Lista de Poemas
Faminta saga
a fome
se(mente)
quando planta(da)
impune(mente)
rói a vida
intrusa endemia
noite arquitetada
da sistêmica via
os rastros do mundo
pegadas da vida
passeiam a humana matéria
na luta que decida
Do princípio e suas ramificações
nas andanças do povo
no ventre das praças
a vida caminha torta
em paralelas exatas
como se fora um curso
das dores que relata
pulsando todos desejos
como bandeira larga
os dias em que habita
como grave passeata
desenha essa ilusão
de que se veste a prática
de entornar o povo
no ombro grave da pátria
como forma de gritar
todas as suas lágrimas
os passos assim lançados
desaguam no comício
ancorados pela praça
o povo colhe o indício
de que entre seus braços
a história é um infinito
o poder de transita-lo
é gerência de seu riso
nessa larga paisagem
Nicodemus deu-se à deriva
como um grito humano
posto nas avenidas
fugindo do ventre da mãe
abraçado com a vida
assim como palavras
das ordens em que milita
nascido em comício
eco da fala humana
Nicodemus deu-se ao tempo
como intensa chama
de quem já no início
assumia seu drama
de tornar-se frontspício
teatro de sua chama
correu assim a infância
como uma estrada pulsante
de todas as regras ditas
nas indagações humanas
da infantil construção
de sua militância
eis que a visão do sonho
era só uma instância
que escorria da vida
com certa perseverança
sonhou nessa vertente
os desejos de menino
forjou batalhas de risos
chorou as dores sentidas
assim quando a emoção
transbordando seu rito
confunde o mar dos olhos
com as brechas do riso
assim caminhou solene
na continência dessa dívida
de como soldado civil
em militar investida
construir-se do novo
na escola da vida
Das vias humanas
as ruas
são um modo lúdico
dos passos criarem
seus futuros
asfaltadas do homem
nos pés de barro
as horas tangem o povo
em que se passam
passear os cursos da vida
humana gestão do tempo
é transitar pelos passos
as vias do pensamento
urbana paisagem
a chuva
roendo o tempo
lambe a madrugada
mar das alturas
em líquida caminhada
desaguando rios
pelas calçadas
nadando a fome
o homem tem-se barco
ancorado na tempestade
a água abraça o mundo
afogando a liberdade
Das viaturas do infinito
de tanto estar no tempo
agora dou-me ao espaço
de tramitar pelas horas
os infinitos que guardo
os ávidos da lembrança
aqueles em que ainda caibo
o viver dessas distâncias
nos palmos dos sentidos
soletram as léguas do mundo
nos alfabetos da vida
Saudade em lapsos I
a saudade
é futuro amordaçado
sua vigência é tempo
das grades da alma
o poema é só um grito
na cela das palavras
o poeta é detento
dos verbos que exala
arma semântica
intenso decreto
das anistias da alma
a saudade é concreta
com nesgas em toda parte
Reminiscência XXXIII
sentado
no muro da escola
o jovem gazeava
o tempo e a história
pescando sonhos
no ritmo da rua
tramava passeatas
as do povo e as suas
semeava versos no peito
como leirão humano
da agricultura de si
no roçado dos anos
Das estradas do ser
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
Reminiscência XXVIII
a Ladeira do Maribondo
era um Everest íntimo
jogado no nordeste
e nos olhos do menino
subi-la era exercício
de dize-la incauta
em duvidar da sanha
do sonho astronauta
a ladeira, reticente,
na lama que guardava
deixava-se barreira
dos esportes da alma
Da humana forja
resumo militante
das Áfricas vividas
o mundo escreve a matéria
na humana lida
assim derramada
nas cenas do tempo
inventa razões
pelo pensamento
contê-la abraçada
nos vincos da vida
é respira-la invenção
das almas que consiga
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.