Escritas

Lista de Poemas

Do eu lírico em rasante

 

o eu lírico emboscado

é só um grave trajeto

entre os confins da alma

e as filigranas do universo

dize-lo magnânimo

na avareza do verso

é só a contradição

de todo manifesto

laivos sonhantes da matéria

na construção de sua dialética

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Metragens

 

dou-me ao infinito

como perdulário

tudo que de tanto

permitam-me os espaços

os que o tempo construa

os que digam as sinapses

o infinito é só o lavradio

da matéria em seus compassos

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Ode à Pedra do Ingá

 

a pedra

como um arquivo

guarda o panfleto

do humano grito

a pedra

atiça a memória

discursando a vida

nos leirões da história

a pedra

sabe a relógio

nessa mania intensa

de guardar as horas

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Da renitência da vida I

 

a vida

não é só um descuido

que a matéria dá a si

plantando o futuro

o jogar-se plena

nessa insistência

projeta sua estadia

na consciência

construir-se tanta

nos ombros do mundo

é decreto raciocinado

dos infinitos de tudo

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Volitiva sanção

 

num recanto da vida

meio embrulhada

habita como bólide

a pedra da vontade

atira-la ao mundo

no vão dos fatos

deixá-la militante

na coletiva nave

o pulso humano tramita

inexoravelmente

a gravidez da liberdade

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Do baião soletrado

 

dos solfejos da sanfona

pelo vento espalhados

os passos brotam no chāo

no baiāo alinhavados

é assim como um levante

do povo desembestado

riscando a terra em bemóis

jogando a vida nos passos

o nordeste pulsa tanto

nesse dançar coletivo

parece um vendaval

no pescoço do infinito

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Da praça em atos

 

a praça

é só uma dança

onde o povo espalha

a esperança

a palavra

é o indício

onde a paz guerreia

seu comício

a matéria

apenas instaura

os futuros que pode

em sua saga

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Das humanas correntes

 

a água

na ciranda do rio

dança a natureza

como um trilho

corrente, dá-se ao tempo

misturando as horas

no abraço dos ventos

o homem, rio de si,

escorre a vida

como fora corrente

em margens consentidas

todas suas cheias

dependem de investidas

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Violada lembrança

 

o violão

mudo e esquecido

guarda dos olhos

memórias e motivos

quando salta

degraus da memória

deixa-se compêndio

de infinitas horas

medo de pulsa-lo

deixar sua marca

soltar pelos olhos

as cordas da alma

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Reminiscência XXI

 

no engenho moendo

amoitado na alegria

o menino sonhava

nos ombros do dia

o mel boiando

no tacho escuro

era um decreto doce

nas mágoas do mundo

a vida era tão exata

que o menino esquecia

das humanas faltas

a fome da vida

era só uma estrada

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !