Lista de Poemas
rasantes
meu voo
é só licença
a que me dou
na consciência
no mais das vezes
sempre aterrizo
na pista fictícia
dos sentidos
astronauta de mim
nesse exercício
construo o cosmos
que habito
Dança
o peneirado da negra
tinha um quê de ilusão
ela dançava sim
a gente pensava não
era como se a vida
não fosse a contradição
que leva a gente pro norte
com o sul no coração.
Tudo de mim
único
tudo me define
outro
sou,
assim alheio,
tudo
de mim mesmo
e pouco
é que me sobra
a ilusão
de parecer-me
em vão
quando não pulsa
na luta
o coração.
Das larguras do sonho e seus detalhes I
dobro
a manhã
e tardo
é que anoiteço
num tempo
único e tão vário
que todos eus sem mim
dão-me ao espaço
em que adormeço unânime
em meus braços.
Dos discursos temporais da velhice
Eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura,
demandada pelos anos,
abrange todas as medidas
do invólucro humano
eis que consumir o tempo
é uma alegria orquestrada
ao homem cabe compô-la
das notas em que não se cala.
das lonjuras de ser
Na morte
me definitivo
tudo que resta
é coletivo
meu singular
é apenas o que vivo.
Eis o artifício da vida
o geral é tão vário
que me infinita.
Quantuns
o tanto de mim
em que me basto
são léguas construídas
nos palmos que ajo
o quanto de todos
reajusta a vida
nos juros humanos
da paz consentida
as metragens humanas
transcendem a medida
Ode aos 62
aos 62
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
rio pela tarde
o que da manhã
me invade
e nunca que me faço triste
com a certeza
de todas as saudades.
O sanfoneiro
A Onaldo Queiroga
o sanfoneiro
nem pressente
que quando puxa o fole
estica a alma da gente
ela sobe no juízo
como um sopro diferente
e se desmancha nos passos
dos vôos todos da gente
é como se fora um recado
de todos os ancestrais
escrevendo nesses passos
as palavras de quem jaz
é como um grito escondido
nos verbos todos do tudo
construindo os infinitos
que a vida joga no mundo.
Convivências
nem sempre
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos sempre juntos
o infinito
e nem o passado
é tão conciso
há um futuro dele
impreterivelmente desmedido
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.