deus passou por aqui
Deus esteve aqui tão rente aos meus lábios para dividir uma palavra de consolo,
Que eu chorei e ele também,
Tem dias frios, onde a chuva mina dos olhos, e as goteiras caem das calhas dos telhados, os pássaros se acolhem nos vãos dos sótãos
E os destinos tremem de saudades,
Encolho-me então como os caracóis e peço perdão por
mexer no baú dos ossos,
Mas há uma delicada semelhança dos sentidos com os movimentos do mar,
Há os que nos falam manso, tão perto do ouvido que a alma assevera que está dentro
Como um canto de pássaro que mora na gente
Como ondas que tão remotas trazem as texturas da voz de Deus...
Charles Burck
👁️ 81
Pedras nas águas
Atirávamos pedras
para a água sorrir
para o silêncio deixar de existir
Para a luz se dividir em pedaços
Charles Burck
👁️ 57
Anjos e Demônios
Os amantes cairão sob o cansaço dos beijos, como andorinhas depois da migração,
Outros verões surgirão e outras estações de beijar,
Os amigos também esperam,
A mesa e a cama têm lugares vagos,
Aos indefinidos sentimentos um bilhete de despedida, aos amores plenos um cenário de biografias totais,
Consomem-se as chamas alugadas e sol manipulado,
Plantem-se raízes em uma cama no quintal, as plantas copulam melhor com a natureza solta,
E escrevem na terra sobre saudades e romance ao sentido adequado dos olhos,
Os abraços desfigurados sonham peitos de acolhimentos mais largos,
E eu peço desculpas com a cabeça ao amparo dos teus ombros,
Os amantes hoje voltaram ao final da tarde, enchendo a casa de perfumes,
O lado musicado da vida, os registros de poemas nos espelhos e nos vidros, se espalham
vejo olhos dos que desprezaram a aritmética, as métricas quadradas, os cabelos presos na nuca,
E ela solta aos ventos os cabelos que quase voam e brincam com as folhas e se tornam elementos dos desenhos das colchas,
Vi tudo isso no olhar da moça que passava, nas pregas do vestido, no sorriso desdenhando as regras,
Vi e ouvi os anjos discutindo com os demônios,
Mas o amor fizeram juntos, era algo em comum, a única fonte de concordância
Charles Burck
Outros verões surgirão e outras estações de beijar,
Os amigos também esperam,
A mesa e a cama têm lugares vagos,
Aos indefinidos sentimentos um bilhete de despedida, aos amores plenos um cenário de biografias totais,
Consomem-se as chamas alugadas e sol manipulado,
Plantem-se raízes em uma cama no quintal, as plantas copulam melhor com a natureza solta,
E escrevem na terra sobre saudades e romance ao sentido adequado dos olhos,
Os abraços desfigurados sonham peitos de acolhimentos mais largos,
E eu peço desculpas com a cabeça ao amparo dos teus ombros,
Os amantes hoje voltaram ao final da tarde, enchendo a casa de perfumes,
O lado musicado da vida, os registros de poemas nos espelhos e nos vidros, se espalham
vejo olhos dos que desprezaram a aritmética, as métricas quadradas, os cabelos presos na nuca,
E ela solta aos ventos os cabelos que quase voam e brincam com as folhas e se tornam elementos dos desenhos das colchas,
Vi tudo isso no olhar da moça que passava, nas pregas do vestido, no sorriso desdenhando as regras,
Vi e ouvi os anjos discutindo com os demônios,
Mas o amor fizeram juntos, era algo em comum, a única fonte de concordância
Charles Burck
👁️ 53
Gretas de Estrelas
Dê-me ao tato os sabores dos outros sentidos se de olhos fechados te leio interpretando as entrelinhas
Buscando recuperar os tempos perdidos entre outros amores
Não pinte os lábios e nem me mostre pelo espelho as ancas,
Não ponha roupas com fechos ou entraves maiores,
Não plantes discórdias no meio dos diálogos da pele com os dedos,
Não me chame de senhor quando eu for menino confessando nada saber de amor,
Nem me evite à boca aos seios,
Morro de medo de morrer de sede tão perto do aguadeiro
Quando no meio das chamas os beijos transformem os dias quente em paraísos melhores,
Leio-te devagar misturado às flamas e o doce sonhar que me aproxima dos dias de felicidades,
Outrora tive olhos maiores, mas a fome não me deixava sentir o sabor da tua necessidade de caminhar devagar
Rogo aos amores que me façam um amante melhor, que venham pousos raros
Momentos de suaves encantos,
E que ao amar, a tua beleza com a minha alma peregrina, me faça entregue a tudo que de ti me prende,
Com sincero amor e a face pedida nas gretas infestadas de estrelas.
Charles Burck
Buscando recuperar os tempos perdidos entre outros amores
Não pinte os lábios e nem me mostre pelo espelho as ancas,
Não ponha roupas com fechos ou entraves maiores,
Não plantes discórdias no meio dos diálogos da pele com os dedos,
Não me chame de senhor quando eu for menino confessando nada saber de amor,
Nem me evite à boca aos seios,
Morro de medo de morrer de sede tão perto do aguadeiro
Quando no meio das chamas os beijos transformem os dias quente em paraísos melhores,
Leio-te devagar misturado às flamas e o doce sonhar que me aproxima dos dias de felicidades,
Outrora tive olhos maiores, mas a fome não me deixava sentir o sabor da tua necessidade de caminhar devagar
Rogo aos amores que me façam um amante melhor, que venham pousos raros
Momentos de suaves encantos,
E que ao amar, a tua beleza com a minha alma peregrina, me faça entregue a tudo que de ti me prende,
Com sincero amor e a face pedida nas gretas infestadas de estrelas.
Charles Burck
👁️ 71
As rosas
Ah! Já me sinto perdido em tua boca, numa canção que o acaso trouxe, teus bicos são rosas de boas notícias
Não há primaveras que se saiba, mas só as que brotam dos teus seios florados
Saber onde tocar todos sabem, mas a delicadeza da rosa pede mais..
Pois ela sabe que gozar é morrer de prazer... para brotar logo depois
Charles Burck
Não há primaveras que se saiba, mas só as que brotam dos teus seios florados
Saber onde tocar todos sabem, mas a delicadeza da rosa pede mais..
Pois ela sabe que gozar é morrer de prazer... para brotar logo depois
Charles Burck
👁️ 55
Mariposas
Havia uma mariposa cega perdida entre girassóis, morreu queimada de girar tanto,
Mas as pombas em torno da lâmpada tiveram mais sorte, o sol não estava forte o tanto de derreter as asas brancas,
A dona cafetina não se relaciona mais, só deita na cama e cheira os lençóis,
Ela está pálida de fome, faz tempos que não come, só aproveita o gozo sobrados dos outros
Ah! O meu coração interpelado, não chora, só geme
Vem-me à boca a procura dos teus beijos
Não irei afoga-la no que te dá prazer, mas mato tua sede molhando-te homeopaticamente os lábios
Roça só um pouco os teus mamilos nos meus, é ordinário o mundo que não passa por ti
Ah! Já me sinto perdido em tua boca numa canção que o acaso trouxe, teus bicos são rosas de boas noticias
Não há primaveras que se saiba, mas só as que brotam dos teus seios florados
Saber onde tocar todos sabem, mas a delicadeza da rosa pede mais..
Pois ela sabe, que gozar é morrer de prazer... e renascer logo depois
Charles Burck
Mas as pombas em torno da lâmpada tiveram mais sorte, o sol não estava forte o tanto de derreter as asas brancas,
A dona cafetina não se relaciona mais, só deita na cama e cheira os lençóis,
Ela está pálida de fome, faz tempos que não come, só aproveita o gozo sobrados dos outros
Ah! O meu coração interpelado, não chora, só geme
Vem-me à boca a procura dos teus beijos
Não irei afoga-la no que te dá prazer, mas mato tua sede molhando-te homeopaticamente os lábios
Roça só um pouco os teus mamilos nos meus, é ordinário o mundo que não passa por ti
Ah! Já me sinto perdido em tua boca numa canção que o acaso trouxe, teus bicos são rosas de boas noticias
Não há primaveras que se saiba, mas só as que brotam dos teus seios florados
Saber onde tocar todos sabem, mas a delicadeza da rosa pede mais..
Pois ela sabe, que gozar é morrer de prazer... e renascer logo depois
Charles Burck
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