Lista de Poemas
Reminiscência XXIX
na Estação Aeroport
Moscou pulsava
todos os metrôs
das ferrovias da alma
a face do futuro
era estrada tanta
que o jovem o caminhava
como lembrança
a neve gelando o tempo
no colo manso da tarde
era só um abraço
da soviética saudade
Múltipla saga
quando multidão
dê-se a tanto
construindo o rito
do viver humano
a matéria
dá-se a quanto
por saber-se grávida
em cada canto
cada um, em tudo
é a possibilidade coletiva
do futuro
Compassos da vida
rasuras da vida
postas no tempo
são apenas espaços
do sentimento
leva-las à vontade
em quanta crítica
é arquivar descompassos
nos armários da vida
construir-se em atos
nos alinhavos de tudo
encomenda o compasso
que engravida o futuro
Reminiscência XXV
o quanto da mulher
era tão infinito
que jogava eternidades
nos segundos do riso
prorrogava as manhãs
como eterna liberdade
de quem manuseia o tempo
como dona das tardes
hoje inadimplente
dos infinitos que pude
dou-me escravo das horas
que a saudade me pune
Vital messe
o tempo
nunca é tarde
se a vida é grávida
do que cabe
o espaço
de dizê-la tanta
é construção das horas
em que se planta
como garra do amor
como coletiva dança
Avelino em vacum indício
José Avelino
sobre o cavalo
tinha a impressão
de ser compasso
instrumento das curvas
em busca do gado
vaqueiro
dava-se à caatinga
como avenida larga
de tramitar a vida
seu desejo onírico
era um rebanho farto
tangido em passeata
nos currais da alma
Poema a Adroaldo Marcelo, jabuti e pacifista
o jabuti
em mansa fala
soletra nos passos
toda sua calma
dá-se à tarefa
de suas medidas
em pausar as estradas
encolhendo o infinito
guardando-se no próprio corpo
no ato de deixar-se contrito
Adroaldo entende o alvoroço
como grave desperdício
Bailarina em tempo vasto
a bailarina
soletra no palco
todos os infinitos
que traz nos braços
dizer a vida
no meio dos passos
acorda suas manhãs
no vão das tardes
o tempo da bailarina
é uma intensa eternidade
Arquivo floral
o baobá
como arquivo
guarda os trejeitos
do infinito
leva nos ombros
léguas de memória
armadura vegetal
embutida na história
inunda energias
de todas as áfricas
na pulsante alegria
nos continentes da alma
Reminiscência XXVII
o sol tangia luz
pela paisagem
como um grande pincel
avivando a madrugada
o menino
apressando as horas
espantava o sono
da memória
o mundo e o tempo
eram os sítios
onde vivia infante
seus infinitos
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.