Escritas

Lista de Poemas

das vielas do futuro

 

assim esquerdo

arremesso

meu coração

dentro do verso

 

como não lutar

adredemente

quando teima a paz

em ser ausente?

 

 

o futuro é sempre

o  tempo

da luta que se tente

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De Portugal e as flores do povo

 

Pelos ombros da vida

ao redor destes fados

caminha um jeito lusitano

de inventar esses cravos

 

assim  deixados na história

nas curvas da alegria

constroem a grande saudade

dos tempos em que haviam

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Poema militante em decurso de prazo

 

o céu

é sempre do povo

como a praça da revolução

e nem há tempo novo

que se invente em vão

a praça é sempre do povo

como o céu de suas mãos

 

o povo

é sempre da praça

nos céus nublados do não

é como se gente fosse argamassa

de construir amplidão

costurando o peito da massa

nos bordados da razão.

 

gente pulsando

na história e na avenida

é sempre um futuro

atravessado na vida

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Das rendas noturnas


É que o bordado da noite

quando inventa nosso riso

cria luas no infinito

nesse claro exercício

de criar com nossos olhos

a aventura de ter vivido.

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Das presunções e da vida

 

até que

percebas

que a vida

está em cena

na exata  proporção

do teu problema

 

a verdade é apenas

um jeito presumido

do que se apresenta

 

viver é quase tanto

quanto inventar a cena

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Do grito insubstituível da vida

 

Meu vínculo

é o que sinto

pensar é só preciso

naquilo que o coração

é meu indício

 

A razão é quase gesto

de que prescindo

quando o coração aponta

os verbos do que digo.

 

Meu vínculo

é o que grito

na rua geral da vida

em que me infinito.

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Dos umbrais da flor em frases

 

é que nos ombros da flor

por trás do seu colorido

navegam os sentimentos

na jangada dos sentidos

é como um feitiço do olho

que teima em ser abrigo

das tempestades da cor

explodindo seus sorrisos

como se à vida não bastasse

sua condição de ser riso

quando a natureza gargalha

a aventura de ser vista.

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Da menina em falas de infantes verbos

 

as palavras da menina

fabricavam a luz do dia

como se fossem um brinquedo

de inventar alegria

 

e giravam seus sonhos tanto

pelas mãos desenfreadas

como um tempo que se perdia

nos olhos de quem olhava

 

é que a infância sempre teima

em desabotoar as palavras

como se fosse moenda

dos verbos de quem fala.

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Aos tambores da pátria

 

             A Nana Vasconcelos

 

O tambor

talvez não diga

tudo que inventou

nos desvãos da vida

 

mas na sua sina

de tocar  o mundo

resta-lhe a certeza

de se ter em tudo

 

o tambor

impunemente

é um coração itinerante

nos passos da gente

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Materna

minha mãe

tem caminhos

por onde ando displicente

como se fosse uma romaria

de passados e presentes

jogados no coração

assim tão constantemente

como a razão do amor

que cai dos olhos da gente

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !