Escritas

Lista de Poemas

Faminta saga

 

a fome

se(mente)

quando planta(da)

impune(mente)

rói a vida

intrusa endemia

noite arquitetada

da sistêmica via

os rastros do mundo

pegadas da vida

passeiam a humana matéria

na luta que decida

👁️ 7

Do princípio e suas ramificações

 

nas andanças do povo

no ventre das praças

a vida caminha torta

em paralelas exatas

como se fora um curso

das dores que relata

pulsando todos desejos

como bandeira larga


 

os dias em que habita

como grave passeata

desenha essa ilusão

de que se veste a prática

de entornar o povo

no ombro grave da pátria

como forma de gritar

todas as suas lágrimas


 

os passos assim lançados

desaguam no comício

ancorados pela praça

o povo colhe o indício

de que entre seus braços

a história é um infinito

o poder de transita-lo

é gerência de seu riso


 

nessa larga paisagem

Nicodemus deu-se à deriva

como um grito humano

posto nas avenidas

fugindo do ventre da mãe

abraçado com a vida

assim como palavras

das ordens em que milita


 

nascido em comício

eco da fala humana

Nicodemus deu-se ao tempo

como intensa chama

de quem já no início

assumia seu drama

de tornar-se frontspício

teatro de sua chama


 

correu assim a infância

como uma estrada pulsante

de todas as regras ditas

nas indagações humanas

da infantil construção

de sua militância

eis que a visão do sonho

era só uma instância

que escorria da vida

com certa perseverança


 

sonhou nessa vertente

os desejos de menino

forjou batalhas de risos

chorou as dores sentidas

assim quando a emoção

transbordando seu rito

confunde o mar dos olhos

com as brechas do riso


 

assim caminhou solene

na continência dessa dívida

de como soldado civil

em militar investida

construir-se do novo

na escola da vida

👁️ 71

Das vias humanas

 

as ruas

são um modo lúdico

dos passos criarem

seus futuros

asfaltadas do homem

nos pés de barro

as horas tangem o povo

em que se passam

passear os cursos da vida

humana gestão do tempo

é transitar pelos passos

as vias do pensamento

👁️ 80

urbana paisagem

 

a chuva

roendo o tempo

lambe a madrugada

mar das alturas

em líquida caminhada

desaguando rios

pelas calçadas

nadando a fome

o homem tem-se barco

ancorado na tempestade

a água abraça o mundo

afogando a liberdade

👁️ 53

Das viaturas do infinito

 

de tanto estar no tempo

agora dou-me ao espaço

de tramitar pelas horas

os infinitos que guardo

os ávidos da lembrança

aqueles em que ainda caibo
 

o viver dessas distâncias

nos palmos dos sentidos

soletram as léguas do mundo

nos alfabetos da vida

👁️ 78

Saudade em lapsos I

 

a saudade

é futuro amordaçado

sua vigência é tempo

das grades da alma

o poema é só um grito

na cela das palavras

o poeta é detento

dos verbos que exala

arma semântica

intenso decreto

das anistias da alma

a saudade é concreta

com nesgas em toda parte

👁️ 20

Reminiscência XXXIII

 

sentado

no muro da escola

o jovem gazeava

o tempo e a história

pescando sonhos

no ritmo da rua

tramava passeatas

as do povo e as suas

semeava versos no peito

como leirão humano

da agricultura de si

no roçado dos anos

👁️ 8

Das estradas do ser

 

dê-se em mim como privada

a alheia senda do outro

essa necessidade proprietária

da matéria em alvoroço

construção libertária

de quem navega seu esforço

como um barco desses mares

em que a vida dá-se aos poucos

e por tanta resumida

nas infinitas demarches

de-se à dialética

de todos seus olhares

como a vida a transitar

como coletiva face

de todos que a integram

na material paisagem

esse pertencer perdulário

de quem se dá à verdade

de que todos sou eu

diagramado na tarde

em que a estrada da vida

percorre a liberdade

e assim dado à multitude

como grão coletivo

escreva nas atitudes

a cerimônia do rito

de quem escreve em si

a rubrica do infinito

👁️ 17

Reminiscência XXVIII

 

a Ladeira do Maribondo

era um Everest íntimo

jogado no nordeste

e nos olhos do menino

subi-la era exercício

de dize-la incauta

em duvidar da sanha

do sonho astronauta

a ladeira, reticente,

na lama que guardava

deixava-se barreira

dos esportes da alma

👁️ 24

Da humana forja

 

resumo militante

das Áfricas vividas

o mundo escreve a matéria

na humana lida

assim derramada

nas cenas do tempo

inventa razões

pelo pensamento

contê-la abraçada

nos vincos da vida

é respira-la invenção

das almas que consiga

👁️ 1

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !