Lista de Poemas
Mães
mães
adredemente
Inventam a vida
ao redor da gente
seus ilimites
não desandam
tudo que a razão
apenas tanja
é que suas horas
vigem tão alheias
que nem se registram
em suas veias
antes povoam um tempo
de amores irrestritos
em que declara seus
todos os infinitos.
Vestígios
repito
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo fictício
em que distribuo à vida
todos meus indícios
Desejo em franca estadia
o desejo
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o medo
o desejo
é a encruzilhada
de todas as veias
de todas as falas
o desejo
é transeunte
de ruas escondidas
tudo que lhe tanje
é a vida
odesejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo
é quase um salto
na escuridão
dos seus enredos
Das contradições e manifestos do próximo
Meu olho gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só a constância
de vislumbrar amplitudes
sempre nasço de mim
mesmo quando não pude
é que o outro é o espelho
de nos inventar amiúde.
Do poema em contrição
o poema em si
é quase nada
é um pretenso fato
montado nas palavras
e no entanto
o poema fala
na vastidão do homem
a todos os cordões da alma
é que a matéria,
quando está em si, desanda
e chega a sentir no verbo
tudo que se ama
Yemojá
Yemojá
que entornas o mar
sobre meu tempo
e que te prestas
a sonhar
o que não devo
Yemojá
que lavras a manhã
de todos os teus peixes
e te consolas nas ondas
do exato oceano
como uma nave desgarrada
dos enganos
e que palmilhas os ventos
com a intimidade
dos amantes
e que individuas
em mim
o coletivo mar
de tuas tranças.
Da vida em auto flagrante
eu só sou
se puder não ser-me
é que só cabe em mim
a possibilidade de fazer-me
nada do que é absoluto
permite-me viver-me
na relatividade intrínseca
dos meus medos.
Livre tática
A liberdade
é fática
tudo que lhe mede
é a prática
e nem se conta
por unidades
seu corpo é a forma
da variedade
A liberdade
é relativa
por ter-se absoluta
pela vida
Ode ao PCR nos caminhos da história
Aos Camaradas Manoel Lisboa de Moura e Selma Bandeira
o partido inventa o tempo
como uma usina de luta
e camaradas serão todos
no futuro exato dessas ruas
o partido ecoa nos muros
como uma frase explosiva
e tange o coração do povo
nos ombros largos da avenida
o grito urgente do discurso,
no seu jeito singular diz-se tão vário
que ressoa no peito como certeza
um Partido Comunista Revolucionário
enfim, dê-se-lhe a vazão
de parecer-se na luta
uma fornalha grávida da revolução.
Das dúvidas das horas
O infinito
é só um salto
que o tempo teima em dar
pelo espaço
tudo que lhe tange
é passeata
e a exata compleição
do que prolata
com esse jeito de tanto
e a certeza de nada.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.