Escritas

Lista de Poemas

Reminiscência XL

 

o museu

nos olhos passeava

como uma lenda

em sua lavra

a história

em disparada

enchia os ouvidos

dos camaradas

o Hermitage

grávido do passado

era um quadro do futuro

nos olhos ancorado

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Vida manifesta

 

deixar-se em si

é larga tarefa

da humana senda

no curso da matéria

querê-la privada

como protesto

é desentende-la

como simples manifesto

dessa multidão infinita

em que a vida se testa

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Reminiscência XXXVI

 

a baladeira

era arma avara

toda beligerância

eram as pedras atiradas

nunca fez-se fuzil

como o menino sonhava

quando dava em si

as guerrilhas da alma

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Da coletiva construção

 

no que humano seja

a vazão da matéria

decrete-se a razão

como largo tentáculo

do polvo infinito

em que o homem lavra

desse cavalgar

na garupa da vida

entoe-se como sujeito

de suas investidas

as que construam de si

as que o povo decida.

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Reminiscência XXXV

 

o vinho

em sua essência

criava rios

na consciência

as margens do mundo

lambiam o tempo

nas eternidades

postas no pensamento

o jovem navegava os rios

em todas suas nascentes

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Ladeira compulsória

 

a vida não é escada

o único degrau

é a alma

planície humana

em que se guarda

dá-lá às ladeiras

da sobrevivência

competição no tempo

é só um disfarce do sistema

construção compulsória

dos degraus da paciência

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Das vazões do ser

 

a vida

nunca é rasa

quando soletra

o vão da alma

a consciência

é um rastro

que a matéria deixa

no sonho, nos braços

mistura-los no tempo

é só um espaço

a que se dá o pensamento

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Reminiscência XXXII

 

inventar a vida

era só um rito

de beliscar o tempo

com o riso

o que se ria do fato

o que sentia o infinito

tudo era tanto

que até o pouco

deixava-se na vida

como alvoroço

fome do futuro

dos passos do povo

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Reminiscência XXXI

 

a vida

nunca era tanta

que pudesse conter

a imensa dança

o menino jogava

na porta da vontade

os sonhos que metia

nas ruas da cidade

a vaga objetiva da vida

molhava de sonho a verdade

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do compasso das horas

 

o calendário

régua do tempo

é só um disfarce

do pensamento

prisão das horas

pelo sentimento

até um dia distraído

humanamente medido

que o tempo será apenas

brincadeira dos sentidos

todos os momentos

serão apenas vividos

conjuntura coletiva

dos infinitos soltos pela vida

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !