Lista de Poemas
Reminiscência XXVI
nos olhos
como corrente
a vida puxava
o horizonte
o menino
assuntando o mar
media o açude
em que mergulhava
as léguas marinhas
nas ondas derramadas
afogavam os açudes
que trazia na alma
Geométrica vaga
minhas paralelas
de tão tangentes
misturam no peito
tudo que sentem:
a dor do mundo,
suas ausências.
a condição militante
flagrante sentimento
constrói as geometrias
das fronteiras do tempo
todo espaço da alma
é um grito recorrente
Do porvir em nado
o porvir
há de pôr-se atento
em deixar construir-se
como oficina do tempo
ferramenta humana
dê-se a matéria ao rito
de consumir na luta
os gestos do infinito
a construção do futuro
deixa rastros em tudo
Tribos de mim em tanto
coletivo
dou-me às tribos
como indígena militante
do infinito
a razão de sê-lo
entorna a liberdade
como fração dos atos
da humana vontade
a condição inata
discurso da história
dá-me como matéria
nos ombros da memória
Desejo em raia urgente
o desejo
veio urgente
posta a emoção
nas minas do que sente
trava a demora
na humana senda
esculpindo a vontade
em sua agenda
o desejo é corcel
desabalado
galopando a memória
das raias do passado
Da guerrilha em fases
guerrilheiro de si
dê-se à oitiva
de todos os sentidos
postos na vida
cometa o tempo
como íntima arma
de arquivar o povo
no vão da alma
invente a manhã
quando tarde
madrugue as razões
da liberdade
Reminiscência XXIV
na pressa dos pés
em tarefa posta
o jovem caminhava
com o país nas costas
o peso do orgulho
era tanto
que a vida voava
como pássaro em dança
na volta
flutuava o mundo
e um riso camarada
bordava o futuro
Da humana valsa
a dança
dispensa o salão
nas ruas dos passos
dos pés no chão
a história
já valsa a vida
como dança humana
recorrente e infinita
o homem
no frevo do mundo
já dança o tempo
abraçado em seus pulos
buscas sonhantes
meus olhos
sobram na noite
como naves urgentes
em busca do sonho
como um archote
no vão do sono
lampeja a vontade
na onírica fonte
abraçado à manhã
o sonho ainda vaga
como fora horizonte
dos mares da alma
Agrária fala
a enxada
lambe a terra
camponesa saga
em que se enreda
nada lhe dói
rasgar o mundo
abrindo feridas
do futuro
a enxada tem a certeza
na agrária vertente
que apenas borda a natureza
naquilo que intente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.