Escritas

Lista de Poemas

rasantes

 

meu voo

é só licença

a que me dou

na consciência

no mais das vezes

sempre aterrizo

na pista fictícia

dos sentidos

astronauta de mim

nesse exercício

construo o cosmos

que habito

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Dança


o peneirado da negra

tinha um quê de ilusão

ela dançava sim

a gente pensava não

era como se a vida

não fosse a contradição

que leva a gente pro norte

com o sul no coração.

👁️ 1

Tudo de mim



único

tudo me define

outro

 

sou,

assim alheio,

tudo

de mim mesmo

e pouco

 

é que me sobra

a ilusão

de parecer-me

em vão

quando não pulsa

na luta

o coração.

👁️ 2

Das larguras do sonho e seus detalhes I

 

dobro

a manhã

e tardo

 

é que anoiteço

num tempo

único e tão vário

que todos eus sem mim

dão-me ao espaço

em que adormeço unânime

em meus braços.

👁️ 3

Dos discursos temporais da velhice

 

Eis a sinergia:

a alegria é sempre maior

que a tristeza presumida

o tempo e o riso cabem mais

nas entrelinhas da vida

 

É que sua lavratura,

demandada pelos anos,

abrange todas as medidas

do invólucro humano

 

eis que consumir o tempo

é uma alegria orquestrada

ao homem cabe compô-la

das notas em que não se cala.

👁️ 6

das lonjuras de ser

 

Na morte

me definitivo

tudo que resta

é coletivo

meu singular

é apenas o que vivo.

 

Eis o artifício da vida

o geral é tão vário

que me infinita.

👁️ 1

Quantuns

 

o tanto de mim

em que me basto

são léguas construídas

nos palmos que ajo

o quanto de todos

reajusta a vida

nos juros humanos

da paz consentida

as metragens humanas

transcendem a medida

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Ode aos 62



aos 62

tanjo a vida

na mesma direção

das desmedidas

tudo é tanto

e tão restrito

que me resto na contradição

do que morro e vivo

 

aos 62

meço-me menino

nas léguas de mim

que adivinho

e o riso

é uma bandeira escancarada

nas portas do que digo

 

aos 62

rio pela tarde

o que da manhã

me invade

e nunca que me faço triste

com a certeza

de todas as saudades.

👁️ 1

O sanfoneiro

 

      A Onaldo Queiroga

 

o sanfoneiro

nem pressente

que quando puxa o fole

estica a alma da gente

 

ela sobe no juízo

como um sopro diferente

e se desmancha nos passos

dos vôos todos da gente

 

é como se fora um recado

de todos os ancestrais

escrevendo nesses passos

as palavras de quem jaz

 

é como um grito escondido

nos verbos todos do tudo

construindo os infinitos

que a vida joga no mundo.

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Convivências



nem sempre

estou comigo

a largura da vida

é um grande indício

de que navegamos sempre  juntos

o infinito

e nem o passado

é tão conciso

há um futuro dele

impreterivelmente desmedido

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !