Penas

Arranca pena a pena como se a alma moldada aos vícios prepostos se alinhassem aos teus gozos não dados

Como se a ave plena, dentro do peito se libertassem para os voos como se soubesse das dores maiores que nunca contastes

Lastrei os teus pés no piso para que nunca caminhes locais sagrados onde as chagas manchariam o chão

Pede o fogo apagado um carvão, as cinzas e pinta a cara e apaga os olhos à face escondida aos apelos de amor

Dobra as vestes de perdidas vontade de ser nua e alivia o contraste entre a boca e as palavras que alongam para dentro os desejos quando a parte mais sentida pede para ser tocada

Dê-se a todos os sentidos sem censura, pois a pureza concede mil desejos antes de cingir-se à imoral língua apregoada pelos santos,

Lambe e se farta antes que o sonoro cansaço a convença que a música não presta,

Mas saiba que dentro da presa a música boa é a da entrega quando não cabemos mais no desejo

Lava a alma boa, a vida pregressa sem a pressa de se vestir, deixa a brisa brinca na tua boca atrevida, nas partes mais íntimas

Deixa cada toque de vida te servir, pois a liberdade só vem depois que cada desejo deixar de existir
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